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Funções da Linguagem: O Que Realmente Aprender

Atividades sobre Funções da Linguagem

O modelo de Roman Jakobson divide a comunicação em seis funções, cada uma ligada a um dos elementos do ato comunicativo. Na prática, um texto raramente emprega apenas uma função. Mas para fins didáticos e de avaliação, as atividades pedem que você identifique a função predominante. É importante saber fazer isso, porque as provas e os exercícios exigem clareza nesse tipo de análise. A função referencial ou informativa coloca o foco no contexto. Ela transmite dados factuais, explicações, notícias. O remetente busca neutralidade. Uma aula expositiva, um manual, um relatório são exemplos típicos. A função emotiva ou expressiva volta-se para o eu-língua. O que importa é o sentimento do falante. Poesia lírica, diários, desabafos entram aqui. A função conativa direciona-se ao destinatário. O objetivo é influenciar, persuadir, comandar. Chamados publicitários, discursos políticos, ordens militares seguem essa lógica. A função fática testa o canal ou mantém a interação aberta. "Alô?", "Você está me ouvindo?", "Então...", "Hum..." são marcadores fáticos. A função poética privilegia a mensagem em si mesma. A forma importa tanto quanto o conteúdo. Ritmo, sonoridade, trocadilhos, neologismos trabalham aqui. E a função metalinguística usa a língua para falar da própria língua. Dicionários, gramáticas, legendas com notas explicativas funcionam assim. Eu costumo recomendar um exercício bem simples para fixar o conteúdo antes de partir para questões mais complexas. Peça para o estudante reunir dez trechos curtos de diferentes gêneros textuais e classificar cada um. O trabalho leva cerca de vinte minutos e mostra na prática como uma única charge ou tirinha pode conter conativa, fática e metalinguística ao mesmo tempo. Esse foi um problema que eu encontrei repeatedly com alunos: eles tentavam escolher uma única função quando o material claramente misturava duas ou três. A solução que eu adotei foi instruir para identificar a função predominante e anotar as secundárias. A resposta errada quase sempre vinha da tentativa de forçar uma classificação única.

Exercícios Práticos com Gabarito Comentado

Exercício 1. Identifique a função predominante nos trechos abaixo: I. "O presidente anunciou novas medidas econômicas nesta manhã."

II. "Nem tudo, gineta, vai ser ginástica de gentileza." III. "Feche a porta. Não deixe o ar condicionado escapar."

IV. "Como assim você não entendeu o que eu quis dizer com 'substantivo abstrato'?" V. "Oi, João? Tá aí? Segura essa linha que eu vou falar rapidinho."

Gabarito: I – referencial; II – poética (com jogo sonoro e rima interna); III – conativa; IV – metalinguística; V – fática. Exercício 2. Assinale a alternativa em que a função identificada está INCORRETA:

a) "Por favor, envie os documentos até sexta-feira." – conativa. b) "A fotossíntese é o processo pelo qual as plantas convertem luz solar em energia química." – referencial.

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c) "Ah, então é por isso que o verbo precisa concordar com o sujeito." – poética. d) "Meu Deus, eu não aguento mais essa fila!" – emotiva.

Gabarito: A alternativa C está incorreta. A função é metalinguística, não poética. O trecho usa a língua para explicar um conceito linguístico, sem preocupação estética com a forma da mensagem. Exercício 3. Leia o trecho abaixo e responda:

"Querido leitor, se você está se perguntando por que este artigo começou com uma pergunta retórica, a resposta é simples: para prendê-lo desde o início. E prenda-se, porque o que vem a seguir vai mudar sua visão sobre pontuação." Quais funções da linguagem estão presentes, respectivamente?

a) Fática, conativa e emotiva. b) Metalinguística, conativa e fática.

c) Poética, referencial e emotiva. d) Referencial, fática e metalinguística.

Gabarito: A alternativa B. "Se você está se perguntando..." é metalinguística (fala sobre o próprio texto). "Prenda-se" é conativa. E o travessão com explicação funcional mantém o canal aberto, funcionando como elemento fático.

Pegadinhas Comuns nas Provas

Uma armadilha recorrente é confundir função conativa com função emotiva. Quando alguém diz "Você é um idiota!", muitos marcam emotiva por causa da carga emocional. Mas se o objetivo é atacar o interlocutor diretamente, a função é conativa. O foco está no destinatário, não na expressão do sentimento do remetente. A distinção é fina mas essencial. Outra pegadinha clássica envolve a função poética. Ela não se resume a textos literários. Um slogan publicitário como "Muito mais do que um nome" (Campanha Bradesco) trabalha a função poética pela estruturação sonora e semântica da mensagem. O contrário também vale: um poema pode ter função predominantemente emotiva, não necessariamente poética, dependendo do grau de elaboração formal do código. Ainda há a questão da função fática, que muitos alunos ignoram por parecer trivial. Mas textos formais também usam marcadores fáticos discretos: conectivos como "visto que", "como já dito", "conforme mencionado" servem para manter a coerência textual e o diálogo com o leitor. Identificar isso em questões de vestibular pode fazer diferença na pontuação.

Como Resolver Questões de Vestibular e Concursos

A estratégia que funciona melhor é ler o trecho completo antes de qualquer marcação. Muitas bancas colocam fragmentos isolados propositalmente ambíguos. Só o contexto permite decidir entre referencial e conativa, por exemplo. Em questões que apresentam charge ou tirinha, observe a fala dos personagens, a disposição dos balões e a legenda. Cada elemento carrega funções diferentes. Um personagem pode usar função conativa ao dar uma ordem, enquanto o narrador usa função referencial ao descrever a cena. Quando a banca pede a função predominante, procure o elemento comunicativo mais destacado. Se o destinatário é o centro da mensagem, é conativa. Se o código é o tema, é metalinguística. Se a realidade descrita prevalece, é referencial. Se a forma poética sobressai, é poética. Se o canal é testado ou mantido, é fática. Se o que importa é a expressão do eu, é emotiva. Eu costumo recomendar que os estudantes pratiquem com provas anteriores do Enem, do vestibular da Fuvest e de concursos públicos como o Bacen e a Receita Federal. Os bancos mais tradicionais têm padrão consistente, o que ajuda a calibrar o olhar analítico. Levar cerca de trinta a quarenta minutos por sessão de prática já mostra melhoria significativa em duas ou três semanas.