Estádio que virou lenda e depois desapareceu dos mapas oficiais
O campo do Barata era o antigo estádio do Bahia localizado na região da Fonte das Pedras, em Salvador. Fico na dúvida entre chamar de campo ou estádio porque, nos primeiros anos, era basicamente um gramado com arquibancadas de madeira e concreto que foram sendo reconstruídas aos trancos e barrancos. O nome veio de um conhecido da região, Antônio Barata, que era um dos principais proprietários do terreno antes da construção definitiva. A coisa funcionou assim até 2006, quando o estádio foi demolido para dar lugar à Arena Fonte Nova, que reina lá até hoje.
O que rolava no campo do barata na prática
O lugar era famoso por receber jogos importantes do Bahia desde os anos 1950. O primeiro jogo oficial registrado foi em 1951, contra o Vitória, num clássico que terminou com vitória bahiana por 2 a 1. A capacidade inicial era de cerca de 20 mil pessoas, e com o tempo o estádio cresceu para algo em torno de 40 mil lugares, segundo registros da Federação Bahiana de Futebol da época. O gramado era natural, mas muito desigual nas Laterais devido ao formato irregular do terreno e ao uso intenso sem rotação de datas nos treinamentos. Eu vi vários jogos ali nos anos 1980 e 1990. O problema mais chato era o drenagem. Quando chovia forte em Salvador, o campo do Barata ficava com uma área central encharcada e as laterais secas, o que obrigava os times adversários a se adaptarem rapidamente. Lembro de um jogo contra o Goiás em 1994 onde a bola sempre rolava para o centro do campo. O Bahia fez um treino especial só para treinar passes curtos e desviar do meio. A regra não fala sobre isso, mas todo mundo que jogava ali aprendia a lidar com a irregularidade.
Por que o estádio foi substituído
A FIFA exigia novos padrões de segurança, infraestrutura e acessibilidade para sediar competições de ponta. O campo do Barata não atendia a esses requisitos. Não havia cobertura adequada, os corredores de evasão eram estreitos, e a estrutura de concreto já apresentava deterioração significativa. O governo do estado e a prefeitura de Salvador entraram num acordo para construir a Arena Fonte Nova, que custou aproximadamente 800 milhões de reais na época da obra, e foi inaugurada em 2013. Um detalhe que muita gente esquece: a demolição do campo do Barata começou em 2006 e terminou em 2007. Enquanto isso, o Bahia mandou seus jogos em estádios vizinhos como o Barradão, que também tinha problemas sérios de estrutura. O período de transição foi confuso, com partidas marcadas e desmarcadas, e até jogos adiados porque o gramado do Barradão não suportava o calendário apertado.
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O legado do campo do barata
Apesar de não existir mais fisicamente, o nome campo do Barata ficou na memória dos torcedores mais antigos. Muitos records de público foram estabelecidos lá, incluindo um jogo com cerca de 45 mil pessoas presentes em 1988 contra o Flamengo. O gramado original foi substituído por áreas verdes públicas e condomínios residenciais na mesma região, mas não há placa ou marco que indique exatamente onde ficava o campo. Se você procura informações técnicas sobre o campo do Barata para um trabalho acadêmico ou pesquisa histórica, o melhor lugar é o acervo da Federação Bahiana de Futebol e também o museu do próprio Bahia, que fica dentro da Arena Fonte Nova. Lá têm documentos, fotos e até imagens de arquivos em vídeo que mostram o campo como era. O YouTube também tem clipes antigos, mas a qualidade é variável e alguns vídeos foram repostados várias vezes com legenda errada.
O que acontece hoje no terreno
O local onde estava o campo do Barata é agora parte do complexo da Arena Fonte Nova e das áreas circundantes que foram revitalizadas. Tem calçadão, pontos de alimentação, lojas e também uma praça que leva o nome do antigo estádio em homenagem. O acesso ainda é pelo mesmo ponto, perto da Fonte das Pedras, mas a experiência é completamente diferente de antes. Não tem mais arquibancada, não tem mais setor de camarotes antigos, e o cheiro de grama cortada deu lugar ao cheiro de comida de rua e café. Quem quer visitar o lugar e sentir um pouco da nostalgia do campo do Barata pode ir à praça próxima à Arena, mas não espere encontrar nada parecido com o que existia. A construção moderna não preserva nenhum elemento estrutural do antigo estádio. O único resquício físico que restou foi uma parte da fundação que ficou sob o estacionamento subterrâneo, mas isso nem é visível para o público geral.
Se o objetivo é entender como era o funcionamento do campo do Barata, o mais útil é conversar com ex-jogadores e funcionários antigos do clube. Eles têm detalhes que os livros não capturam, como a temperatura do gramado durante os jogos noturnos, a sensação de pressão nos vestiários e os problemas logísticos de transportar o elenco para fora de Salvador nos anos 1970 e 1980.
Curiosidade técnica que poucos sabem
O campo do Barata tinha um sistema de irrigação caseiro, feito com mangueiras e bicos adaptados, porque o orçamento do clube na época era apertado. O encargado de manter o gramado era um homem chamado Sebastião, que trabalhava lá há mais de 20 anos. Ele ajustava a irrigação conforme a umidade do dia e o horário do jogo. Esse tipo de adaptação manual era comum em clubes menores da época, e fez diferença nos resultados, porque o gramado muitas vezes estava em condições melhores que o dos adversários que chegavam de fora. Não dá para replicar essa solução hoje em dia, porque os padrões modernos exigem sistemas automatizados e certificados, mas o princípio de adaptar a manutenção às condições locais continua sendo válido. O campo do Barata é um exemplo disso, mesmo que ninguém mais tenha acesso ao campo real.