Abelhas Apis Mellifera - Abelha-do-Mel (Apis mellifera) » João Clérigo - Photography
Abelha-do-Mel (Apis mellifera) » João Clérigo - Photography

Melhorando a produtividade com abelhas apis mellifera

A primeira coisa que você precisa entender sobre manejar abelhas africanizadas e subespécies europeias é que elas se comportam de formas radicalmente diferentes. Eu tive uma colônia de abelhas apis mellifera que simplesmente parou de construir favos de cria em 2018, embora estivesse dentro de uma caixa bem posicionada. O problema não era falta de néctar nem de polinizadores. Era simplesmente que a rainha tinha sido substituída por uma nova que tinha um ritmo de postura muito mais lento do que a linhagem anterior. A solução foi fazer a introdução controlada de uma rainha de origem documentada, que custou cerca de 45 reais na época, e esperar aproximadamente 21 dias para que a colônia se estabilizasse novamente.

Escolhendo o tipo certo de abelhas apis mellifera para seu ambiente

Não adianta comprar qualquer caixa pronta e colocar no quintal achando que vai funcionar. As abelhas apis mellifera são sensíveis a variações de temperatura. Em regiões onde a temperatura media supera 30 graus Celsius no verão, essas abelhas tendem a ficar estressadas e operam de forma menos eficiente do que suas contrapartes africanizadas, que foram criadas especificamente para climas quentes. Eu já vi pessoas perderem até três caixas inteiras em dois meses porque escolheram caixas de madeireira mal ventiladas sem considerar essa variável. O correto é começar com um enxame comprado de um criador que tenha documentação sanitária. Isso significa certidao de origem, registro no ministerio da agricultura e laudo de ausência de vespula e varroa. Se o fornecedor nao conseguir isso, desconfie. A maioria dos problemas que acontecem nos primeiros meses tem a ver exatamente com essa falta de rastreabilidade.

Outro ponto que muitos iniciantes ignoram é a altura da caixa. Colocar a caixa rente ao chão atrai formigas e aumenta a umidade local, o que provoca mofo nos favos. Eu elevo todas as minhas colmeias com tijolos ou pedras, deixando pelo menos 30 centimetros do solo. Isso parece bobo, mas reduz drasticamente a incidencia de vespula em praticamente todas as caixas.

Alimentação suplementar e manejo de enxameação

Um erro comum é achar que abelha não precisa ser alimentada. Isso é verdade apenas na florada principal. Fora dela, principalmente em agosto e setembro em boa parte do Brasil, as colônias enfraquecem rapidamente. Eu uso syrup de açúcar 1:1 durante os períodos de escassez, oferecendo cerca de 1 litro a cada três dias para colônias fracas e 2 litros para as fortes. Quando eu paramos de fornecer por mais de cinco dias consecutivos, notei que a taxa de enxameação dispara porque a rainha entende que o período precário exigirá uma divisão da colônia. Para prevenir enxameação, a técnica que mais funciona é o método de split em sequência. Após a criação de operárias novas, geralmente entre 18 e 24 dias após a troca de raínha, você faz um desdobramento simples, levando uma porção de favos com cria aberta para outra caixa. Isso não interrompe o ciclo reprodutivo e mantém a produção alta. Em minha experiência, esse método reduz o tempo de recuperação pós-enxameação de cerca de quatro semanas para apenas dez dias, dependendo da disponibilidade de néctar.

O manejo de enxameação também envolve a remoção de células reais. Você precisa inspecionar as caixas semanalmente e retirar todas as células reais que encontrar, exceto a mais recente e viável. Se deixar duas ou mais, a colônia vai enxamear inevitavelmente. Eu costumo usar um estetoscópio de apicultor para monitorar o zumbido da colmeia, o que ajuda a detectar mudança no comportamento antes mesmo de abrir a caixa. O som fica mais agudo quando a rainha está prestes a voar com o enxame.

Controle de pragas e doenças comuns

A varroa é o principal inimigo das abelhas apis mellifera no Brasil. Diferente das africanizadas, que desenvolveram resistência natural por seleção sexual, as europeias precisam de manejo ativo. Os ácaros se reproduzem nas células de cria e sugam a hemolinfa da larva, causando deformações e mortalidade elevada. O tratamento com ácido fórmico a 68% por sete dias costuma reduzir a carga parasitária em cerca de 80%, mas só funciona se aplicado na temperatura correta entre 20 e 28 graus Celsius. Outro problema recorrente é a nosemose, causada pelo fungo Nosema apis. Ela ataca o estômago das abelhas adultas e causa disenteria, especialmente no inverno quando as abelhas ficam presas no ninho por dias. Eu uso terapia com fumagillina diretamente no syrup de alimentação. O custo é baixo e o efeito aparece em duas semanas. Porém, o uso contínuo sem intervalo gera resistência, então eu faço apenas um tratamento por ano, preferencialmente em abril ou maio.

Vespula deltoidea, a vespula social brasileira, é uma praga crescente em regiões serranas. Elas atacam colônias fracas no outono e matam as abelhas para alimentar suas próprias larvas. Em 2022, perdi cerca de oito caixas inteiras para vespula antes de descobrir uma solução prática: armadilhas de garrafa PET com isca de carne crua penduradas a dois metros do solo e a cinco metros das colmeias. Isso reduziu a população local de vespulas em aproximadamente 60% dentro de duas semanas. O efeito não é permanente, mas mantém a pressão predatória baixa o suficiente para as colônias sobreviverem.

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Coleta de mel e produtividade média

A produtividade das abelhas apis mellifera varia muito dependendo da flora local e da época do ano. Em média, uma colônia bem manejada produz entre 15 e 30 quilos de mel por safra. Em regiões de cerrado com capim marmelinho e braquiária, cheguei a colher até 40 quilos de uma única caixa em condições ideais de chuva e temperatura. O rendimento menor acontece quando a florada principal coincide com períodos secos ou chuvas excessivas. O mel de abelhas apis mellifera tende a ter teor de umidade mais alto do que o mel de abelhas africanizadas, o que significa que ele precisa de secagem adicional antes da comercialização. Eu uso um desumidificador portátil de 50 watts ligado por 12 horas diretamente sobre os potes de vidro com mel, reduzindo a umidade de 22% para 17%, que é o padrão de aceitação dos buyers. Sem esse processo, o mel fermenta em poucos meses e perde valor comercial completamente.

Para avaliar a qualidade do mel, o refratômetro é indispensável. Ele mede o teor de sólidos solúveis e indica a maturação correta do mel. Abaixo de 20% de umidade, o mel amadureceu adequadamente. Acima disso, precisa ser processado. Um refratômetro de bolso custa cerca de 80 reais e dura anos se for lavado corretamente após cada uso.

Manutenção de colmeias e troca de estruturas

Os favos de abelhas apis mellifera têm uma durabilidade média de dois a três anos antes de precisarem ser substituídos. A cada troca, é importante queimar os favos antigos para eliminar ovos de traça-da-colmeia e esporos de fungos. Eu uso um queimador a gás de 2 kg e passo a chama rapidamente por cada quadro, tomando cuidado para não derreter a cera. O processo leva cerca de 15 segundos por quadro. Após a queima, o quadro fica com uma superfície limpa que as abelhas reconstróem em poucos dias. Uma prática útil é colocar uma lâmina de cera alveolada nos favos novos antes de devolvê-los à colmeia. Isso acelera a construção em até 40% e garante que os favos tenham o tamanho de célula correto, o que facilita a postura uniforme da rainha e evita a presença de operárias pónias.

Outra manutenção essencial é a inspeção mensal da tampa e das paredes internas da caixa. A umidade acumulada causa corrosão do metal e apodrecimento da madeira. Eu aplico uma demão de óleo de linhaça quente a cada seis meses nas partes externas, o que preserva a madeira e repele umidade. Esse simples passo estende a vida útil da caixa de quatro para oito anos, segundo minha observação prática.

Dificuldades e limitações

Manejar abelhas apis mellifera exige mais tempo e atenção do que manejar híbridos ou africanizadas. Elas são mais propensas a enxameação, mais sensíveis a doenças e produzem menos mel por unidade de tempo. Se você tem pouca experiência ou quer lucrar rapidamente, o ideal é começar com cruzamentos híbridos, que são mais resistentes e adaptados ao clima brasileiro. As abelhas apis mellifera também são mais defensivas do que as africanizadas em certas raças, como a ligustica. Isso pode ser um problema em áreas urbanas ou próximas a vizinhos, pois picadas acontecem com mais facilidade durante a inspeção. Eu recomendo o uso de roupa completa com veu fechado e luvas grossas, além de defumador com lenha seca para acalmar as colônias antes de abrir.

Em regiões de grande altitude, acima de 1200 metros, a temperatura baixa limita severamente a atividade de forrageamento. Nessas condições, a produtividade cai pela metade e o risco de colapso da colônia no inverno aumenta significativamente. Eu não recomendo a manutenção de abelhas apis mellifera nesses locais sem aquecimento suplementar das caixas, o que é inviável economicamente para a maioria dos pequenos criadores.

Fatores que influenciam a longevidade das abelhas apis mellifera

A expectativa de vida de uma operária das abelhas apis mellifera varia entre 40 e 60 dias no verão e até 120 dias no inverno, dependendo da carga de trabalho e da disponibilidade de alimento. Rainhas bem manejadas podem viver entre dois e três anos, mas a produção de mel e a força da colônia começam a cair drasticamente após o segundo ano. Eu troco minhas rainhas anualmente para manter a produtividade alta, o que representa um custo fixo de cerca de 50 reais por colmeia por ano. O estresse térmico é outro fator crítico. Temperaturas acima de 35 graus Celsius dentro da caixa matam a cria em questão de horas. Para evitar isso, eu sombreeio as colmeias com tela de sombreamento preto a 50% e aumento a ventilação interna colocando aberturas extras na parte superior da caixa. Essas adaptações são simples e baratas, mas fazem uma diferença enorme na sobrevivência das colônias durante ondas de calor.

Por fim, a qualidade genética da colônia é o fator mais subestimado por criadores iniciantes. Abelhas apis mellifera com linhagem bem documentada têm taxa de sobrevivência até 30% maior do que descendentes de enxames capturados aleatoriamente. Se você está começando, invista em material genético de procedência conhecida, mesmo que isso signifique pagar um pouco mais no início. O retorno vem em poucos meses com colônias mais fortes e produtivas.