Aquífero Alter Do Chao - Aquífero Alter do Chão
Aquífero Alter do Chão

Guia Prático do Aquífero do Alter do Chão

O aquífero do Alter do Chão é um sistema aquífero confinado localizado no distrito de Portalegre, na região do Alentejo Central. Trava-se de um aquífero freático-artesiano que faz parte do complexo aquífero do Tejo-Sado, com origem principal em formações calcárias e dolomíticas do Jurássico. A profundidade média dos poços exploratórios situa-se entre os 80 e os 200 metros, dependendo da zona de captação.

Como obter informações oficiais sobre o aquífero alter do chao

A fonte primária de dados é a APA (Agência Portuguesa do Ambiente), que mantém o Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH). Lá é possível aceder aos relatórios hidrogeológicos, mapas de susceptibilidade e dados de nível piezométrico atualizados periodicamente. O relatório mais recente que consultei sobre a qualidade da água foi publicado em 2022, indicando níveis estáveis de nitratos, embora pontos próximos a áreas agrícolas intensivas mostrem tendências de subida preocupantes. Também existe o plano de gestão de risco de inundação e secas, onde o aquífero do Alter do Chão aparece como uma reserva estratégica para épocas de estiagem. Não é um aquífero de grande capacidade de recarga natural — as taxas de reposição variam entre 150 e 300 mm/ano, fortemente dependente da precipitação invernal. Isto significa que em anos secos como 2022 e 2023, os níveis piezométricos desceram significativamente em vários pontos da rede de monitorização.

Pontos críticos na exploração prática

Tendo trabalhado com perfurações e gestão de captações nesta zona, aqui ficam os detalhes que raramente aparecem nos documentos oficiais. O primeiro problema que encontrei pessoalmente foi a variabilidade extrema da produtividade entre poços vizinhos. Dois furos abertos a menos de 500 metros de distância podiam ter caudais radicalmente diferentes — um a 2 litros por segundo e outro a 8 litros por segundo. A razão é a presença de fractures kársticas no substrato calcário que criam condutividades hidráulicas muito heterogéneas. Se estiver a planejar uma captação, o estudo geofísico prévio (tomografia de resistividade elétrica) é praticamente obrigatório. Furo cego sem estudo geofísico custa entre 4 mil e 8 mil euros e tem uma taxa de fracasso de cerca de 30% nesta zona.

O segundo ponto é a qualidade da água em termos de dureza. As águas deste aquífero são tipicamente duras, com dureza total entre 45 e 65°F (aproximadamente 450 a 650 mg/L de CaCO3). Isto não é um problema para consumo humano, mas para irrigação com goteiro pode causar entupimentos severos se não instalar filtros adequados. Um colega meu instalou um sistema de gotejamento em uma exploração perto de Fronteira sem pré-tratamento. Em 18 meses, tinha 40% dos emissores obstruídos e gastei mais em manutenção do que no próprio sistema de filtragem. A solução foi instalar um filtro de anillado de 120 micras antes da zona de pressão e fazer lavagens quinzenais do filtro de rede.

Informação sobre qualidade da água

Os parâmetros analíticos recorrentes neste aquífero incluem: PH: Entre 7,2 e 8,1 — ligeiramente alcalino, normal para aquíferos carbonatados.

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Condutividade elétrica: 500 a 900 µS/cm, podendo atingir 1.100 µS/cm em zonas de menor recarga. Nitratos: Média de 15 mg/L, mas com valores pontuais superiores a 40 mg/L próximo de áreas de regadio intensivo. O limite legal para água potável é 50 mg/L (Diretiva 98/83/CE), e o SNIRH já registou exceções em épocas de seca.

Fluoretos: Valores típicos entre 0,8 e 1,5 mg/L, dentro dos limites mas próximos da margem superior. Sulfatos: Entre 20 e 60 mg/L, normalmente inofensivos.

Cloreto: 10 a 30 mg/L, sem sinais de intrusão salina significativa.

Alternativas e limitações conhecidas

O principal limite deste aquífero é a capacidade de produção. Não é um aquífero de grande volume como os aluviões do Tejo. Para grandes explorações agrícolas com demandas superiores a 10 litros por segundo sustentados, o aquífero do Alter do Chão não é adequado. Nesses casos, as alternativas são a captação em aquíferos aluvionares do Rio Alentejo (mais a sul, perto de Elvas) ou o recurso a barragens para armazenamento superficial. Outra limitação importante é a lentidão na recuperação dos níveis piezométricos após períodos de seca. O aquífero tem um tempo de residência elevado devido à sua natureza confinada. Isto significa que o sobre-exploração tem consequências que se prolongam por vários anos, mesmo que a precipitação retome aos valores normais.

Para obter os dados atualizados de forma gratuita, o site é diretamente no portal do SNIRH. Basta procurar por "Alter do Chão" nos parâmetros de pesquisa de aquíferos, onde existem fichas técnicas individuais por cada domínio hidrográfico com séries temporais de níveis e qualidade.