Antiinflamatórios Não Esteróides Exemplos - OS RISCOS DO USO DE ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTERÓIDES PELO PACIENTE ...
OS RISCOS DO USO DE ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTERÓIDES PELO PACIENTE ...

Entendendo os AINEs na prática clínica

AINEs são fármacos que atuam inibindo as enzimas ciclooxigenase, bloqueando a síntese de prostaglandinas. Isso reduce inflamação, dor e febre. A questão é que nem todo mundo responde da mesma forma ao mesmo medicamento, e as diferenças individuais podem ser significativas. O mecanismo de ação envolve basicamente dois isoformas principais: COX-1 e COX-2. A COX-1 é constitutiva, presente em vários tecidos, enquanto a COX-2 é induzida durante processos inflamatórios. Os AINEs mais novos tentam ser seletivos para COX-2 para reduzir efeitos gastrointestinais, mas a realidade clínica mostra que isso não elimina completamente os riscos.

Antiinflamatórios não esteróides exemplos comuns

Vamos aos exemplos práticos que você encontra na prescrição diária: Ibuprofeno - 400mg a 600mg a cada 6-8 horas. Disponível sem receita em muitos países. Ação curta, meia-vida de cerca de 2 horas. Bom para dor leve a moderada e febre.

Diclofenaco - 50mg a 75mg duas ou três vezes ao dia. Mais potente que o ibuprofeno para inflamação musculoesquelética. Disponível em formulações tópicas também, o que reduz a exposição sistêmica. Naproxeno - 250mg a 500mg a cada 12 horas. Meia-vida mais longa que o ibuprofeno, cerca de 12-17 horas. Útil quando se precisa de cobertura analgésica por mais tempo com menos doses.

Celecoxibe - 100mg a 200mg uma ou duas vezes ao dia. Seletivo para COX-2. Menor risco gastrointestinal em comparação com os não seletivos, mas ainda exige cautela em pacientes cardíacos. Ácido acetilsalicílico - Em baixas doses (75-100mg/dia) para antiagregação plaquetária. Em doses maiores, tem efeito anti-inflamatório, mas raramente é primeira escolha por causa do perfil de efeitos adversos.

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Ketorolaco - 10mg a 30mg a cada 4-6 horas, via oral ou injetável. Potente para dor aguda pós-operatória ou cólicas renais. O uso não deve ultrapassar 5 dias devido ao risco renal. Um problema específico que encontrei recentemente: um paciente com artrite reumatoide em uso crônico de diclofenaco desenvolveu edema periférico discreto e elevação da creatinina. Troquei para naproxeno 250mg 2x ao dia com proteção gástrica com omeprazol 20mg. Em duas semanas, a creatinina normalizou. O ponto é que a troca entre AINEs nem sempre é trivial e exige monitoramento.

Outro detalhe que muitos esquecem: a interação entre AINEs e IECA ou BRA. Se o paciente usa enalapril ou losartana para hipertensão, o AINE pode reduzir o efeito anti-hipertensivo e piorar a função renal. Nesses casos, o acompanhamento laboratorial quinzenal nos primeiros meses é recomendável.

Limitações e contraindicações reais

Os AINEs não são isentos de riscos. Contraindicações absolutas incluem insuficiência renal grave, úlcera péptica ativa, sangramento gastrointestinal recente e terceiro trimestre da gestação. relativa: Pacientes com insuficiência cardíaca congestiva podem piorar com retenção hídrica. Doença hepática moderada a grave exige ajuste de dose. Asma com sensibilidade a AINEs (reactividade bronquospasmática desencadeada por esses fármacos) é mais comum do que se imagina, especialmente em pacientes polip nose nasal.

Uma alternativa quando os AINEs falham ou são mal tolerados: analgésicos como paracetamol (ainda que não seja anti-inflamatório) ou, em casos selecionados, corticosteroides sistêmicos por curtos períodos. Para dor neuropática, a classe muda completamente, com gabapentinoides sendo mais apropriados. O risco cardiovascular real com AINEs não seletivos é significativo em uso crônico. Diclofenaco e altos doses de ibuprofeno têm perfil mais desfavorável. Celecoxibe em doses baixas pode ser uma opção para pacientes de risco, mas não isento de preocupação.

Monitoramento básico em uso crônico: hemograma, creatinina, ureia, hemoglobina glicada e função hepática a cada 3 meses. Teste oculto de sangue nas fezes anualmente. Pacientes com mais de 60 anos merecem proteção gástrica com inibidor de bomba de prótons simultaneamente.