Compor e decompor números na prática
A compostura e a decompisição de números é um dos pilares do letramento matemático no primeiro ano do ensino fundamental. A ideia central é entender que um número pode ser representado de diferentes formas — como 25 podendo ser escrito como 20 + 5 ou como 10 + 10 + 5. Isso parece simples, mas a forma como a criança internaliza esse conceito faz toda a diferença no longo prazo. No currículo brasileiro, essa habilidade está diretamente ligada ao campo numérico da BNCC, mais especificamente à sequência que trata da composição e decomposição de números naturais na faixa de 0 a 100, usando material concreto como palitos, contagem em blocos e a decomposição em unidades e dezenas. Não se trata apenas de saber que 34 é igual a 30 mais 4, mas de compreender que essa escrita posicional é flexível.
Compor e decompor números 1 ano
Na sala de aula, o processo costuma começar com materiais manipuláveis. Palitos de picolé agrupados em dezenas, blocos base 10, ábaco — qualquer coisa que permita à criança ver fisicamente que 10 unidades formam 1 dezena. O erro mais comum que eu vejo é pular direto para a escrita numérica sem garantir que a criança já construiu a noção concreta. Quando isso acontece, o aluno decora que 47 tem 4 dezenas e 7 unidades, mas não consegue reorganizar esses agrupamentos quando precisa fazer uma subtração com empréstimo dois anos depois. Uma questão que merece atenção é a variação da decomposição. Muitos professores tratam apenas da decomposição padrão (34 = 30 + 4), mas é útil mostrar que 34 também pode ser 20 + 10 + 4 ou 10 + 10 + 10 + 4. Isso prepara o terreno para o cálculo mental flexível no futuro.
Um problema específico que apareceu com frequência: crianças que dominavam a decomposição até 50 travavam completamente ao passar do 50 para o 60. O número 50, por ser redondo, parece mais fácil, mas na verdade funciona como uma barreira invisível. A estratégia que funcionou foi trabalhar com a sequência do 40 ao 60 repetidamente, mostrando que o 60 nada mais é do que 50 + 10, ou 5 dezenas e mais 1 dezena. A criança precisava enxergar a transição como uma soma adicional, não como um conceito novo. Outro detalhe prático são os exercícios de composição. Pedir para a criança montar um número a partir de dezenas e unidades separadas — por exemplo, juntar 3 pacotes de 10 palitos com 6 avulsos — pode ser feito com atividades muito simples em casa. Folhas de papel dobradas em 10 partes, canudinhos amarrados, ou até bolinhas de papel reciclado funcionam bem. O importante é que a criança faça a ação física de separar e juntar, não apenas preencher lacunas em worksheets.
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Vejo muitos materiais didáticos focarem demais em exercícios de preenchimento de lacunas tipo "30 + __ = 45", o que acaba transformando a atividade em mera memorização em vez de compreensão conceitual. Uma alternativa é propor problemas como: "João tem 48 figurinhas e quer formar grupos de 10. Quantos grupos ele consegue formar e quantas sobraram?" Isso mantém a criança ativa no raciocínio e conecta a decomposição a uma situação concreta. A decomposição de números também aparece naturalmente quando se trabalha a leitura e escrita por extenso. Escrever 56 como "cinquenta e seis" exige que a criança já tenha internalizado que 5 representa as dezenas e 6 as unidades. Se esse vínculo ainda não está consolidado, a escrita por extenso gera confusão — a criança pode escrever "cinqüenta e seis" com til, ou inverter a ordem, algo comum entre alunos que têm dificuldade em relacionar algarismos e valores posicionais.
Existe um ponto que poucos professores abordam com a devida clareza: a decomposição não se limita a grupos de 10. Quando a criança começa a lidar com números acima de 100, o conceito precisa ser estendido para centenas. Se o alicerce com dezenas não estiver sólido, a progressão para centenas e milhares se torna mecânica e frágil. Por isso, recomendo que se dedique tempo suficiente nessa fase inicial, mesmo que isso signifique atrasar ligeiramente a introdução de números maiores. Para quem busca materiais de apoio, existem opções gratuitas em portais como o Nova Escola, o Khan Academy Brasil e o portal do Ministério da Educação, com listas de exercícios diferenciadas por nível de dificuldade. O ideal é variar os formatos — numerais, figuras, texto — para que a criança não associe a habilidade apenas a um tipo específico de apresentação.
O acompanhamento doméstico também conta. Pais podem solicitar que a criança decomponha números do cotidiano: o preço de um produto, a placa do carro, a idade de familiares. Isso humaniza a prática e mostra que a matemática não existe só no caderno. A única ressalva é não forçar sessões longas — cinco a dez minutos diários são mais eficazes do que uma hora semanal intensa.