O que é o Setembro Amarelo e por que trazer para a sala de aula?
O Setembro Amarelo é uma campanha de prevenção ao suicídio criada em 2015 no Brasil pelo CVV (Centro de Valorização da Vida) em parceria com o SBT e a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria). O amarelo foi escolhido como cor símbolo porque representa o sol, a luz, o carinho e a esperança. Desde 2019, a campanha foi incluída oficialmente no calendário nacional de saúde pública pelo Ministério da Saúde. Nas escolas, o tema se enquadra na educação emocional e na promoção da saúde mental de crianças e adolescentes. Os números mostram que o suicídio é uma das principais causas de morte entre jovens de 15 a 29 anos no país. A escola é um dos espaços onde os primeiros sinais de sofrimento psíquico podem ser identificados, por isso a importância de trabalhar a temática desde os anos iniciais do ensino fundamental.
Cabe ao professor mediar conversas adequadas à faixa etária, sem dramatização, mas com transparência. Não se trata de assustar as crianças, mas de normalizar o diálogo sobre sentimentos, criar vínculos e ensinar que pedir ajuda é um ato de coragem, não de fraqueza. O foco deve estar na acolhida, no escutar e na orientação para os canais de apoio disponíveis, como o CVV (ligação 188).
Atividades setembro amarelo ensino fundamental
Seguem ideias práticas testadas em salas de 3º ao 5º ano, organizadas por faixa etária e duração. Cada atividade leva entre 40 e 50 minutos, pode ser adaptada para sessões mais longas ou encurtadas conforme a realidade da turma. O material necessário é simples: folhas de papel, canetas coloridas, cola, tesoura sem ponta e, quando possível, imagens ou trechos de histórias infantis que tratem de emoções.
Atividade 1 – Árvore das Emoções (2º e 3º ano)
Material: desenho de uma árvore sem folhas em uma cartolina A3, folhas de papel verde e amarelo recortadas em formato de folha, canetinhas. Desenvolvimento: peça que cada criança escreva ou desenhe uma emoção que sentiu naquela semana em uma folha verde e outra amarela. Pedimos então que colem as folhas na árvore. O verde representa emoções positivas (alegria, gratidão, carinho), enquanto o amarelo representa emoções desafiadoras (tristeza, raiva, medo). A árvore ganha forma aos poucos, mostrando que todas as emoções fazem parte do nosso interior.
Discussão em roda: após a colagem, pergunte que emoções apareceram com mais frequência. Esclareça que nenhuma emoção é errada, mas que algumas pedem mais cuidado e apoio. Leve o foco para o canal 188 (CVV) e para os adultos de confiança da escola. O tempo estimado é de 45 minutos, mas a atividade pode ser estendida para dois dias letivos, permitindo que as crianças reflitam e conversem sobre o tema em casa com a família. Adaptação para turma com muitas crianças tímidas: em vez de escrever, peça que selecionem desenhos prontos de cartas de emoções impressas. Isso reduz a pressão e permite a participação de crianças com dificuldade de expressão escrita. Use o material já disponível na escola, como livros de histórias infantis que tratem de sentimentos, para contextualizar a atividade.
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Atividade 2 – Cartilha "Me Sentir Bem" (4º e 5º ano)
Material: folhas A4 recicladas, grampeador, canetas, colas, tesouras sem ponta, imagens de situações do cotidiano infantil. Desenvolvimento: produza uma cartilha pequena com seis páginas dobradas, contendo dicas práticas de autocuidado emocional para crianças. A primeira página explica o que é Setembro Amarelo de forma simples. As páginas seguintes trazem: "Quando eu me sentir triste, posso fazer X", "Quando eu me sentir com raiva, posso fazer Y", "Quando eu precisar de ajuda, posso procurar Z". A última página contém o número 188 (CVV) e os telefones de apoio da escola.
Discussão em grupos pequenos: após a produção da cartilha, peça que cada criança complete com uma situação em que ela já precisou de ajuda e como resolveu. Esclareça que nenhuma emoção é errada, mas que algumas pedem mais cuidado e apoio. Leve o foco para o canal 188 (CVV) e para os adultos de confiança da escola. O tempo estimado é de 50 minutos, mas a atividade pode ser estendida para dois dias letivos, permitindo que as crianças reflitam e conversem sobre o tema em casa com a família. Adaptação para turma com muitas crianças tímidas: em vez de escrever, peça que selecionem desenhos prontos de cartas de emoções impressas. Isso reduz a pressão e permite a participação de crianças com dificuldade de expressão escrita. Use o material já disponível na escola, como livros de histórias infantis que tratem de sentimentos, para contextualizar a atividade.
Atividade 3 – Teatro das Emoções (3º ao 5º ano)
Material: roupas do cotidiano infantil, fantasias simples, adereços caseiros, roteiro impresso. Desenvolvimento: produza uma peça pequena de teatro baseada em histórias infantis que tratem de emoções. A primeira cena mostra uma criança se sentindo triste porque seu animal de estimação morreu. A segunda cena mostra a mesma criança sendo acolhida por um amigo. A terceira cena mostra a criança aprendendo que pedir ajuda é um ato de coragem, não de fraqueza. O tempo estimado é de 60 minutos, mas a atividade pode ser estendida para três dias letivos, permitindo que as crianças ensaiem e interpretem a peça.
Discussão em roda: após a apresentação da peça, peça que cada criança complete com uma situação em que ela já precisou de ajuda e como resolveu. Esclareça que nenhuma emoção é errada, mas que algumas pedem mais cuidado e apoio. Leve o foco para o canal 188 (CVV) e para os adultos de confiança da escola. O tempo estimado é de 50 minutos, mas a atividade pode ser estendida para dois dias letivos, permitindo que as crianças reflitam e conversem sobre o tema em casa com a família. Adaptação para turma com muitas crianças tímidas: em vez de escrever, peça que selecionem desenhos prontos de cartas de emoções impressas. Isso reduz a pressão e permite a participação de crianças com dificuldade de expressão escrita. Use o material já disponível na escola, como livros de histórias infantis que tratem de sentimentos, para contextualizar a atividade.
Cuidados e limitações importantes
É fundamental evitar dramatizações que possam assustar as crianças ou tornar o tema tabu. O foco deve estar na acolhida, no escutar e na orientação para os canais de apoio disponíveis. Se uma criança demonstrar sinais de sofrimento psíquico, encaminhe-a imediatamente para a equipe pedagógica e para a família. Não tente fazer psicoterapia ou aconselhamento profissional sem formação adequada. Outro cuidado importante é evitar generalizações como "todo mundo passa por isso" ou "não vale a pena se preocupar". Essas frases invalidam o sentimento da criança e podem afastá-la de buscar ajuda. Use linguagem acolhedora, direta e sem julgamentos. Mencione o número 188 (CVV) e os telefones de apoio da escola de forma natural, sem sensacionalismo.
Se o tema for muito sensível para a turma, considere trabalhar apenas a educação emocional de forma geral, sem entrar especificamente na prevenção ao suicídio. A abordagem deve ser adequada à faixa etária e ao contexto cultural da comunidade escolar. Consulte a equipe pedagógica e a coordenação para definir a melhor estratégia, considerando a realidade local e as necessidades específicas dos estudantes. Para finalizar, deixe claro que a escola não é responsável por fazer diagnóstico ou tratamento de transtornos mentais. O papel do professor é identificar sinais, acolher, orientar e encaminhar para os profissionais competentes. O número 188 (CVV) está disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, e pode ser acessado de qualquer telefone fixo ou celular no Brasil, gratuitamente.