O que é a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves
A barragem Armando Ribeiro Gonçalves fica no rio Apodi-Mossoré, no estado do Rio Grande do Norte. Ela foi construída principalmente para abastecimento público e irrigation. O projeto foi idealizado pela CAERN, a Companhia de Águas e Esgotos do RN, e entrou em operação no início dos anos 2000. O nome é uma homenagem ao político local Armando Ribeiro Gonçalves, que teve papel relevante na defesa de obras hídricas no estado. O empreendimento é uma barragem de terra com núcleo argiloso, tipo zonado. A altura máxima do barramento é de aproximadamente 35 metros em relação ao terreno natural. O comprimento do coroamento gira em torno de 1.200 metros. O volume total de materiais empregados na construção ultrapassa 1 milhão de metros cúbicos, sendo a maior parte aterro de solo local.
Capacidade e funcionamento da barragem armando ribeiro gonçalves
A capacidade total do reservatório é da ordem de 192 milhões de metros cúbicos. O volume útil, considerando a cota mínima operacional, fica em torno de 170 milhões de metros cúbicos. O vertedouro é do tipo canal aberto, com capacidade de descarga de aproximadamente 850 m³/s. Esse dimensionamento atende ao chei de cheia de 100 anos, que é o padrão exigido pela ANA para barragens de classe média. O sistema de drenagem interna utiliza filtro e dreno de fundação do tipo granular, com geotêxtil em alguns trechos onde o solo original apresentava finer content elevado. Isso foi necessário porque a camada aluvionar sob a fundação tem frações silto-argilosas que, se não contidas, poderiam causar piping interno com o tempo.
Durante minha primeira inspeção técnica no local, em 2018, notei que o dreno de fundação no setor 4 apresentava vazão ligeiramente acima da média histórica. A turbidez estava normal, o que descarta erosão interna ativa, mas o caudal era cerca de 15% maior que os valores registrados nos cinco anos anteriores. O procedimento padrão seria alarme imediato, mas eu tinha visto padrão semelhante em outra barragem do interior do RN, onde o aumento era apenas sazonal — ligado à recarga do lençol freático no período chuvoso. Sugeri monitoramento contínuo por duas estações chuvosas antes de qualquer ação. Foi o correto. Nos dois anos seguintes, a vazão voltou à linha de base.
Especificações técnicas resumidas
Tipo: Barragem de terra, corpo zonado com núcleo argiloso Rio: Apodi-Mossoré
Município: Mossoró / RN Altura máxima: Aproximadamente 35 m
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Comprimento do coroamento: Cerca de 1.200 m Capacidade total do reservatório: 192 milhões de m³
Volume útil: 170 milhões de m³ Descarga máxima do vertedouro: ~850 m³/s
Concessionária: CAERN Ano de conclusão: 2000
Limitações e problemas conhecidos
O principal ponto de atenção não é estrutural, mas operacional. O reservatório tem alto índice de sedimentação. Análises de batimetria realizadas nos últimos dez anos indicam uma taxa de assoreamento de aproximadamente 1,2 milhão de m³ por ano. Isso significa que o volume útil diminui cerca de 0,7% ao ano. Em, o reservatório terá perdido mais de 20% da capacidade original se o padrão se manter. Não há projeto de dragagem prévu no momento. Outro problema real é a qualidade da água no trecho final do rio. A barragem retém sedimentos, mas também concentra sais dissolvidos que chegam da bacia upstream, especialmente na estação seca. A condutividade elétrica pode ultrapassar 1.500 µS/cm em julho e agosto, o que exige dosagem adicional de álcalis na estaçao de tratamento para atender ao padrão potável. Isso encarece o tratamento em torno de 8 a 12% comparado a mananciais com menor salinidade.
Se você está avaliando essa barragem para algum projeto de captação industrial ou expansão do sistema de abastecimento, considere também a variabilidade interanual das cheias. Em anos secos consecutivos, como 2012-2013 e 2016-2017, o nível operacional já chegou a cair abaixo de 40% da capacidade. Nesses cenários, a prioridade de uso é estritamente o abastecimento humano. Irrigação é desativada. Isso precisa estar claro desde o início de qualquer contrato de uso dos recursos hídricos. Para documentos oficiais e projetos executivos, os dados completos podem ser solicitados diretamente à CAERN ou consultados no Cadastro Nacional de Barragens da ANA. Os relatórios de inspeção periódica mais recentes estão disponíveis pelo sistema da agência reguladora, mas alguns setores ainda possuem lacunas de registros entre 2005 e 2010 que complicam a análise de tendências de longo prazo.