Boi De Mamão Personagens - Personagens Do Boi De Mamão Para Colorir - NAZAEDU
Personagens Do Boi De Mamão Para Colorir - NAZAEDU

O que são os personagens do boi de mamão

O boi de mamão é uma manifestação folclórica muito forte no sul do Brasil, especialmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Os personagens que compõem o grupo variam conforme a região, mas existem figuras centrais que aparecem quase sempre. Entender cada um deles ajuda a montar um espetáculo ou a participar de um grupo com mais embasamento. A estrutura básica gira em torno do boi, que é feito de papelão, madeira e tecido, movido por dois dançarinos dentro. Além dele, tem a rainha, o mordomo, o capeta, a cabra, o cachorro e uma quantidade grande de personagens cômicos ou secundários. Cada um tem sua função no enredo.

Conheça os principais boi de mamão personagens

Eu já montei grupos de boi de mamão e a primeira coisa que dá problema é a quantidade de figurinos. Tem gente que acha que basta fazer o boi e pronto. A realidade é diferente. O espetáculo pede presença de pelo menos dez personagens diferentes, e muitos deles têm coreografias próprias. Mestre ou mordomo: É quem conduz o grupo, faz a apresentação inicial e responde pelas articulações com o público. O mordomo carrega uma fitinha ou um bastão e dita o ritmo da dança.

Boi: A peça central. Dentro dele vão dois dançarinos. Um segura a cabeça e o outro a cauda. O movimento do boi depende totalmente da sincronia entre eles. Se um erra o passo, o espetáculo todo desanda na hora. Rainha: Geralmente é a figura feminina principal, veste-se de forma sofisticada com muitas fitas e espelhos. Ela dança com o boi e com o mordomo, e costuma ter uma coreografia mais elaborada.

Capeta: Personagem cômico e ao mesmo tempo ameaçador. Usa máscara vermelha ou preta, chifres e um chicote de pano. O capeta assusta as crianças, provoca o público e frequentemente "atrapalha" o boi. Tem uma função de tensão cênica. Cabra e Cachorro: São dois personagens que representam um duelo teatral. O cachorro tenta matar a cabra, mas no final todos se reconciliam. É uma cena clássica que aparece em praticamente todos os espetáculos.

Burro: Uma figura muito engraçada que anda curvado e imita um burro. Usa uma máscara grosseira e tem papel puramente cômico. As crianças adoram esse personagem. Pé-de-Pau: Um personagem que anda com pernas de pau, típico da tradição. Só aparece em algumas cidades, mas quando aparece é destaque.

Comandante ou General: Figura militarizada que saúda o público e marca algumas entradas. Veste farda improvisada com muita cor.

Como funciona a apresentação na prática

O espetáculo segue um roteiro fixo, mas com variações locais importantes. A apresentação começa com a entrada dos personagens, apresentando cada um ao público. Depois vem a dança do boi, o duelo do cachorro e da cabra, a briga com o capeta, o "morte e ressurreição" do boi, e finalmente a dança final de todos. O boi morre, cai no chão, e o médico ou o curandeiro do grupo precisa "curá-lo" com um chá ou uma poção cênica. O boi levanta e a folia continua. Essa parte é essencial e não pode ser cortada. Já vi grupos que pularam esse trecho achando que deixava o espetáculo mais rápido, mas o público percebe e a apresentação perde o sentido completo.

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A trilha sonora é feita com sanfona, zabumba, tambor e reco-reco. O repertório inclui marchas, canários e valsas. Cada personagem entra com sua música específica.

Problemas reais que eu enfrento na montagem

O maior desafio técnico é o peso do boi. Um boi mal construído pode pesar mais de quinze quilos. Os dois dançarinos dentro dele precisam ter resistência boa, porque a apresentação dura cerca de quarenta minutos sem pausa. Eu já tive que substituir o acabamento de dois bois porque os dançarinos reclamavam de fadiga excessiva. A solução foi trocar o papelão grosso por isopor revestido, o que reduziu o peso para cerca de seis quilos. Ficou mais resistente também a pancadas durante as apresentações. Outro problema que parece bobo mas causa prejuízo real é a disponibilidade de personagens para as crianças. Muitos grupos conseguem fazer o boi e a rainha, mas travam na cabra, no cachorro e no burro. Se você está montando um grupo do zero, foque primeiro nesses três. Sem eles, a parte do duelo não acontece e falta um terço do espetáculo.

Também tem a questão dos figurinos. A rainha e o mordomo precisam de roupas brilhantes, com lantejoulas e fitas coloridas. Comprar ou confeccionar esses trajes sai caro. A dica prática é usar base de roupa comum e costurar os enfeites por cima, ao invés de comprar tudo pronto. O resultado visual é semelhante e o custo cai pela metade.

Onde encontrar material de apoio

Para aprender as coreografias e os passos, o melhor caminho é procurar gravações de grupos tradicionais de Santa Catarina. Os grupos de São José, Palhoça e Florianópolis mantêm versões mais fiéis à tradição. No YouTube existem registros de folias antigas dos anos noventa que são muito úteis para estudo. Para as máscaras e adereços, artesãos da região sul costumam vender kits prontos ou sob medida. Eu recomendo encomendar com antecedência de pelo menos dois meses, porque os períodos de festa junina e final de ano geram fila de produção.

Documentos do IPAEF e do Instituto Cultural Boi de Mamão publicam material didático gratuito sobre a história e os passos básicos. Vale a pena baixar esses arquivos antes de começar a ensaiar, porque evita erros de coreografia que só aparecem depois, quando o grupo já está montado.

Versões regionais que merecem atenção

A versão catarinense do boi de mamão difere da versão gaúcha em alguns pontos. No Rio Grande do Sul, o espetáculo tende a ser mais rápido e com menos personagens secundários. Em Santa Catarina, mantém-se mais fiel à estrutura completa com todos os duelos e brincadeiras. Se você mora no RS e quer montar o espetáculo no padrãoSC, avise o grupo desde o início para evitar confusão na hora dos ensaios. Existe ainda uma variação chamada boi-de-mamão-de-zabumba, que usa exclusivamente percussão sem sanfona. É menos comum, mas existe em algumas cidades do interior catarinense. O som é mais pesado e a dança fica mais marcante.

O importante é entender que o boi de mamão não é só uma brincadeira infantil. É uma tradição com regras próprias, coreografias definidas e uma carga histórica grande. Respeitar esses elementos faz toda a diferença na qualidade da apresentação.