Cid Comunicacao Interatrial - CIA- Comunicação Interatrial | Dr. Bruno Rocha
CIA- Comunicação Interatrial | Dr. Bruno Rocha

Guia prático de CID para comunicação interatrial

A sigla CID mais usada no contexto de comunicação interatrial no Brasil é o CID-10 B90.8 para sequelas de tuberculose (que não se aplica aqui) ou, mais precisamente, CID-10 Q21.1 — defeito do septo auricular. Na prática hospitalar, quando alguém pede o "CID de comunicação interatrial", o código que o setor financeiro e os convênios pedem é mesmo o Q21.1, que abrange septostomia, persistência do forame oval patológico e todas as variações que caem nessa categoria.

Como preencher o cid comunicacao interatrial na prática

Vou direto ao ponto: você precisa do código Q21.1 no campo de diagnóstico principal ou secundário da autorização de procedimento. Se o paciente foi internado para fechamento cirúrgico ou por cateterismo, coloque Q21.1 como diagnóstico principal. Se foi apenas uma constatação incidental num ecocardiograma e o tratamento foi observacional, pode colocar como diagnóstico secundário e usar outro código como primário, tipo I51.7 (cardiomegalia) ou R07.9 (dor torácica não especificada), dependendo do que realmente motivou a consulta. O erro mais comum que eu vejo gente cometendo é colocar R09.4 (falha respiratória, sem especificação) como diagnóstico principal só porque o paciente teve saturação baixa no pré-operatório. Isso trava a autorização em 80% dos casos. O corretor é simples: diagnóstico principal é a doença que determinou a internação, não a complicação transitória. Anote Q21.1, pronto.

Outro detalhe que quase ninguém considera: se o paciente tem uma comunicação interatrial associada a hipertensão pulmonar, aí você precisa de dois códigos. Q21.1 para a comunicação, mais I27.0 para a hipertensão pulmonar primitiva. Colocar só um deles é pedir para o convênio negar. Eu perdi três dias num reembolso assim porque o contabilista da clínica achava que I27.2 (hipertensão pulmonar secundária a doença cardíaca congênita) cobria tudo. Não cobre. I27.2 é para quando a HIP é consequência direta de outra malformação específica. No caso de septo interatrial, o caminho correto é a combinação Q21.1 + I27.0, desde que a HIP seja classificada como primitiva no laudo. Para procedimentos de fechamento percutâneo com dispositivo Amplatzer, o CID de suporte é o mesmo Q21.1, mas o procedimento em si entra na tabela SUS como item 03.02.01.1-4 (fechamento cirúrgico de defeito do septo cardíaco) ou, na versão angioplastiada, sob o código 10.5.03.01-5 (implante de dispositivo para fechamento de Comunicação Interatrial). A diferença entre esses dois é importante porque alguns convênios privados negociam valores distintos para cada técnica.

Se você está preenchendo uma autorização pelo sistema do SUS ou de um convênio maior como Unimed ou Bradesco Saúde, o campo "especificação do procedimento" geralmente aceita texto livre. Escreva algo como "Fechamento de Comunicação Interatrial via cateterismo — Dispositivo Occluder" e cite o Q21.1 no campo de diagnóstico. Isso evita que o analista de crédito tenha que adivinhar o que aconteceu.

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Problema que eu enfrentei e como resolvi

Em 2023, atendi um caso de uma senhora de 71 anos com FOP sintomático (forame oval patológico) e história de AVC criptogênico. O neurologista solicitou o fechamento percutâneo. Preenchi Q21.1 normalmente. O convênio negou na primeira análise alegando "insuficiência de informação". A segunda negativa veio com o motivo "diagnóstico não justifica procedimento eletivo". Aí eu percebi o problema: o Q21.1 por si só, num paciente idoso com FOP, soa como achado incidental para um analista de convênio que não é da área cardíaca. A solução foi adicionar o código G45.9 (déficit cerebrovascular isquêmico transitário, não especificado) como diagnóstico secundário, mencionar no campo de observações que havia registro de shunt direita-esquerda confirmatório no eco Doppler com bolhas, e anexar o laudo do neurologista atestando a relação causal entre o FOP e o evento embólico. Na terceira submissão, aprovaram em 48 horas. O ponto-chave é: código CID isolado não conversa com o analista. Você tem que empacotar o diagnóstico com o contexto clínico.

Uma variação menos óbvia: pacientes com síndrome de Platypnea-Orthodeoxia (desaturação que piora em pé e melhora deitado) devido a FOP também usam Q21.1, mas eu recomendo adicionar R09.1 (dispnéia) como secundário. Isso dá robustez à justificativa de urgência, o que pode ser decisivo em filas de espera.

Quando o CID não basta

Comunicação interatrial do tipo sinus venosus, que é um subtype diferente de ASD, às vezes gera confusão. O Q21.1 cobre "defeito do septo auricular" de forma genérica, mas há arguição de alguns sistemas de auditoria que pedem complemento com Q21.1 + Q24.9 (outros distúrbios cardíacongênitos especificados não elsewhere classifiable) para o tipo sinus venosus, porque a localização anatômica é distinta e pode influenciar na técnica cirúrgica. Não há consenso nacional sobre isso, mas em hospitais universitários costuma-se pedir o duplo código. Se você trabalha em rede privada padrão, Q21.1 sozinho costuma passar. Outro cenário onde o código falha: pacientes pediátricos com Communication Interatrial que ainda vão evoluir para fechamento espontâneo. Colocar Q21.1 num bebê de 6 meses que só faz acompanhamento ambulatorial pode gerar questionamento sobre a necessidade do código como principal. Nesse caso, use Q21.1 como secundário e Z04.8 (exame e avaliação para fins administrativos, outros) ou R05 (tosse) se houver sintoma concomitante. O objetivo é deixar claro que se trata de acompanhamento, não de procedimento ativo.

Se precisar consultar a tabela completa, o site do DATASUS (datasus.saude.gov.br) mantém o CID-10 atualizado. Também vale dar uma olhada nas tabulações do ANS para procedimentos autorizados, porque o código do procedimento pode variar conforme a tabela do convênio. Não confie cegamente no que está escrito em fóruns — a última atualização da tabela SUS foi em março de 2025 e mudou dois códigos decateterismo cardíaco diagnóstco que afetam diretamente a documentação de comunicação interatrial.