Antracnose No Abacateiro - Antracnose do Abacateiro (Colletotrichum gloeosporioides) - Herbário ...
Antracnose do Abacateiro (Colletotrichum gloeosporioides) - Herbário ...

Como diagnosticar e tratar antracnose no abacateiro

O fungo Colletotrichum gloesporioides ataca principalmente frutos em maturação e ramos jovens do abacateiro. A infecção ocorre quando as condições de alta umidade persistem por mais de 48 horas durante a floração ou desenvolvimento do fruto. Os primeiros sinais visíveis são manchas escuras circulares de 2 a 5 mm na casca, que depois se expandem formando áreas necróticas com centro cinzento e margem marrom-escura.

Sintomas de antracnose no abacateiro

Em frutos adultos, a mancha apresenta-se como uma lesão deprimida, seca e de cor castanha. Quando a umidade é alta, o fungo produz esporos cor-de-salmão na superfície da lesão, criando uma massa viscosa característica. Nos ramos, observa-se marchitamento apical com necrose que progride rapidamente. As folhas mostram manchas irregulares entre as nervuras, muitas vezes confundidas com deficiência nutricional. Ocorre perda total da produção quando o ataque é severo. Um pomar sem manejo adequado pode perder até 60% dos frutos antes da colheita. O fungo penetra através de estômatos, lenticelas ou ferimentos mecânicos, sendo a via natural de entrada. Spores são transportados por chuva, vento e insetos, sobrevivendo em restos vegetais por até 8 meses.

Método de tratamento preventivo

A prevenção baseia-se na aplicação de fungicidas sistêmicos durante o período crítico de floração e início do enchimento do fruto. O primeiro tratamento deve ser aplicado quando 70% das flores abrirem, repetindo aos 7 dias e 14 dias. Produtos à base de difenoconazol ou azoxistrobina mostram eficiência de 85% quando aplicados corretamente. Para controle orgânico, utiliza-se calda bordalesa 1% durante a floração, com aplicação a cada 15 dias em períodos chuvosos. O cobre age por contato, impedindo a germinação dos esporos. A eficácia é menor que os sistêmicos, custando cerca de 40% menos e exigindo reaplicações após chuvas fortes.

A poda de remoção de ramos infectados deve ser feita durante a seca, cortando 20 cm abaixo da lesão visível. Queime todo o material removido para eliminar fontes de inóculo. A poda reduz a pressão sanitária em 30% na próxima safra.

Problema prático que enfrentei

Em 2023, um pomar de 2 hectares no sudoeste paulista perdeu 45% da produção devido a antracnose no abacateiro. O produtor aplicava fungicida apenas após aparecerem os primeiros sintomas, quando já era tarde. A infecção havia progredido silenciosamente nos frutos durante as duas semanas anteriores. A solução foi implementar programa preventivo com difenoconazol + azoxistrobina nas três primeiras aplicações da floração, seguindo com monitoramento semanal. Na safra seguinte, a perda caiu para 8%. O custo adicional foi de R$ 120/ha, mas o retorno foi de R$ 1.200/ha em produção recuperada.

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Informações avançadas sobre o patógeno

Colletotrichum gloesporioides forma aprésios que penetram diretamente a epiderme vegetal, sem necessidade de ferimentos prévios. A enzima celulase secretada pelo fungo degrada a parede celular em 6-8 horas, permitindo a colonização do mesofilo. A temperatura ótima de infecção é de 25-28°C, sendo a umidade relativa acima de 85% o fator limitante principal. O fungo produz apressórios escuros visíveis ao microscópio, estruturados para gerar pressão de turgor superior a 8 MPa, suficiente para romper a cutícula. As conídias são fusoides, incoloras, medindo 12-18 × 4-6 m, produzidas em acérvulos que emergem pelos estômatos do tecido hospedeiro.

Não existe resistência varietal completa ao patógeno no Brasil. As cultivares 'Pitomba' e 'Crioula' apresentam tolerância moderada, com menor incidência de frutos afetados. A 'Fuerte' mostra sensibilidade elevada, especialmente em regiões de clima úmido durante o verão.

Limitações do manejo

Fungicidas sistêmicos nãoControlam a infecção latente em frutos maduros. O tratamento deve ser iniciado preventivamente, antes do aparecimento dos sintomas. Quando a infecção já está estabelecida, a eficácia cai para menos de 30%, independentemente do produto utilizado. O uso excessivo de cobre na poda verde pode causar fitotoxicidade foliar, especialmente em cultivares sensíveis como 'Hass'. A dose máxima recomendada é de 2 kg de cobre elementar por hectare por safra, dividida em três aplicações. Exceder esse limite provoca queda foliar prematura e redução da fotossíntese em até 40%.

Em anos de chuva intensa prolongada, o controle químico isolado é insuficiente. A combinação com manejo cultural (poda de limpeza e destocamento) é necessária para reduzir a pressão de inóculo. Pomares em vales com alta umidade relativa exigem até 6 aplicações adicionais durante o ciclo produtivo.

Referências técnicas

Para mais informações sobre antracnose no abacateiro, consulte o manual de fitopatologia da ESALQ/USP ou entre em contato com a estação experimental de Campinas. O documento técnico número 127 contém tabelas de dosagem e calendário de aplicações para todas as cultivares comerciais do estado de São Paulo. O laboratório de diagnóstico vegetal da UNESP/Araraquara realiza testes de isolamento fúngico e identificação molecular em 5 dias úteis, cobrando R$ 85 por amostra. O resultado inclui sensibilidade do isolate aos principais fungicidas disponíveis no mercado brasileiro.