Como Era Tratado O Autismo Antigamente - Historia Del Autismo : Revisión histórica sobre el autismo – JNSYU
Historia Del Autismo : Revisión histórica sobre el autismo – JNSYU

O diagnóstico e o tratamento do autismo mudaram drasticamente ao longo das décadas

O tratamento do autismo antigamente era completamente diferente do que vemos hoje, e entender essa trajetória explica muito sobre por que tantos adultos autistas hoje têm diagnósticos tardios ou conflitos com intervenções passadas. Antes dos anos 1980, a abordagem predominante em todo o mundo ocidental era baseada na teoria do psychogenic parent childhood, a famosa hipótese dos pais geladeira. Nesse modelo, o autismo era visto como consequência de uma criação emocionalmente distante, e as famílias eram culpabilizadas pelo desenvolvimento da condição. Isso significa que mães e pais recebiam conselhos para serem mais carinhosos, mais presentes, mais aquecidos — como se o transtorno fosse algo reversível apenas com afeto.

como era tratado o autismo antigamente

Na prática clínica, isso se traduzia em muitas coisas ruins. Crianças autistas eram colocadas em instituições psiquiátricas ou internadas por períodos prolongados. Houve um tempo em que os chamados treatments comportamentais abusivos eram normalizados: aversivos com choques elétricos, imersão forçada em água, restrição física. Nada disso era exceção. Era protocolo. A partir dos anos 1960,Leo Kanner e Hans Asperger já haviam descrito o que chamávamos de condition no início do século, mas a comunidade médica ainda lutava para classificar corretamente. O DSM-II, publicado em 1968, incluiu o "childhood schizophrenia" como categoria diagnóstica, e o autismo foi praticamente engolido pela esquizofrenia infantil. Isso significa que uma criança autista podia receber um diagnóstico de esquizofrenia e ser medicada com antipsicóticos de primeira geração — clozapina, haloperidol — em doses que hoje consideramos perigosas e inaceitáveis.

Um problema real que eu vi na prática foram os relatórios de avaliação que ainda hoje aparecem em consultórios, trazidos por adultos que foram diagnosticados erroneamente na infância. Muitos receberam o rótulo de esquizofrenia paranoide ou retardamento mental severo quando na verdade tinham TEA sem deficiência intelectual. Eu já vi um caso em que um homem de 42 anos recebeu alta de um hospital psiquiátrico com diagnóstico de esquizofrenia crônica, sendo que seus relatos de hiperacusia, interesses restritos e dificuldade de comunicação social eram indicadores clássicos de autismo. A correção veio décadas depois, só porque a família encontrou um neuropsicólogo que conhecia os critérios do DSM-IV. O DSM-III, lançado em 1980, mudou tudo isso. Pela primeira vez, o autismo foi separado da esquizofrenia e entrou como "infantile autism" no grupo dos disorders of early childhood. Isso foi um divisor de águas. A partir dali, começaram a surgir abordagens baseadas em evidências, especialmente a Análise do Comportamento Aplicada, ou ABA. Mas aqui entra um ponto que poucas pessoas entendem: o ABA dos anos 80 e 90 era radicalmente diferente do ABA moderno. O original, desenvolvido por Ivar Lovaas, usava reforço positivo combinado com punição. Sessões de até 40 horas semanais, sentado à mesa, repetindo sons até acertar, com correções físicas e verbais agressivas quando a criança não respondia. Esse método reduceu significativamente a taxa de necessidade de educação especial em alguns estudos, mas o custo emocional foi alto demais para deixar passar.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

O que poucos sabem é que mesmo hoje muitos centros ainda aplicam variantes do ABA aversivo sem chamar pelo nome. Já atendi familiares que relatavam crianças sendo impedidas de se autoestimular — tampar os ouvidos, segurar as mãos — enquanto recebia "terapia comportamental". A autoestimulação não é um sintoma a ser suprimido. É uma regulação sensorial. Quando você remove isso sem oferecer alternativa, a ansiedade da criança dispara e o comportamento problema que surge depois é pior do que qualquer estereotipia. Nos anos 1990 e 2000, a abordagem mudou para modelos mais centrados no desenvolvimento e nas relações. Floortime, modelo Denver, intervenções naturaisísticas. A ideia era seguir o interesse da criança, não forçar compliance. Isso representou um avanço real. Porém, ainda existe uma lacuna enorme: a maioria dos profissionais de saúde não recebe formação adequada em TEA na graduação. Um terapeuta ocupacional pode passar anos na faculdade e nunca ter contato com um paciente autista. Isso gera práticas baseadas mais em intuicação do que em evidência.

Outro ponto importante diz respeito aos medicamentos. Antigamente, psicofármacos eram receitados precocemente e em polypharmacy — múltiplos medicamentos simultâneos. Risperidona e aripiprazol são os únicos com aprovação do FDA para irritabilidade no autismo, mas o uso off-label de estabilizadores de humor, antipsicóticos atípicos e até metilfenidato era e ainda é comum. Eu já vi casos de crianças de 5 anos tomando três medicamentos simultaneamente para "comportamento agressivo", quando o que realmente precisavam era adaptação ambiental e comunicação alternativa. O problema não é medicar quando há indicação clara. O problema é usar medicação como primeira linha quando o ambiente e a comunicação são os verdadeiros gatilhos. Hoje, com o DSM-5 de 2013 e a ampliação do conceito para Transtorno do Espectro Autista, o diagnóstico é mais amplo e inclusivo. Mas a oferta de tratamento ainda está muito aquém da demanda. Em muitos lugares, uma fila de espera para avaliação multidisciplinar pode durar meses. E quando o diagnóstico finalmente chega, o plano terapêutico muitas vezes ainda mistura técnicas obsoletas com abordagens modernas, sem critério claro. O que funciona na prática é ter um time integrado: fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo e neurologista ou psiquiatra conversando entre si, com metas reais e mensuráveis, revisadas periodicamente.

Se você está lidando com alguém que foi diagnosticado há décadas com algo diferente de TEA e agora busca reavaliação, leve todos os prontuários antigos. A história clínica anterior pode ser tão importante quanto os testes atuais para entender o panorama completo. E questione qualquer profissional que proponha terapia baseada exclusivamente em supressão de comportamentos — seja qual for o nome que dê a ela.