Brincadeira Dos Anos 60 - Brincadeira Dos Anos 60 - FDPLEARN
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Como fazer uma brincadeira dos anos 60 funcionar na prática

A brincadeira dos anos 60 era basicamente um jogo de mesa caseiro que envolvia uma cartolina ou papelão grande, desenhos feitos à mão e uma roleta improvisada. Todo mundo fazia a sua versão em casa, porque não existia uma versão comercializada nas lojas — pelo menos não no Brasil, onde a produção oficial só chegou bem depois, nos anos 80. O que eu tenho aqui é um guia prático baseado em como as pessoas realmente construíam isso na época, com o que estava disponível numa casa comum de bairro.

Materiais e montagem básica da brincadeira dos anos 60

Você precisa de uma base rígida. Papelão de caixa de sapato serve, mas se quiser algo que dure mais, use uma placa de isopor grossa ou até uma fatia de pizza de MDF cortada em círculo. O diâmetro ideal é entre 30 e 40 centímetros. Qualquer coisa menor que isso fica difícil de manusear, qualquer coisa maior vira um problema de armazenamento. Em cima dessa base, você cola um disco de papel sulfite ou cartolina branca. Divide o disco em fatias iguais usando compasso e régua — o padrão era 8 fatias, mas 12 funciona melhor se quiser mais opções de perguntas ou tarefas. Cada fatia recebe um tema escrito à mão: piada, desafio, verdade, ação, música, etc. As pessoas costumavam escrever com caneta hidrocor ou lápis de cor, o que funcionava, mas amarelo em papel branco é praticamente ilegível. Evite esse tom.

A parte mais importante é o ponteiro. Ele pode ser um prendedor de roupa fixado no centro com um alfinete, um clipe de papel dobrado, ou até um palito de dente colado numa tampa de garrafa que gira. O segredo é que o ponteiro precise girar livremente sem folga excessiva — se ele tambalear muito, o resultado é imprevisível e a brincadeira perde o sentido. Para o dado ou moeda que define quem começa, use uma moeda real mesmo. Eu testava com vinténs e cruzeiros velhos que ainda circulavam nos anos 70 e 80. Um dado comum de vinte lados é overkill e difícil de encontrar naquela época. Dois dados de seis faces já resolvem o problema de forma justa.

Regras funcionais

Cada jogador gira o ponteiro uma vez por turno. O tema apontado define o tipo de ação. Se cair em "piada", o jogador conta uma piada. Se cair em "desafio", segue a instrução escrita na fatia — por exemplo, "faça 10 polichinelos" ou "fale como um robô até o próximo turno". Se cair em "verdade", os outros jogadores fazem perguntas e a pessoa tem que responder honestamente. A regra de ouro é: se recusar, bebe ou paga prenda. O jogo termina quando um jogador atinge um número combinado de pontos, ou quando acabam as rodadas. Pontos são conquistados quando os outros jogadores riem de uma piada, aceitam um desafio cumprido, ou se calam diante de uma resposta verdadeira inesperada. Isso é subjetivo, então combine antes quantos pontos valem cada ação.

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Problema real que eu encontrei e solução

Numa versão que fiz em 2018 pra uma reunião de família, usei cartolina comum como base. Depois de três rodadas, o papel começou a enrugar por causa da umidade ambiente e o ponteiro passou a travar em certas posições. A rotação ficou enviesada — o ponteiro tendia a parar sempre nas fatias de baixo. Troquei a cartolina por um pedaço de compensado fino de 3mm que eu tinha sobrando de um projeto de marcenaria, li levemente com lixa 220 e pintei com tinta acrílica branca diluída. O problema parou imediatamente. O compensado absorve menos umidade e a superfície fica mais consistente para o ponteiro girar. Outro detalhe que quase ninguém considera: o tamanho das fatias. Quando fiz divisões de 12 partes num disco de 30cm, algumas fatias ficaram tão estreitas perto do centro que o ponteiro grosso cobria duas ao mesmo tempo. A solução foi usar um ponteiro mais fino — um clipe de papel aberto e afiado funciona bem — e aumentar o disco para 40cm, o que dá mais espaço nas pontas das fatias.

Limitações e cenários onde não funciona

Essa brincadeira dos anos 60 depende de interação presencial. Não tem versãodigital confiável que replique a experiência porque a diversão está na leitura de dos outros jogadores, não nas regras em si. Se tentar adaptar pra videoconferência, o resultado é morno e a maioria desiste depois de duas rodadas. Também não escala bem para grupos maiores que oito pessoas. Acima disso, os turnos ficam longos demais e a atenção cai. Se o grupo for maior, divida em dois círculos menores e faça duas rodas simultâneas com competição entre elas.

Um problema comum é que as pessoas usam temas muito genéricos nas fatias. "Piada", "desafio", "verdade" são funcionais mas ficam repetitivos rapidamente. O que mantém o interesse é personalizar as fatias com situações específicas do grupo — nomes de colegas, situações do trabalho, referências internas. Quanto mais específico, mais graça tem. Mas isso exige planejamento prévio e não funciona como jogo de bagunça rápida. Se você quer algo mais estruturado e portátil, existem versões comerciais de jogos de mesa baseados no mesmo conceito que custam entre R$30 e R$80 e já vêm com cartas e regras profissionais. A desvantagem é que perdem o caráter artesanal e pessoal que faz o original funcionar bem em contextos familiares ou entre amigos próximos.

Para montar a sua versão agora, baixe uma planta baixa imprimível em PDF com as divisões pré-calculadas em 8 ou 12 fatias. O arquivo contém as medidas exatas pro círculo, linhas de corte e sugestões de temas escritos. Salve, imprima em papel couché 150g e cole no seu suporte rígido favorito.