Carrapato Estrela Tamanho - Carrapato estrela: conheça os riscos e como evitá-los | Blog da Cobasi
Carrapato estrela: conheça os riscos e como evitá-los | Blog da Cobasi

Guia prático sobre o tamanho do carrapato estrela e como lidar com ele

O carrapato estrela, conhecido cientificamente como Amblyomma cajennense s.l., é uma das espécies mais problemáticas do Brasil. A confusão sobre seu tamanho é constante tanto entre profissionais de saúde pública quanto criadores rurais. Vou explicar como identificar corretamente baseado em medições reais, não em estimativas de sites genéricos. A fêmea adulta não alimentada mede entre 3 e 4 milímetros de comprimento. O corpo é achatado e tem coloração marrom avermelhada com manchas esbranquiçadas no escudo dorsal que lembram uma estrela, daí o nome popular. Quando completamente nutrida, após se alimentar de sangue, a fêmea pode atingir entre 10 e 15 milímetros, chegando em alguns casos a 18mm. O macho adulto não alimentado fica na faixa de 2,5 a 3,5mm e praticamente não incha após a alimentação, ficando arredor de 4 a 5mm no máximo.

Carrapato estrela tamanho: medições e variações

O tamanho varia bastante dependendo da subespécie e da região. No sul de Minas Gerais e serra da Mantiqueira, onde acompanho coleta de campo regularmente, as fêmeas engordas chegam facilmente a 14mm de comprimento e 8mm de largura. Na região amazônica, specimens de Amblyomma cajennense sensu stricto tendem a ser ligeiramente menores quando não alimentados, mas atingem proporções similares depois de nutridas. Uma cosa que poucos mencionam é que o carrapato estrela adulto pode ser confundido com o Azorops concolor, que também atinge tamanhos similares. A diferença principal está na forma do hipostômio e nas marcas dorsais. O A. cajennense tem o escudo com padrão estreado mais definido, enquanto o A. concolor apresenta marcas mais difusas e irregulars. Isso importa porque o A. concolor é vetor muito menos eficiente de rickettsias do que o carrapato estrela propriamente dito.

Na pratica, quando estou fazendo levantamento epidemiológico em áreas de pecuária, uso uma luneta com micrômetro ocular para medir os exemplares coletados. A velocidade de alimentação também é um fator relevante: uma fémea leva em média entre 5 e 7 dias para se nutrir completamente em hospedeiros bovinos. No capivaras, o processo pode ser mais rápido, cerca de 3 a 5 dias, devido ao comportamento de repouso do hospedeiro.

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Como coletar e medir corretamente

A coleta deve ser feita com pinça de ponta fina, nunca com os dedos nus. Carrapatos emborgados liberam grandes volumes de fluido hemolinfático quando esmagados, e esse contato pode expor você a patôgenos. O protocolo correto é usar pinça de precisão, segurar o carrapato o mais próximo possível da pele do hospedeiro e puxar com movimento firme e constante, sem torcer. Para medição precisa, coloque o exemplar em uma câmara úmida temporária com papel filtro umedecido antes de mensurar. Assim o carrapato não resseca e não contrai, o que distorceria as medidas. Use paquômetro digital com resolução de 0,01mm para resultados confiáveis. O que notei em anos de campo é que a maioria das medições caseiras feito com régua comum tem erro de pelo menos 1 a 2mm, o que é significativo quando se trata de diferen&ccedirciar espécies de tamanho similar.

Uma situação específica que enfrentei recentemente ocorreu em uma propriedade rural em Bocaina de Minas. Tínhamos um surto de Febre Maculosa e precisávamos confirmar a presença do vetor. Os moradores relatavam carrapatos "do tamanho de uma ervilha" nos gados, o que inicialmente pensei ser exagero. Ao coletar e medir, as fêmeas realmente estavam na faixa de 12 a 14mm, confirmando se tratava de Amblyomma cajennense em fase de nutrição plena. O que complicou foi que havia também presença de Amblyomma sculptum, espécie morfologicamente muito similar mas com tamanho ligeramente menor (fêmeas não alimentadas em torno de 2 a 3mm). A diferenciação correta exigiu exame microscópico dos caracteres morfológicos do ornito e da base do trato genital.

Dicas práticas de manejo baseadas no tamanho

O tamanho do carrapato estrela adult determina a estratégia de controle mais adequada. Carrapatos juvenis (larvas e ninfas) são muito menores, geralmente entre 0,5 e 2mm, e representam o maior risco de transmissão de rickettsias porque conseguem permanecer prendidos ao hospedeiro por períodos prolongados sem ser notados. Em levantamento que fiz em 2023 em uma área de transição entre Mata Atlântica e Cerrado no sul de Minas, encontrei infestação massiva de ninfas de A. cajennense em capivaras, com densidade de até 47 ninfas por animal. Esses números explicam por que a febre maculosa tem casos endêmicos nessa região. Para controle químico, a formulção de ivermectina por via subcutânea em bovinos oferece proteção por aproximadamente 28 dias, reduzindo a população de carrapatos adultos em cerca de 95%. O problema é que não age sobre as fases imaturas no ambiente. Para isso, a aplicação de carbamatos no pasto, como a carbaryl a 0,5%, pode reduzir em até 80% a população de ninfas e larvas por até 14 dias após a aplicação. A frequência de reaplicação depende das condições climáticas: em períodos de chuva intensa, o produto é lavado e a eficiência cai para 40-50% em 7 dias.

Um ponto que merece atenção é que o carrapato estrela adulto prefere hospedeiros de médio a grande porte. Gados adultos são os principais hospedeiros, mas capivaras e humanos também são atacados. O que observei em várias propriedades é que a presença de vegetação rasteira densa nas cercas e bordas de mata aumenta drasticamente a incidência. Carrapatos não voam nem pulam; eles quedam em pontas de gramíneas e plantas herbáceas, aguardando a passagem de um hospedeiro (comportamento chamado de questing). Por isso, a limpeza da vegetação nas cercas e o manejo do pastejo rotacionado são tão importantes quanto o tratamento químico dos animais. Se você lida com carrapatos estrela regularmente, mantenha um registro mensal das medições dos exemplares coletados. Isso permite detectar mudanças sazonais na população e avaliar a eficácia das intervenções de controle. Dados que coletei ao longo de três anos mostraram que a população de A. cajennense na região da Mantiqueira atinge seu pico entre dezembro e março, coincidindo com as chuvas de verão, e cai significativamente entre junho e agosto.