O que é e quando usar uma citação apud
Uma citação apud (ou "trad.") surge quando você precisa referenciar uma obra que não leu diretamente, mas que foi mencionada por outro autor que você conseguiu consultar. O termo latino "apud" significa "em" ou "por meio de", e indica claramente ao leitor que a fonte original não foi acessada por você. No dia a dia acadêmico, isso acontece com frequência. Você está lendo um artigo de 2018 sobre algum tema e ele cita um estudo de 1985 que nunca foi digitalizado. Você não vai à biblioteca física só por uma referência. Anota o que o autor de 2018 disse sobre o estudo de 1985 e usa o apud.
Como citar apud nas principais normas
A formatação muda ligeiramente dependendo da norma que sua instituição exige. Abaixo estão os exemplos práticos que eu uso na prática.
ABNT (NBR 10520)
Na ABNT, o apud entra entre parênteses logo após a citação do autor original. Na referência bibliográfica, você lista apenas a obra que você efetivamente leu. Exemplo no texto: Segundo Silva (2018 apud COSTA, 2020), os resultados indicam...
Na lista de referências, entra apenas: COSTA, M. A. Título do livro. São Paulo: Editora, 2020.
Não se coloca a referência do autor original (Silva, 2018) na bibliografia. Isso é importante e muitos estudantes erram colocando as duas.
APA 7ª edição
A APA usa "as cited in" no texto e a estrutura é diferente: Original: (Silva, 2018, as cited in Costa, 2020)
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Referência: entra apenas Costa (2020).
Um problema real que eu encontrei
Numa dissertação que revisei recentemente, o aluno havia citado três autores diferentes usando apud, mas em dois deles o autor secundário (aquele que ele efetivamente leu) não mencionava o ano da obra original. Só havia o nome do autor e o título do livro traduzido. Ele ficou travado porque não sabia como preencher o campo "ano" na citação. A solução foi simples mas nem sempre óbvia: coloquei "(s.d. apud AUTOR SECUNDÁRIO, ANO)" no corpo do texto. O "s.d." significa "sem data", que é a abreviação padrão quando a informação não está disponível. Nunca invente um ano. Já vi pesquisadores colocarem o ano aproximado baseado no contexto, e isso é passível de reprovação em banca.
Pegadinhas que ninguém avisa
Primeiro: o apud não serve para você preguiçar. Se o autor original está disponível online, em base de dados ou numa biblioteca próxima, você deve ler a obra direta e citar normalmente. O apud é legítimo apenas quando o acesso à fonte original é realmente impraticável. Bancas percebem quando o aluno usa apud para algo que poderia ser encontrado com uma busca de cinco minutos no Google Acadêmico. Segundo: em trabalhos de conclusão de curso, alguns orientadores proíbem o uso de apud sem justificativa. Eu já vi isso acontecer. Se o seu edital ou regulamento menciona isso, obedeça. Se não menciona, mas seu orientador tem essa posição, não discuta. É mais fácil adaptar do que perder pontos por teimosia.
Terceiro: cite o apud sempre no primeiro momento em que o autor original aparece no seu texto. Não espere a terceira menção. E se você for citar o mesmo autor original várias vezes ao longo do trabalho, use apud na primeira e depois pode referenciar diretamente se conseguir acessar a obra original posteriormente.
Quando o apud não funciona
O principal ponto cego é em revisões sistemáticas e meta-análises. Quando você precisa mapear todas as referências originais de um campo, o apud é incompatível com o protocolo. Nesse caso, você precisa localizar a fonte primária mesmo que demande tempo extra. Revisores exigem isso e não aceitam atalhos. Outro caso onde o apud gera problemas é quando o autor secundário distorce ou resume mal a ideia do autor original. Nesse cenário, o ideal é tentar acessar a obra original. Se não der, deixe explícito na limitação do trabalho que a fonte foi consultada de forma indireta. Isso demonstra honestidade intelectual e evita acusações de má-fé.
Resumindo na prática: use apud quando for genuinamente necessário, formate corretamente conforme a norma da sua instituição, nunca invente informações bibliográficas e jamais esconda que você não leu a obra original. O resto é questão de costume.