Referências ABNT: o que funciona na prática
A NBR 6023 da ABNT é uma norma que todo estudante de graduação ou pós enfrenta pelo menos uma vez. O problema não é o formato em si, mas a inconsistência que as bancas costumam cobrar. Eu já perdi dois dias de revisão porque uma referência de site tinha data de acesso mal posicionada, e o orientador deixou passar três citações de livro sem local de publicação. O resultado foi correção obrigatória antes da defesa. O método básico é simples quando se sabe onde olhar. O padrão exige campos específicos em uma ordem definida: autor, título, subtítulo se houver, edição quando for diferente da primeira, local, editora, ano e, para fontes eletrônicas, data de acesso seguida do URL.
Como colocar referencias abnt passo a passo
Vamos direto ao ponto. Para um livro, a estrutura é esta: SOBRENOME, Nome. Título: subtítulo. X. ed. Cidade: Editora, Ano. Página inicial-final se for capítulo específico.
Um exemplo real que eu uso quando monto minhas listas: CHAU, J. F. O trabalho de escrever. São Paulo: Contexto, 2018.
Note que o sobrenome fica em maiúsculas, seguido por vírgula, depois o nome próprio. Título em itálico ou negrito, mas nunca os dois. Edições aparecem apenas a partir da segunda: "2. ed.", "3. ed." Se não tiver edição, não coloca nada. Para artigos de periódicos, a estrutura muda um pouco. Você coloca o título do artigo entre aspas duplas, o nome da revista em itálico, depois o volume, número, páginas e ano no final:
SILVA, M. A. "Introdução à análise de redes sociais". Revista Brasileira de Sociologia, São Paulo, v. 12, n. 3, p. 45-67, jan./mar. 2020. Existe uma pegadinha que quase todo mundo erra: a palavra "Artigo" aparece antes das informações da revista em algumas versões mais antigas da norma, mas nas revisões mais recentes (2002 e seguintes) isso caiu. Colocar hoje em dia gera reclamação da banca. Verifique sempre qual versão da NBR 6023 sua instituição exige.
Para sites e fontes eletrônicas, o campo data de acesso é obrigatório. Formato: "Disponível em:
IBGE. Estatísticas do século XXI. 2015. Disponível em:
Dica sobre ferramentas automatizadas
O Zotero e o Mendeley geram referências ABNT, mas não são perfeitos. O Zotero na versão mais recente gera local de publicação em branco quando a fonte é uma tese de doutorado. Eu desativo o plugin de geração automática e formato manualmente as três primeiras referências de cada trabalho, depois comparo com a geração automática. Isso leva cerca de 15 minutos extras, mas economiza horas de retrabalho depois. O EndNote também funciona, mas exige adaptação do estilo ABNT brasileiro. O download do arquivo .ens fica no site da ABNT ou em repositórios universitários. Versão 2023 do software já traz alguns ajustes, mas o campo "local de publicação" ainda aparece duplicado em fontes de periódicos online. Eu removo manualmente o segundo "São Paulo" quando aparece.
Quais tipos de fonte a norma cobre
A NBR 6023 lista mais de quinze tipos diferentes. Os principais são: livros, artigos de periódicos, capítulos de livros, sites, teses, dissertações, leis, sentenças judiciais, padrões técnicos, patentes, apresentações orais, trabalhos em eventos e documentos de órgãos públicos. Cada tipo tem variações específicas. Para leis, a estrutura é: nome da lei, número, data, ementa, se houver, e a fonte oficial onde foi publicada. Para patentes, colocamos número do pedido, titular, título, data de depósito, data de concessão e o órgão concededor.
Eu já vi estudantes confundirem a formatação de capítulos de livros com artigos de periódicos. A diferença principal é que capítulo de livro tem o título do capítulo entre aspas, seguido de "In:" em negrito, depois os dados dos organizadores e do livro. Artigo de revista não tem esse "In".
Quando a norma não se aplica
Existem situações onde a NBR 6023 não é suficiente. Tese de doutorado na área de engenharia com muitos apêndices e anexos exige a NBR 14724 para a estrutura geral do trabalho, mas as referências seguem a 6023. Relatórios técnicos de órgãos como CNPq ou Finep têm formatação própria que foge do padrão acadêmico comum. Fontes em línguas estrangeiras mantêm os campos originais, mas a tradução dos títulos é opcional e deve ser indicada com "[S.l.]" quando o local é desconhecido. Eu uso essa abreviatura quando encontro referências de revistas americanas sem informação clara de cidade.
O caso mais complicado que eu já enfrentei foi uma referência de página da web que não tinha data de publicação. O site não mostrava ano, mês ou dia em lugar nenhum. Minha solução foi usar "Sem data" em português e indicar "[2024-10-15]" entre parênteses, que é o formato ISO 8601 para data. Algumas bancas aceitam, outras pedem para remover tudo.
Erros comuns que geram reprovação
Eu recomendo atenção redobrada a estes pontos: Primeiro, vírgula após o sobrenome do autor. Colocar ponto final aqui é erro frequentíssimo. A vírgula separa sobrenome de nome próprio, depois vem o ponto após o nome completo. Erro: "CHAU. J. F." Certo: "CHAU, J. F."
Segundo, o uso de "et al." Quando há quatro autores ou mais, a norma permite "et al." a partir do segundo autor. Mas muitas instituições pedem todos os nomes até três. Verifique o manual da sua universidade antes de resumir. Terceiro, a ordem alfabética das referências no final do trabalho. Deve ser por sobrenome, não por título. Eu já vi listas ordenadas por título de livro, o que gera confusão na hora da revisão. Além disso, dentro de cada letra, a ordenação é por título quando os sobrenomes são iguais. Isso é útil quando dois autores diferentes compartilham o mesmo sobrenome.
Quarto, o destaque do título. Itálico, negrito ou grifado são aceitáveis, mas não pode misturar os três estilos no mesmo trabalho. Escolha um e mantenha. Eu prefiro itálico porque é mais discreto na impressão e não cansa a vista na leitura. Quinto, a indicação de "Disponível em" em referências eletrônicas. Alguns estudantes colocam isso antes do ano, outros depois. A norma diz para colocar após os dados bibliográficos completos, antes do acesso. Formato: "Disponível em:
O que fazer quando falta informação
A NBR 6023 prevê o uso de "[s.l.]", "[s.n.]" e "[s.d.]" para local, editora e data desconhecidos. Mas eu vejo estudantes deixando esses campos em branco, o que gera reclamação. Preencha sempre com as abreviações indicadas. Se não souber o local, escreva "[s.l.]". Se não souber a editora, "[s.n.]". Se não souber a data, "[s.d.]". Eu já tive uma referência de um site do governo federal onde a data de publicação estava oculta no código-fonte. Usei a tag "web.archive.org" para recuperar a versão mais antiga e encontrei o ano lá. Sem isso, eu teria colocado "[s.d.]" e a banca poderia reprovar.
Como conferir se está certo
A melhor forma é usar um comparador visual. Monte duas listas lado a lado: uma gerada automaticamente, outra formatada manualmente. Compare campo por campo. Isso costuma revelar inconsistências que passam despercebidas na leitura rápida. Outro método é pedir para um colega ler suas referências em voz alta. Se ele travar ou confundir um campo, provavelmente está errado. Eu uso esse truque quando termino um trabalho e quero validar antes de entregar.
O processo de conferência leva de 20 a 30 minutos para uma lista de trinta referências. Sem conferência, o tempo de correção pela banca pode dobrar. Já vi casos onde o estudante levou duas semanas para ajustar porque esqueceu de verificar um único campo.
Cenários onde a norma falha
Existem fontes que a NBR 6023 não cobre bem. Rede sociais como Twitter e Instagram não têm campos de editora nem local de publicação. A solução é tratar como "post" e indicar a plataforma entre colchetes: "[post]". Eu já vi referências de tweets formatados como sites normais, o que gera estranheza na leitura. Outro problema é a formatação de documentos digitais em PDF. A norma não distingue entre versão impressa e digital. Eu coloco "[PDF]" após o título quando a fonte é exclusivamente eletrônica, mas isso é uma convenção pessoal, não uma exigência da ABNT.
Fontes em línguas estrangeiras com título traduzido geram dúvida sobre qual forma usar na referência. A resposta é: use o título original e coloque a tradução entre colchetes após, se quiser. Mas algumas bancas preferem o título traduzido sem colchetes. Pergunte antes de decidir. O caso mais espinhoso que eu encontrei foi uma referência de vídeo no YouTube de uma palestra de conferência internacional. O canal não tinha editora clara. Minha solução foi usar o nome do organizador da conferência como editora e indicar "[vídeo]" após o título. Funcionou na maioria das bancas, mas uma reprovou e pediu para remover o "[vídeo]". Sempre verifique com seu orientador.
Referências ABNT: o que funciona na prática
A NBR 6023 da ABNT é uma norma que todo estudante de graduação ou pós enfrenta pelo menos uma vez. O problema não é o formato em si, mas a inconsistência que as bancas costumam cobrar. Eu já perdi dois dias de revisão porque uma referência de site tinha data de acesso mal posicionada, e o orientador deixou passar três citações de livro sem local de publicação. O resultado foi correção obrigatória antes da defesa. O método básico é simples quando se sabe onde olhar. O padrão exige campos específicos em uma ordem definida: autor, título, subtítulo se houver, edição quando for diferente da primeira, local, editora, ano e, para fontes eletrônicas, data de acesso seguida do URL.
Como colocar referencias abnt passo a passo
Vamos direto ao ponto. Para um livro, a estrutura é esta: SOBRENOME, Nome. Título: subtítulo. X. ed. Cidade: Editora, Ano. Página inicial-final se for capítulo específico.
Um exemplo real que eu uso quando monto minhas listas: CHAU, J. F. O trabalho de escrever. São Paulo: Contexto, 2018.
Note que o sobrenome fica em maiúsculas, seguido por vírgula, depois o nome próprio. Título em itálico ou negrito, mas nunca os dois. Edições aparecem apenas a partir da segunda: "2. ed.", "3. ed." Se não tiver edição, não coloca nada. Para artigos de periódicos, a estrutura muda um pouco. Você coloca o título do artigo entre aspas duplas, o nome da revista em itálico, depois o volume, número, páginas e ano no final:
SILVA, M. A. "Introdução à análise de redes sociais". Revista Brasileira de Sociologia, São Paulo, v. 12, n. 3, p. 45-67, jan./mar. 2020. Existe uma pegadinha que quase todo mundo erra: a palavra "Artigo" aparece antes das informações da revista em algumas versões mais antigas da norma, mas nas revisões mais recentes (2002 e seguintes) isso caiu. Colocar hoje em dia gera reclamação da banca. Verifique sempre qual versão da NBR 6023 sua instituição exige.
Para sites e fontes eletrônicas, o campo data de acesso é obrigatório. Formato: "Disponível em:
IBGE. Estatísticas do século XXI. 2015. Disponível em:
Dica sobre ferramentas automatizadas
O Zotero e o Mendeley geram referências ABNT, mas não são perfeitos. O Zotero na versão mais recente gera local de publicação em branco quando a fonte é uma tese de doutorado. Eu desativo o plugin de geração automática e formato manualmente as três primeiras referências de cada trabalho, depois comparo com a geração automática. Isso leva cerca de 15 minutos extras, mas economiza horas de retrabalho depois. O EndNote também funciona, mas exige adaptação do estilo ABNT brasileiro. O download do arquivo .ens fica no site da ABNT ou em repositórios universitários. Versão 2023 do software já traz alguns ajustes, mas o campo "local de publicação" ainda aparece duplicado em fontes de periódicos online. Eu removo manualmente o segundo "São Paulo" quando aparece.
Quais tipos de fonte a norma cobre
A NBR 6023 lista mais de quinze tipos diferentes. Os principais são: livros, artigos de periódicos, capítulos de livros, sites, teses, dissertações, leis, sentenças judiciais, padrões técnicos, patentes, apresentações orais, trabalhos em eventos e documentos de órgãos públicos. Cada tipo tem variações específicas. Para leis, a estrutura é: nome da lei, número, data, ementa, se houver, e a fonte oficial onde foi publicada. Para patentes, colocamos número do pedido, titular, título, data de depósito, data de concessão e o órgão concededor.
Eu já vi estudantes confundirem a formatação de capítulos de livros com artigos de periódicos. A diferença principal é que capítulo de livro tem o título do capítulo entre aspas, seguido de "In:" em negrito, depois os dados dos organizadores e do livro. Artigo de revista não tem esse "In".
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Quando a norma não se aplica
Existem situações onde a NBR 6023 não é suficiente. Tese de doutorado na área de engenharia com muitos apêndices e anexos exige a NBR 14724 para a estrutura geral do trabalho, mas as referências seguem a 6023. Relatórios técnicos de órgãos como CNPq ou Finep têm formatação própria que foge do padrão acadêmico comum. Fontes em línguas estrangeiras mantêm os campos originais, mas a tradução dos títulos é opcional e deve ser indicada com "[S.l.]" quando o local é desconhecido. Eu uso essa abreviatura quando encontro referências de revistas americanas sem informação clara de cidade.
O caso mais complicado que eu já enfrentei foi uma referência de página da web que não tinha data de publicação. O site não mostrava ano, mês ou dia em lugar nenhum. Minha solução foi usar "Sem data" em português e indicar "[2024-10-15]" entre parênteses, que é o formato ISO 8601 para data. Algumas bancas aceitam, outras pedem para remover tudo.
Erros comuns que geram reprovação
Eu recomendo atenção redobrada a estes pontos: Primeiro, vírgula após o sobrenome do autor. Colocar ponto final aqui é erro frequentíssimo. A vírgula separa sobrenome de nome próprio, depois vem o ponto após o nome completo. Erro: "CHAU. J. F." Certo: "CHAU, J. F."
Segundo, o uso de "et al." Quando há quatro autores ou mais, a norma permite "et al." a partir do segundo autor. Mas muitas instituições pedem todos os nomes até três. Verifique o manual da sua universidade antes de resumir. Terceiro, a ordem alfabética das referências no final do trabalho. Deve ser por sobrenome, não por título. Eu já vi listas ordenadas por título de livro, o que gera confusão na hora da revisão. Além disso, dentro de cada letra, a ordenação é por título quando os sobrenomes são iguais. Isso é útil quando dois autores diferentes compartilham o mesmo sobrenome.
Quarto, o destaque do título. Itálico, negrito ou grifado são aceitáveis, mas não pode misturar os três estilos no mesmo trabalho. Escolha um e mantenha. Eu prefiro itálico porque é mais discreto na impressão e não cansa a vista na leitura. Quinto, a indicação de "Disponível em" em referências eletrônicas. Alguns estudantes colocam isso antes do ano, outros depois. A norma diz para colocar após os dados bibliográficos completos, antes do acesso. Formato: "Disponível em:
O que fazer quando falta informação
A NBR 6023 prevê o uso de "[s.l.]", "[s.n.]" e "[s.d.]" para local, editora e data desconhecidos. Mas eu vejo estudantes deixando esses campos em branco, o que gera reclamação. Preencha sempre com as abreviações indicadas. Se não souber o local, escreva "[s.l.]". Se não souber a editora, "[s.n.]". Se não souber a data, "[s.d.]". Eu já tive uma referência de um site do governo federal onde a data de publicação estava oculta no código-fonte. Usei a tag "web.archive.org" para recuperar a versão mais antiga e encontrei o ano lá. Sem isso, eu teria colocado "[s.d.]" e a banca poderia reprovar.
Como conferir se está certo
A melhor forma é usar um comparador visual. Monte duas listas lado a lado: uma gerada automaticamente, outra formatada manualmente. Compare campo por campo. Isso costuma revelar inconsistências que passam despercebidas na leitura rápida. Outro método é pedir para um colega ler suas referências em voz alta. Se ele travar ou confundir um campo, provavelmente está errado. Eu uso esse truque quando termino um trabalho e quero validar antes de entregar.
O processo de conferência leva de 20 a 30 minutos para uma lista de trinta referências. Sem conferência, o tempo de correção pela banca pode dobrar. Já vi casos onde o estudante levou duas semanas para ajustar porque esqueceu de verificar um único campo.
Cenários onde a norma falha
Existem fontes que a NBR 6023 não cobre bem. Rede sociais como Twitter e Instagram não têm campos de editora nem local de publicação. A solução é tratar como "post" e indicar a plataforma entre colchetes: "[post]". Eu já vi referências de tweets formatados como sites normais, o que gera estranheza na leitura. Outro problema é a formatação de documentos digitais em PDF. A norma não distingue entre versão impressa e digital. Eu coloco "[PDF]" após o título quando a fonte é exclusivamente eletrônica, mas isso é uma convenção pessoal, não uma exigência da ABNT.
Fontes em línguas estrangeiras com título traduzido geram dúvida sobre qual forma usar na referência. A resposta é: use o título original e coloque a tradução entre colchetes após, se quiser. Mas algumas bancas preferem o título traduzido sem colchetes. Pergunte antes de decidir. O caso mais espinhoso que eu encontrei foi uma referência de vídeo no YouTube de uma palestra de conferência internacional. O canal não tinha editora clara. Minha solução foi usar o nome do organizador da conferência como editora e indicar "[vídeo]" após o título. Funcionou na maioria das bancas, mas uma reprovou e pediu para remover o "[vídeo]". Sempre verifique com seu orientador.
Referências ABNT: o que funciona na prática
A NBR 6023 da ABNT é uma norma que todo estudante de graduação ou pós enfrenta pelo menos uma vez. O problema não é o formato em si, mas a inconsistência que as bancas costumam cobrar. Eu já perdi dois dias de revisão porque uma referência de site tinha data de acesso mal posicionada, e o orientador deixou passar três citações de livro sem local de publicação. O resultado foi correção obrigatória antes da defesa. O método básico é simples quando se sabe onde olhar. O padrão exige campos específicos em uma ordem definida: autor, título, subtítulo se houver, edição quando for diferente da primeira, local, editora, ano e, para fontes eletrônicas, data de acesso seguida do URL.
Como colocar referencias abnt passo a passo
Vamos direto ao ponto. Para um livro, a estrutura é esta: SOBRENOME, Nome. Título: subtítulo. X. ed. Cidade: Editora, Ano. Página inicial-final se for capítulo específico.
Um exemplo real que eu uso quando monto minhas listas: CHAU, J. F. O trabalho de escrever. São Paulo: Contexto, 2018.
Note que o sobrenome fica em maiúsculas, seguido por vírgula, depois o nome próprio. Título em itálico ou negrito, mas nunca os dois. Edições aparecem apenas a partir da segunda: "2. ed.", "3. ed." Se não tiver edição, não coloca nada. Para artigos de periódicos, a estrutura muda um pouco. Você coloca o título do artigo entre aspas duplas, o nome da revista em itálico, depois o volume, número, páginas e ano no final:
SILVA, M. A. "Introdução à análise de redes sociais". Revista Brasileira de Sociologia, São Paulo, v. 12, n. 3, p. 45-67, jan./mar. 2020. Existe uma pegadinha que quase todo mundo erra: a palavra "Artigo" aparece antes das informações da revista em algumas versões mais antigas da norma, mas nas revisões mais recentes (2002 e seguintes) isso caiu. Colocar hoje em dia gera reclamação da banca. Verifique sempre qual versão da NBR 6023 sua instituição exige.
Para sites e fontes eletrônicas, o campo data de acesso é obrigatório. Formato: "Disponível em:
IBGE. Estatísticas do século XXI. 2015. Disponível em:
Dica sobre ferramentas automatizadas
O Zotero e o Mendeley geram referências ABNT, mas não são perfeitos. O Zotero na versão mais recente gera local de publicação em branco quando a fonte é uma tese de doutorado. Eu desativo o plugin de geração automática e formato manualmente as três primeiras referências de cada trabalho, depois comparo com a geração automática. Isso leva cerca de 15 minutos extras, mas economiza horas de retrabalho depois. O EndNote também funciona, mas exige adaptação do estilo ABNT brasileiro. O download do arquivo .ens fica no site da ABNT ou em repositórios universitários. Versão 2023 do software já traz alguns ajustes, mas o campo "local de publicação" ainda aparece duplicado em fontes de periódicos online. Eu removo manualmente o segundo "São Paulo" quando aparece.
Quais tipos de fonte a norma cobre
A NBR 6023 lista mais de quinze tipos diferentes. Os principais são: livros, artigos de periódicos, capítulos de livros, sites, teses, dissertações, leis, sentenças judiciais, padrões técnicos, patentes, apresentações orais, trabalhos em eventos e documentos de órgãos públicos. Cada tipo tem variações específicas. Para leis, a estrutura é: nome da lei, número, data, ementa, se houver, e a fonte oficial onde foi publicada. Para patentes, colocamos número do pedido, titular, título, data de depósito, data de concessão e o órgão concededor.
Eu já vi estudantes confundirem a formatação de capítulos de livros com artigos de periódicos. A diferença principal é que capítulo de livro tem o título do capítulo entre aspas, seguido de "In:" em negrito, depois os dados dos organizadores e do livro. Artigo de revista não tem esse "In".
Quando a norma não se aplica
Existem situações onde a NBR 6023 não é suficiente. Tese de doutorado na área de engenharia com muitos apêndices e anexos exige a NBR 14724 para a estrutura geral do trabalho, mas as referências seguem a 6023. Relatórios técnicos de órgãos como CNPq ou Finep têm formatação própria que foge do padrão acadêmico comum. Fontes em línguas estrangeiras mantêm os campos originais, mas a tradução dos títulos é opcional e deve ser indicada com "[S.l.]" quando o local é desconhecido. Eu uso essa abreviatura quando encontro referências de revistas americanas sem informação clara de cidade.
O caso mais complicado que eu já enfrentei foi uma referência de página da web que não tinha data de publicação. O site não mostrava ano, mês ou dia em lugar nenhum. Minha solução foi usar "Sem data" em português e indicar "[2024-10-15]" entre parênteses, que é o formato ISO 8601 para data. Algumas bancas aceitam, outras pedem para remover tudo.
Erros comuns que geram reprovação
Eu recomendo atenção redobrada a estes pontos: Primeiro, vírgula após o sobrenome do autor. Colocar ponto final aqui é erro frequentíssimo. A vírgula separa sobrenome de nome próprio, depois vem o ponto após o nome completo. Erro: "CHAU. J. F." Certo: "CHAU, J. F."
Segundo, o uso de "et al." Quando há quatro autores ou mais, a norma permite "et al." a partir do segundo autor. Mas muitas instituições pedem todos os nomes até três. Verifique o manual da sua universidade antes de resumir. Terceiro, a ordem alfabética das referências no final do trabalho. Deve ser por sobrenome, não por título. Eu já vi listas ordenadas por título de livro, o que gera confusão na hora da revisão. Além disso, dentro de cada letra, a ordenação é por título quando os sobrenomes são iguais. Isso é útil quando dois autores diferentes compartilham o mesmo sobrenome.
Quarto, o destaque do título. Itálico, negrito ou grifado são aceitáveis, mas não pode misturar os três estilos no mesmo trabalho. Escolha um e mantenha. Eu prefiro itálico porque é mais discreto na impressão e não cansa a vista na leitura. Quinto, a indicação de "Disponível em" em referências eletrônicas. Alguns estudantes colocam isso antes do ano, outros depois. A norma diz para colocar após os dados bibliográficos completos, antes do acesso. Formato: "Disponível em:
O que fazer quando falta informação
A NBR 6023 prevê o uso de "[s.l.]", "[s.n.]" e "[s.d.]" para local, editora e data desconhecidos. Mas eu vejo estudantes deixando esses campos em branco, o que gera reclamação. Preencha sempre com as abreviações indicadas. Se não souber o local, escreva "[s.l.]". Se não souber a editora, "[s.n.]". Se não souber a data, "[s.d.]". Eu já tive uma referência de um site do governo federal onde a data de publicação estava oculta no código-fonte. Usei a tag "web.archive.org" para recuperar a versão mais antiga e encontrei o ano lá. Sem isso, eu teria colocado "[s.d.]" e a banca poderia reprovar.
Como conferir se está certo
A melhor forma é usar um comparador visual. Monte duas listas lado a lado: uma gerada automaticamente, outra formatada manualmente. Compare campo por campo. Isso costuma revelar inconsistências que passam despercebidas na leitura rápida. Outro método é pedir para um colega ler suas referências em voz alta. Se ele travar ou confundir um campo, provavelmente está errado. Eu uso esse truque quando termino um trabalho e quero validar antes de entregar.
O processo de conferência leva de 20 a 30 minutos para uma lista de trinta referências. Sem conferência, o tempo de correção pela banca pode dobrar. Já vi casos onde o estudante levou duas semanas para ajustar porque esqueceu de verificar um único campo.
Cenários onde a norma falha
Existem fontes que a NBR 6023 não cobre bem. Rede sociais como Twitter e Instagram não têm campos de editora nem local de publicação. A solução é tratar como "post" e indicar a plataforma entre colchetes: "[post]". Eu já vi referências de tweets formatados como sites normais, o que gera estranheza na leitura. Outro problema é a formatação de documentos digitais em PDF. A norma não distingue entre versão impressa e digital. Eu coloco "[PDF]" após o título quando a fonte é exclusivamente eletrônica, mas isso é uma convenção pessoal, não uma exigência da ABNT.
Fontes em línguas estrangeiras com título traduzido geram dúvida sobre qual forma usar na referência. A resposta é: use o título original e coloque a tradução entre colchetes após, se quiser. Mas algumas bancas preferem o título traduzido sem colchetes. Pergunte antes de decidir. O caso mais espinhoso que eu encontrei foi uma referência de vídeo no YouTube de uma palestra de conferência internacional. O canal não tinha editora clara. Minha solução foi usar o nome do organizador da conferência como editora e indicar "[vídeo]" após o título. Funcionou na maioria das bancas, mas uma reproveu e pediu para remover o "[vídeo]". Sempre verifique com seu orientador.