Bota De Unna Para Que Serve - Bota Unna 7,5cm X 9,2m Bandagem Curativo Ideal Para Feridas e Úlceras ...
Bota Unna 7,5cm X 9,2m Bandagem Curativo Ideal Para Feridas e Úlceras ...

O que é e como funciona a bota de Unna na prática

A bota de Unna é basicamente uma bandagem elástica impregnada com óxido de zinco que é enrolada no tornozelo e perna inferior. A ideia principal é fornecer compressão graduada para melhorar o retorno venoso e controlar o edema. É amplamente utilizada para úlceras venosas, insuficiência venosa crônica e linfedema estável. A compressão fica entre 35 e 40 mmHg quando aplicada corretamente, o que é suficiente para a maioria dos casos de úlceras venosas sem comprometimento arterial significativo.

Bota de Unna para que serve: indicações e limitações

Vamos direto. A bota de Unna serve para compressão terapêutica sustentada. Não é uma solução mágica, funciona como parte de um tratamento que inclui limpeza da ferida, despine, proteção da pele ao redor e acompanhamento. O que muita gente não entende é que ela não substitui o tratamento da causa. Se o problema for arterial — e isso precisa ser aferido com o Índice Tornozelo-Braço —, a compressão pode ser prejudicial. Eu já vi muitos profissionais aplicarem sem checar o Doppler primeiro. Em uma ocasião, atendi um paciente com úlcera venosa diagnosticada clinicamente, apliquei a bota normal e voltei uma semana depois. O paciente estava com dor progressiva. Achei que fosse alergia ao zinco. Era isquemia induzida. O ITB estava em 0,8 — abaixo do aceitável para compressão moderada. Troquei imediatamente para compressão leve e encaminhei para angiologia. Isso poderia ter evoluído para necrose se eu tivesse insistido.

As indicações clássicas são: úlceras venosas ativas, pós-descamação, insuficiência venosa crônica com edema recidivante, linfedema estágio inicial a moderado, e pré e pós-cirurgia venosa para controle de edema. O que NÃO deve usar: insuficiência arterial periférica, infecção aguda não controlada, dermatite de contato alérgica ativa ao zinco, neuropatia periférica severa com perda de sensibilidade, e insuficiência cardíaca descompensada porque a redistribuição de volume pode piorar o quadro.

Aplicação passo a passo

O sucesso da bota de Unna depende mais da técnica do que do produto em si. Um profissional experiente consegue uma aplicação uniforme em 10 a 15 minutos. Um iniciante leva 30 e ainda assim fica com zonas de alta pressão e zonas sem compressão. Isso gera desconforto e piora os resultados. Primeiro, prepare a pele. Limpe a perna com soro fisiológico, seque bem — pele úmida sob a bandagem gera maceração em poucas horas. Aplique uma proteção periwound se necessário, seja hidrocoloide ou pasta de zinco ao redor da ferida, mas nunca sobre a ferida diretamente. A bandagem de Unna entra em contato com a ferida sim, mas a primeira camada deve proteger a pele sadia.

A posição do membro é importante. O paciente em decúbito com o joelho flexionado a 90 graus facilita o trabalho. Comece pelos dedos do pé, faça a envoltura do antepé, então suba em espiral, sobrepondo cada volta em cerca de 50% da largura da bandagem. A pressão deve ser maior no tornozelo e diminuir progressivamente em direção à panturrilha. Se você sentir resistência excessiva ao enrolar, está ficando muito apertado. Se a bandagem escorrega quando você puxa, faltou tensão. O calcanhar é o ponto crítico. Passe a bandagem ao redor do calcanhar, fazendo um reforço, para evitar ulceração por pressão nesse local. Muitas pessoas erram aqui e esquecem, e o paciente volta com ferida no calcanhar por má aplicação.

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Finalize com fixação. Use bandagem de celofane adesivo ou meia de suporte por cima. A bota de Unna sozinha solta com o movimento. Cubra também as pontas dos dedos para permitir observação da vascularização. Se os dedos ficarem roxos, mornos ou com retorno capilar lento, tire imediatamente — a compressão está comprometendo a arterialização.

Cuidados e troca

A troca é feita em média a cada 7 dias, mas pode variar de 3 a 10 dias dependendo do exsudato. Se a bandagem estiver encharcada, suja ou solta, troque antes. Uma bota de Unna mal aplicada dura menos porque perde a eficácia compressiva no primeiro dia. O paciente deve manter o membro elevado sempre que possível. Ficar parado em pé por horas anula parcialmente o efeito da compressão. Recomenda-se caminhadas curtas várias vezes ao dia porque a contração da panturrilha atua como bomba muscular e potencializa o retorno venoso.

Problemas comuns que eu vejo: coceira sob a bandagem (pode ser reação ao zinco ou simplesmente occlusão), pele ressecada e descamando (use hidratante na pele ilesa entre as trocas), bandagem endurecendo após dias (normal, o zinco cristaliza com o tempo e perde elasticidade, daí a necessidade de troca). Se aparecer odor fétido, aumento de dor, vermelhidão que se expande ou febre, avalie infecção e não espere a data da troca.

Alternativas quando a bota de Unna não é viável

Se o paciente tem dificuldade de aderência — não tolera a bandagem, esquece de elevar a perna, ou tem demência avançada —, sistemas de compressão multiclipes ou meias de compressão graduada podem ser mais práticos. São menos confortáveis que a bota de Unna para alguns pacientes, mas têm taxa de aderência significativamente maior no longo prazo. Já vi casos de pacientes com artrite severa nos dedos dos pés que não suportavam o enrolamento. Nesse caso, bandagens de dua camadas ou o sistema de Kox oferecem opções com menos pressão digital direta.

A bota de Unna continua sendo uma das ferramentas mais custo-efetivas para úlceras venosas. Em estudos, taxas de cicatrização de 70 a 80% em 12 semanas são relatadas quando associada ao cuidado adequado da ferida. Nada disso funciona se o diagnóstico estiver errado ou se a compressão for aplicada de forma incorreta. Meça o ITB antes. Treine a técnica. E observe o paciente de volta com frequência — não apenas na troca, mas para ajustar o que não está funcionando.