Atividade Sobre Cordel 4 Ano - Sequência Cordel 4° ano – Naiara Materiais Pedagógicos
Sequência Cordel 4° ano – Naiara Materiais Pedagógicos

Atividade sobre cordel para o quarto ano: como fazer funcionar na prática

Achei que fosse simples pedir pra crianças escreverem um texto em versos sobre o sertão nordestino e pronto. Na minha primeira vez, os alunos do quarto ano ficaram travados com a rima e acabaram desistindo depois de três linhas. Eles achavam que precisavam rimar no final de cada verso obrigatoriamente, e quando não conseguiam, simplesmente paravam. Achei melhor montar uma atividade mais estruturada e com mais apoio visual. O cordel é uma tradição literária popular do Nordeste do Brasil, escrita em versos que geralmente rimam entre si. No quarto ano, o foco não é transformar os alunos em poetas, mas mostrar que a palavra pode ter ritmo, música e sentido prático. A literatura de cordel nasceu nas feiras e mercados, e era vendida pregada em cordões — daí o nome. É um gênero acessível e cheio de humor, o que ajuda bastante com crianças nessa idade.

Como aplicar a atividade sobre cordel 4 ano passo a passo

Comece com uma leitura compartilhada. Escolha um folheto curto ou trechos de autores conhecidos como Leandro Gomes de Barros ou Patativa do Assaré. Leia em voz alta varias vezes, batendo palmas no ritmo dos versos. As crianças dessa idade precisam sentir o pulsar da poesia antes de produzir a própria. Use um trecho bem curado com rimas fáceis e tema do cotidiano delas, mesmo que adaptado. Depois da leitura, faça uma análise coletiva do que perceberam. Onde estão as rimas? Quantas sílabas tem cada verso? Qual é a história contada? Anote as descobertas no quadro. É importante destacar que nem todo cordel precisa de esquema de rimas fixo — tem os que usam o esquema AABB, outros ABAB, e tem os que preferem a redondilha maior com seis ou sete sílabas poéticas. Mostre exemplos diferentes para os alunos entenderem que existe variedade.

Para a produção, sugiro dividir em etapas curtas. Primeiro, pedir que escolham um tema do universo deles: a escola, um animal, uma brincadeira, a família. Depois, escreverem ideias soltas em tópicos. Em seguida, montar versos de quatro a oito sílabas com rimas simples. Aí sim, revisar coletivamente. Fiz essa divisão porque uma vez em que tentei pedir o trabalho inteiro de uma vez, metade da turma entregou prosa disfarçada em versos ruins e a outra metade não entregou nada. No meu caso, usei uma planilha simples de palavras rimáveis no quadro para ajudar. Colocava uma palavra-chave e os alunos iam completando com outras que rimassem. Isso reduziu bastante a ansiedade da produção e acelerou o processo. O que costumava levar duas aulas inteiras passou a caber em uma aula bem dada.

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Uma observação prática: evite pedir rimas perfeitas desde o início. Rimas pobres e consoantes são perfeitamente aceitáveis nessa fase, e cobrar perfeição só trava a escrita. Deixe a revisão e o refinamento para depois, quando os versos já estiverem escritos.

O que esperar e onde o método pode falhar

A principal limitação dessa atividade é que nem todas as turmas têm acesso a acervos ou folhetos de cordel. Escolas urbanas, especialmente fora do Nordeste, muitas vezes nunca viram um folheto de verdade. Nesse caso, use reproduções digitais, vídeos de apresentações orais e exemplos de cordelistas contemporâneos. A experiência de ouvir o verso recitado faz uma diferença enorme na compreensão rítmica. Também é comum que crianças que ainda estão consolidando a alfabetização tengan dificuldade com a criação poética. Nesse cenário, a atividade deve ser adaptada com apoio de pares ou com produção coletiva no quadro, sem cobrar autonomia completa. Forçar a independência nesse momento gera frustração e distancia o aluno do gênero, que por si só já é desafiador.

Se o objetivo for apenas cumprir o currículo sem aprofundamento, uma atividade pronta pode servir. Mas se quiser que os alunos realmente compreendam o cordel como forma de expressão cultural, o acompanhamento professoral faz toda a diferença nos resultados. O trabalho completo costuma levar entre duas a três aulas, dependendo do ritmo da turma.