Concordância verbal e nominal: o que realmente importa na prática
Concordância é um dos temas que mais gera erro em avaliações, concursos e redações. O problema não é a regra em si, mas a forma como ela é cobrada. A maioria dos exercícios pede para marcar a alternativa certa ou completar lacunas, e isso acaba virando memorização de frases soltas. Eu já vi gente decorar regras por décadas e ainda errar na hora da prova porque a questão usava uma estrutura que fugia do padrão. O que funciona de verdade é entender o mecanismo antes de resolver a atividade de concordancia verbal e nominal. Vou explicar pela base, mas com os pontos que os materiais didáticos normalmente pulam.
Como abordar a atividade de concordancia verbal e nominal
A abordagem prática é esta: antes de tudo, identifique o sujeito. Não o sujeito lógico ou o que parece ser o sujeito, o sujeito gramatical. Pegue o verbo e pergunte "quem?". A resposta é o sujeito. Feito isso, você já resolveu cerca de sessenta por cento dos casos de concordância verbal que caem em provas. O erro mais comum começa aqui. As bancas adoram colocar o verbo antes do sujeito, invertendo a ordem direta. "Houveram muitos problemas" — essa construção está errada porque o sujeito é "muitos problemas" e o verbo haver, no sentido de existir, é impessoal. Fica no singular: "Houve muitos problemas". Eu já perdi tempo corrigindo redação de aluno que escreveu "existiram diversas razões" quando o correto seria "houve diversas razões", porque existem e haver são verbos diferentes com comportamentos distintos quando indicam existência.
Para concordância nominal, o processo é diferente. O adjunto adnominal concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere. O predicativo do sujeito concorda com o sujeito. Os adjetivos pospostos concordam em número e gênero. Mas a armadilha está nos casos de concordância facultativa e nas locuções adjetivas.
Um caso específico que todo mundo erra
Eu me deparei recentemente com um exercício que pedia a correção da frase "A é proibida a entrada de estranhos". Diversos materiais didáticos indicam que o correto seria "A entrada de estranhos é proibida" mantendo a concordância com "entrada". Mas há uma nuance importante aqui: quando se usa a estrutura de tópico frontado com "a" articles, a concordância pode variar conforme a norma culta e o contexto. Em contextos formais escritos, a concordância com o núcleo "entrada" (feminino singular) é preferível. Eu costumo ensinar meus alunos a verificar se o termo antes do verbo é realmente o sujeito ou apenas um complemento deslocado para início de frase. Outro ponto que gera confusão constante: "mais de um" versus "mais de dois". A frase "Mais de um aluno faltou à prova" está correta porque o numeral "mais de um" indica reciprocidade ou ação individual. Já "Mais de dois alunos faltaram" exige o plural porque se refere a múltiplos indivíduos. A banca pode tentar confundir dizendo que "mais de um" sempre pede plural, mas isso não é verdade. Depende do que se quer comunicar.
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O que os exercícios realmente testam
Não teste apenas conhecimento de regra. Teste compreensão estrutural. Quando você monta uma atividade de concordancia verbal e nominal, inclua frases com inversão, frases com sujeito composto anteposto ao verbo, frases com sujeito composto posposto, frases com "é proibido", "é necessário", "basta", "faltam", "restam", e construções com partícula apassivadora. Os verbos que mais causam erro são: haver (impessoal), existir (pessoal quando não indica existência), fazer (indicando tempo), ser (com predicativo adjetival), e o verbo "consistir" que não admite complementos diretos sem preposição. Eu vi aluno achar que "consiste os problemas" estava correto quando o certo era "consistem nos problemas". Isso não é concordância no sentido tradicional — é regência verbal. Mas as bancas juntam tudo numa mesma questão.
Limitações e o que não funciona
Fazer muitas atividades de concordância sem revisar a teoria não adianta. Você pode errar vinte exercícios seguidos e ainda não aprender nada se não entender por quê errou. A correção precisa ser ativa, não passiva. Ao invés de apenas conferir o gabarito, reescreva a frase corrigida e analise a estrutura. Também não existe atalho para decorar todas as exceções. "Segundo os especialistas, é proibido entrada de estranhos" — aqui "segundo os especialistas" é vocativo, não sujeito. Muitos alunos identificam erroneamente e concordam o verbo com "especialistas". O sujeito real é "entrada" e a concordância deve ser com ele: "é proibida a entrada".
Se você quer exercícios práticos, procure em sites de bancas como FGV, CESPE, VUNESP e FCC. As questões deles refletem melhor a complexidade real do que livros didáticos genéricos. Baixe provas anteriores e faça sob condições de tempo. Isso dá mais confiança do que qualquer resumo.
Resumo prático para estudar
1. Identifique o sujeito. 2. Verifique se o verbo é impessoal. 3. Cheque a regência quando houver preposição obrigatória. 4. Atenção aos adjetivos pospostos e à concordância facultativa. 5. Reescreva as frases erradas. Isso leva tempo mas economiza horas de estudo inútil no longo prazo. A concordância verbal e nominal é simplesmente a relação entre o núcleo do sujeito e o verbo, ou entre o substantivo e seus modificadores. Quando você para de tratar como conjunto de regras a decorar e passa a tratar como análise estrutural, os erros diminuem drasticamente.