Capim Colonião Para Que Serve - Características do Capim Colonião | PDF | Muda (planta) | Botânica
Características do Capim Colonião | PDF | Muda (planta) | Botânica

Como o capim colonião funciona na prática

O capim colonião (Brachiaria brizantha, cultivar Marandu principalmente) é uma forrageira tropical que a gente usa há décadas no Brasil, especialmente na pecuária de corte. Ele cresce bem em solos ácidos e de baixa fertilidade, o que é importante porque muita gente no interior não tem dinheiro para calagem pesada todo ano. O que ele faz de bom é se adaptar a climates quentes e secos, produzindo biomassa durante a maior parte do ano na maior parte do Cerrado e da Amazônia Legal. Eu já vi vaqueira de parceiro aqui em Minas que plantou colonião há 8 anos num pasto que antes era tudo capim nativo ruim. A produtividade saltou de 2 UA/ha pra cerca de 5 UA/ha sem suplementação. Claro que precisa manejo, mas o ganho é real.

capim colonião para que serve

Principalmente para alimentação animal em pastejo. Ele é rico em fibras, tem boa digestibilidade relativa, e aguenta pastejo contínuo ou rotacionado se a lotação estiver certa. Também serve como cobertura morta quando é curtido, protege o solo contra erosão, e pode ser usado em sistemas integrados como IPF ou ILPF. Tem gente que planta colonião pra recuperar área degradada. Funciona, mas não é mágica. Se o solo tiver compactação severa, o colchão vai sofrer. Aí o ideal é subsoagar antes, senão você tá só jogando dinheiro fora.

Plantio e manejo

A semente é pequena, então a semeadura precisa ser rasa. Entre 0,5 e 1 cm de profundidade. Densidade recomendada: 10 a 15 kg/ha de sementes puras germinadas. Se usar mudas (mais caro), consegue estabelecimento mais rápido. O pH ideal do solo fica entre 5,5 e 6,5. Se for muito ácido, aplica calcário. Fósforo é essencial, principalmente nos primeiros 6 meses. K e B também importam, mas P é o que mais falta no cerrado.

Quando o capim atinge uns 30 a 40 cm, coloca o gado. Lotção inicial em torno de 15 a 20 UA/ha. Vai subindo conforme o pasto cresce. Na seca, reduz. Eu já vi gente colocar 30 UA/ha em pleno agosto e o resultado foi desastre. Pasto roído até a raiz, animal magro, prejuízo.

Problemas comuns e armadilhas

O colonião tem um defeito: ele forma um tapete denso que compete com outras espécies. Se o objetivo é um pastejo diversificado, pode não ser a melhor escolha. Além disso, a qualidade nutricional cai bastante na seca. Proteína bruta despenca de 10% pra menos de 5%. Aí o vacino precisa de suplementação, senão perde peso. Outro problema é a resistência a herbicidas. Se o campo tá cheio de gramíneas invasoras, o glifosato resolve, mas depois você precisa replantar. Eu já perdi duas áreas por tentar arrumar invasoras sem rebrotação adequada. Aprendi na marra.

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E tem a questão do fogo. Em épocas secas, queimada pode matar a forrageira se for muito intensa. Uso controlado funciona, mas precisa cuidado com vento e umidade. Meu vizinho queimou 40 ha num final de tarde seco e perdeu 60% do capim. Perda de 30 dias de produção, basicamente.

Quando não usar

Se a região tem chuva irregular e seca prolongada de mais de 4 meses, o colonião sofredor muito. Aí vale pensar em braquiárias mais tolerantes como o braquiarão ou até pangola. Ou então investir em irrigação, o que na maioria das propriedades rurais brasileiras não é viável economicamente. Também não é ideal para laticínios de alta produtividade. A proteína baixa na seca não sustenta vaca ordenhada de alto nível. Nesses casos, pensa em capim elefante ou sudão, que têm mais nutrientes no período seco.

Vantagens que realmente importam

É barato. Semente custa entre 8 e 15 reais o quilo, dependendo da região. Estabelecimento é relativamente fácil se o solo estiver bem preparado. Resistência a pragas é boa, especialmente a mosca-do-chifre e carrapatos, que atacam menos que em outras forrageiras. E ele se recuper de pastejo pesado se o descanso for adequado. Produz cerca de 8 a 15 toneladas de matéria seca por hectare por ano, dependendo da região e do manejo. Isso sustenta de 15 a 25 cabeças por hectare em condições boas. Em condições ruins, cai pra metade.

Alternativas ao colonião

Se o solo for muito pobre e não houver recurso pra correção, pensa em capim mombaça. Cresce mais rápido, tem mais proteína, mas exige mais fertilizante e não aguenta tanto pastejo contínuo. Outra opção é o capim tai, que é mais rústico mas produz menos massa. Para áreas degradadas com compactação, o mais eficiente é recuperar o solo primeiro. Plantio direto em cima de colonião em solo compactado não funciona bem. O gado entra, rói, o capim não recupera, e você fica num loop de perda.

Conclusão

O colonião ainda é uma das forrageiras mais usadas no Brasil por um motivo: funciona na maioria das condições, custa pouco, e aguenta o tranco. Mas exige manejo. Sem manejo, vira tapete de capim ruim e prejuízo. Se você tem tempo pra observar o pasto, ajustar lotação e fazer Suplementação na seca, ele paga o investimento. Se quer plantar e esquecer, melhor trocar de cultura.