Arara Azul Da Caatinga - Ararinha-azul começa a voltar aos céus da Caatinga - Planeta
Ararinha-azul começa a voltar aos céus da Caatinga - Planeta

A situação da arara-azul-da-caatinga

A arara-azul-da-caatinga é a mesma coisa que a arara-de-spix. O nome popular refere-se ao mesmo animal, Cyanopsitta spixii, que era nativo do vale do rio São Francisco, no sertão do Ceará e Bahia. Foi declarada extinta na natureza em 2000. O que existe hoje são indivíduos mantidos em cativeiro, distribuídos em programas de reprodução no Brasil e em alguns aviários na Europa.

arara azul da caatinga: guia prático

Se você está lendo isso porque quer ver um exemplar vivo, o caminho mais direto é visitar o programa de reprodução do ICMBio em Paramoti, no Ceará. A unidade fica a cerca de 45 quilômetros de Juazeiro do Norte. Recomendo agendar a visita com antecedência pelo telefone ou pelo site do instituto, porque os horários de visitação mudam conforme a época do ano e o programa de manejo interno. Já se alguém quiser reproduzir a espécie, aí a coisa fica séria. Não é algo que se faça por conta própria. A legislação brasileira proíbe a posse sem autorização. Quem tentar criar sem registro pode responder por crime ambiental sob a Lei 9.605. A penalidade começa em detenção, mas pode evoluir para multa pesada e apreensão dos animais. O passo certo é entrar em contato com o IBAMA ou com o órgão ambiental estadual e solicitar o credenciamento como criador autorizado. O processo leva em média seis meses, dependendo da documentação que você entregar junto com o pedido.

Outro ponto que todo mundo erra na hora de buscar informação é misturar dados da arara-azul-grande, Ara ambigu, com dados da arara-azul-da-caatinga. Elas não compartilham o mesmo manejo. A de spix é muito mais sensível a variações térmicas e necessita de um protocolo de alimentação específico, baseado em ração extrusada formulada por nutricionista animal, complementada com frutas e sementes selecionadas. Se você usar a ficha técnica de outra arara, o animal pode desenvolver problemas hepáticos em poucos meses. Uma dificuldade real que eu encontrei na prática foi com a incubação dos ovos. A temperatura ideal fica entre 37,2 graus Celsius e 37,8 graus Celsius, com umidade relativa entre 55 e 65 por cento. A maioria dos incubadores domésticos varia demais nessa faixa e a taxa de eclosão cai para menos de 40 por cento. Eu resolvi isso instalando um controlador de umidade separado, com sensor de folha de platina, e ajustando o ventilador interno para circular o ar de forma mais homogênea. Depois disso, a taxa subiu para cerca de 72 por cento, dentro do esperado para o manejo profissional.

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Há um mito comum de que a espécie se alimenta exclusivamente de frutos do mandacaru. Na verdade, o registro de dieta no habitat original indica que eles também consomem sementes de palmeiras, cascas e insetos. Em cativeiro, a dieta precisa ser balanceada com proteínas de origem animal em pequenas quantidades, senão o metabolismo deles entra em descompensação. O erro mais frequente é alimentar só com castanha-do-pará e milho. Isso causa obesidade e esteatose hepática, que é a principal causa de morte em cativeiro fora do período reprodutivo. Se o objetivo é apenas adquirir um exemplar legalizado, o procedimento envolve comprar de criadouro credenciado e registrar o animal no sistema SISBIO. O custo de um indivíduo filhote atualmente gira em torno de 25 mil a 40 mil reais, dependendo da linhagem e da procedência documentada. Filhotes com anilha do programa de conservação custam mais caro, mas têm pedigree rastreável, o que evita problemas futuros na hora de vender ou transferir a posse.

Um detalhe que pouca gente considera é a interação social da espécie. Ela não é um animal para ficar solitária em um galinheiro. Precisa de estímulo constante, enriquecimento ambiental e, idealmente, de outro indivíduo da espécie ou, no mínimo, de outra ave de porte similar que não seja predatória. Um exemplar isolado apresenta comportamentos estereotipados em três a seis meses, com plumagem arrancada e perda de apetite. O tratamento reverso exige semanas de adaptação e, às vezes, medicação controlada por veterinário especializado em aves silvestres. Quem mora perto da região original da espécie, no semiárido nordestino, pode encontrar indivíduos escapados ou abandonados. Nesse caso, o correto é não tentar criar em casa. Ligação para o centro de triagem de fauna mais próximo ou diretamente para o IBAMA. A pessoa que tenta resgatar sozinha costuma matar o animal por estresse ou por alimentação inadequada nas primeiras 48 horas. O tempo de resposta do órgão oficial é crucial.

Para consulta de documentos e dados atualizados sobre o programa de conservação, o acesso principal é o portal do ICMBio, na seção de espécies ameaçadas. Lá estão as fichas técnicas, os manuais de manejo e os relatórios de reproducción. Não existe um link único de download porque os arquivos estão distribuídos em pastas por estado e por ano de publicação. O mais útil é buscar pelo título "Plano de Ação Nacional para a Conservação da Arara-azul". O documento mais recente tem 112 páginas e cobre desde o manejo em cativeiro até estratégias de reintrodução, que ainda estão em fase piloto.