Antracnose No Cajueiro - FRUTAS BRASIL: Doenças do Cajueiro
FRUTAS BRASIL: Doenças do Cajueiro

Identificando e tratando a antracnose no cajueiro

A antracnose no cajueiro é causada principalmente por fungos do gênero Colletotrichum, sendo C. gloeosporioides e C. acutatum os mais relatados. O sintoma mais característico são manchas escuras e úmidas nas folhas, pontas de ramos e, quando avança, nos frutos ainda em formação. Em condições de alta umidade, aparecem pontinhos laranja-avermelhados no centro das lesões — são as coroas de conídios do fungo, algo que confunde bastante iniciante com mancha bacteriana. O manejo começa antes da primavera chuvosa. A poda de limpeza é o primeiro passo, porque o fungo sobrevive em tecido necrosado e nos restos de flores secas que ficam pendurados no rami. Retirar esse material e remover da área reduz drasticamente a carga inocular. Eu já vi pomares onde o produtor faz a poda, mas deixa os galhos secos em leiras dentro do pomar. No final de três meses, a incidência de antracnose dobrou em relação à safra anterior. Fica óbvio quando você passa o raio-X na lógica.

Pragas secundárias e a antracnose no cajueiro

Existe uma interação que poucos consideram: besouros curculionídeos e percevejos que machucam o fruto jovem abrem porta de entrada para o Colletotrichum. O fungo, por si só, tem penetração direta limitada. Quando o inseto faz a ferida, o patógeno entra com facilidade e a mancha se expande rapidamente. Por isso, o monitoramento integrado é importante. Armadilhas cromáticas com feromônio para anthonomus e inspeção visual quinzenal durante a frutificação fazem diferença real na contagem de lesões. Quando chega a hora do tratamento químico, o momento certa importa mais do que o produto. A aplicação deve ser feita no início da floração e repetida a cada 15 a 20 dias durante o período chuvoso, sempre com cobertura nas pontas dos ramos, onde os novos rebrotes são mais vulneráveis. Fungicidas sistêmicos à base de difenoconazol ou piraclostrorina funcionam bem na prevenção. Em surtos ativos, adicione um fungicida de contato como mancozebe ou copper hydroxide para garantir a proteção da superfície foliar. A mistura dos dois modos de ação reduz o risco de resistência.

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Um ponto que muitos erram: pulverizar apenas o copado superior. O fungo entra pelos bordos da folha e desce pelo pecíolo. Se o jato não atingir a parte inferior das folhas e os nós de inserção dos ramos, o tratamento parece eficiente na primeira avaliação, mas a doença retorna em uma semana. Um pulverizador com bicos apropriados e pressão entre 2 e 3 bar garante que o produto chegue onde precisa. Sobre os caldas sulfocálcicas, elas realmente ajudam na poda de inverno, mas não resolvem um surto em andamento. Use antes da brotação como preventivo geral. Para controle já estabelecido, invista em programas curtos e específicos. A eficácia cai quando se aplica produtos em temperaturas acima de 30°C ou sob vento forte — o produto seca na folha antes de penetrar, e a dose efetiva cai para menos da metade do recomendado.

Também vale registrar que variedades mais sensíveis, como a CB 5 e a BM 19, costumam apresentar sintomas mais severos do que a Acauã ou a Parecis, que têm alguma tolerância natural. Se o seu pomar é dessas variedades suscetíveis, o intervalo de aplicação pode precisar ser de 12 em 12 dias durante a chuva forte, e não os 20 dias padrão. Isso encarece o manejo, mas evita perdas de até 40% na produtividade. Quando o ataque atinge o fruto maduro e ele cai antes da colheita, a perda econômica é imediata. Frutos que permanecem na árvore com lesões superficiais muitas vezes ainda são comercializáveis para processamento, mas perdem valor na venda in natura. A seleção pós-colheita separa o que tem mancha profunda do que tem apenas lesão puntiforme, mas isso adiciona custo operacional.

O resumo prático: monitore desde o início da estação das chuvas, mantenha o pomar limpo, faça a química no momento certo com cobertura adequada e acompanhe a suscetibilidade da sua variedade. Antracnose no cajueiro não desaparece sozinha, mas com manejo correto o dano fica dentro de limites que permitem rentabilidade.