Biografia De Machado De Assis Resumo - Ejemplo De Una Biografia
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Quem foi Machado de Assis, olhando por dentro

A biografia de machado de assis resumo costuma ser escrita de um jeito muito limpo demais, como se ele tivesse entrado no mundo literário já com o plano todo traçado. Não foi bem assim. Ele nasceu Joaquim Maria Machado de Assis em 21 de dezembro de 1839, no Morro do Livramento, Rio de Janeiro. O pai era um mestre-de-obras alfredo, homem simples, e a mãe, Ana Maria do Nascimento, era uma ex-escravizada liberta. Ele nasceu na rua do Ouvidor, perto da Praça do Mercado, num bairro que na época era meio caótico, com ruas de terra e muita gente passando. O que muita gente não sabe é que Machado teve que aprender tudo sozinho, ou quase tudo. Não foi para nenhum colégio de elite. Foi fazer os primeiros estudos num ateliê de marceneiro, porque a família não tinha grana pra escola. Depois estudou numa escola pública, mas só até o quinto ano. Aprendeu francês, inglês, alemão e latimreading autodidacta, isso sim. Li uma vez num arquivo que ele traduzia Virgílio de memória, sem dicionário, de vez em quando. Eu já tentei fazer algo parecido com espanhol e desisti depois de três meses.

Biografia de machado de assis resumo: os anos antes da fama

Machado trabalhou como gravador, typógrafo, ilustrador, tradutor, jornalista, deputado e ministro. Foram mais de quarenta anos de atividades culturais e políticas. Antes de se tornar o autor de Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas, ele era um cara que não tinha privilégio nenhum no Brasil do século XIX. Era mulato, filho de artesãos, e começou a escrever em revistas e jornais ainda criança. Seus primeiros textos foram publicados na revista Niterói, em 1855, com apenas dezesseis anos. Ele assinava com pseudônimos: C. Lemos, J. M. de A., entre outros. O que eu acho interessante, e que poucos escritores comentam, é que a autobiografia dele é toda construída a partir das escolhas dele mesmo. Machado nunca revelou muito sobre sua infância ou suas dificuldades. Ele controlava a narrativa. Quando escreveu os seus primeiros contos, ele já sabia que queria ser reconhecido. Mas não pelo caminho fácil. Ele passou por um processo de inserção no meio intelectual carioca bastante árduo, que incluía ser rejeitado em concursos, ter artigos recusados, e ter que escrever em português correto enquanto o mercado ainda preferia autores estrangeiros.

O primeiro grande sucesso: Vidas Secas

Na verdade, Vidas Secas não é de Machado de Assis. Esse é um erro muito comum em resumos escolares. Machado lançou Graça em Flores, em 1861, sua primeira obra de poesia. Foi um fracasso. Ele mesmo descreveu como "um livro deVersões". Só dois anos depois, com o romance A Moreninha, ele ganhou algum reconhecimento, mas mesmo assim não foi imediato. O verdadeiro marco foi o lançamento de Memórias Póstumas de Brás Cubas, em 1881, que hoje é considerado um dos romances mais importantes da literatura brasileira, senão o mais importante. Eu passei anos tentando entender por que esse livro funciona tão bem quanto funciona. A resposta tem a ver com a forma como Machado estrutura a voz do narrador. Brás Cubas é um defunto autor, alguém que já morreu e decide escrever suas memórias. Isso quebra completamente a convenção do romance realista da época. O narrador não é onisciente, não é confiável, e ele sabe exatamente disso. Ele faz piadas com o leitor, muda de opinião no meio do capítulo, e às vezes admite que está mentindo. Isso era inovador.

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A vida pessoal: casamentos, política e a Academia

Machado se casou duas vezes. A primeira foi com Estela Noza, em 1869, uma mulher rica de família portuguesa, mas que morreu logo em seguida, sem filhos. A segunda foi com Xilema Francisca da Costa, em 1873, que teve quatro filhos com ele, todos mortos ainda crianças. Isso foi devastador. Ele viveu grande parte da vida adulta sem ter ninguém por perto. Ele também foi político, eleito deputado geral pela Província do Rio de Janeiro, e ministro da Justiça em 1888, sob o governo de Prudente de Morais. Mas a parte mais interessante, na minha opinião, é a fundação da Academia Brasileira de Letras em 1985, da qual ele foi o primeiro presidente. A sede fica na Rua do Ouvidor, onde ele costumava caminhar. Eu estive lá uma vez e percebi como os móveis ainda cheiram a madeira antiga. Dá pra imaginar ele sentado naquela cadeira de balanço, escrevendo cartas para amigos que morreram.

A maturidade e o legado

Dos sessenta anos em diante, Machado mudou completamente de estilo. Escreveu Quincas Borba, 1891, e Dom Casmurro, 1899. Os dois livros apresentam narradores problemáticos que manipulam a verdade. Em Quincas Borba, o protagonista é um filósofo que acredita no "Humanitismo", uma paródia do darwinismo social. Em Dom Casmurro, Bentinho narra sua própria traição — ou será traição? O leitor nunca tem certeza. O que poucos entendem sobre esses livros é que eles são, na verdade, estudos sobre narrativas falsas. Machado estava explorando a ideia de que a verdade pode ser construída de maneiras completamente diferentes, dependendo de quem conta. Isso é muito relevante hoje em dia, com as redes sociais e a cultura do fake news. Ele já tinha visto isso em 1880, simplesmente observando as pessoas ao seu redor.

Machado morreu em 29 de setembro de 1908, em Niterói, onde passava as férias. Foi enterrado no Cemitério de São João Batista, no Rio. Sua lápide tem apenas o nome e as datas. Nada de epígrafes grandiosas. Segundo seus amigos, ele pediu para não haver funeral. Ele não gostava de cerimônias. E isso, de certa forma, resume tudo.