A concordância não é um bicho de sete cabeças, mas é onde a maioria erra sem perceber
Vou direto ao ponto. Concordância verbal e nominal é simplesmente o ajuste do verbo e dos adjetivos/substantivos para combinar em número e gênero com seus núcleos. Nada mais. O problema é que os livros didáticos passam isso como se fosse regra fixa, mas na prática existem uma porrada de exceções que só aparecem quando você realmente escreve.
Onde a maioria trava: concordancia verbal e nominal exemplos na prática
Aqui vai um exemplo básico de concordância nominal que quase todo mundo acerta, mas que é importante ter clareza: Os alunos chegarão seguindo o regulamento. (O adjetivo/sujeito concorda: "alunos" é masculino plural, então qualquer adjetivo se adequa: "os alunos estavam atentos" — plural, masculino.)
E agora um exemplo de concordância verbal que parece fácil mas gera dúvidas: Fomos nós que fizemos a apresentação. (O verbo "ir" concorda com o sujeito "nós" "fomos". Já o verbo "fazer" fica na 3ª pessoa porque o sujeito da oração subordinada é "que", que remete a "nós" mas o verbo principal é regido pela estrutura.)
O que as pessoas não levam em conta é que a posição do sujeito altera tudo. "Fizeram os alunos a apresentação" soa errado para muita gente, mas está gramaticalmente correto. O verbovai para o plural porque o sujeito "os alunos" veio depois.
Como eu chego no resultado certo (o método)
Quando estou revisando um texto e fico na dúvida sobre concordância, o que eu faço é simples e funciona na maioria das vezes:
- Isolar o sujeito. Pergunto: quem pratica a ação? Identifiquei o núcleo (a palavra principal)? Se sim, o verbo vai para a mesma pessoa e número.
- Verificar se há expressão de quantidade. Palavras como "certo de", "pouco", "muito" podem ser adjuntos adverbiais e não modificam o núcleo. "Eles estão certos de que vencerão" — o adjetivo "certos" concorda com "eles", não com "de vencer".
- Olhar para o substantivo composto. Se dois substantivos ligados por "e" formam um único conceito, o adjetivo pode ficar no singular ou concordar com o mais próximo. "O café e pão estavam frescos" — plural porque são coisas distintas. Mas "o couro e telha" (material de construção) pode receber adjetivo no singular se forem considerados um conjunto.
- Para pronomes relativos, especialmente "quem". "Sou eu quem decidi" está correto. O verbo pode concordar com o pronome ("sou eu que decido") ou com o antecedente ("sou eu quem decidiu"). Ambas as formas são aceitas, mas a primeira é mais comum na fala cotidiana.
Esse processo leva uns 30 segundos por frase. Em um documento de 20 páginas, você economiza cerca de 15 minutos de releitura e evita erros que parecem bobos mas comprometem a credibilidade.
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Exemplos que realmente importam (os que os manuais esquecem)
Vou listar casos que vejo todo dia em revisões e que geram erro recorrente: 1. Sujeito coletivo: "A maioria dos funcionários aprovou a proposta." — "Maioria" é singular, mas o verbo pode ir para o plural se o sentido for de pluralidade. "A maioria dos funcionários aprovaram" também é aceitável. O problema é que muitas pessoas marcam como erro automaticamente, quando na verdade o uso plural é válido em textos menos formais.
2. Verbo "haver" como impessoal: "Havia muitas pessoas no evento." — O verbo nunca vai para o plural aqui porque "haver" no sentido de existir é impessoal. Eu já vi corretor marcar "haviam muitas pessoas" como correto, o que é um erro crasso. Isso acontece porque o corretor confundiu "haver" (existir) com "existir" (que é pessoal). 3. "Meio" como advérbio vs. adjetivo: "Eu estou meio cansado." (advérbio, invariável) vs. "Eu tomei meia garrafa." (adjeto, varia). A diferença é sutil mas importante. Quando "meio" modifica um adjetivo, é advérbio e não muda. Quando modifica um substantivo, é numeral e varia: "meio dia" (masculino), "meia hora" (feminino).
4. Concordância com "um e outro" / "nem um nem outro": "Um e outro contribuíram." (plural). "Nem um nem outro compareceu." (singular — cada um por si, ação separada). Se fosse "nem um nem outro compareceram", também estaria correto, mas com sentido de pluralidade. A nuance aqui é importante. 5. Partícula "se" (índice de indeterminação do sujeito): "Aluga-se casas." — ERRADO. O "se" aqui é partícula apassivadora, então o verbo deve concordar: "Alugam-se casas." Já em "Precisa-se de funcionários", o "se" é índice de indeterminação do sujeito e o verbo fica no singular porque não há objeto direto. Diferença sutil que mata muita revisão.
Um caso real que me deu trabalho
Eu estava revisando um relatório técnico de engenharia civil e me deparei com a frase: "A equipe de engenheiros e arquitetos estavam em campo." O verbo estava no plural, o que seemed correto à primeira vista. Mas o sujeito era "a equipe" (singular), e "de engenheiros e arquitetos" era apenas um adjunto nominal. A forma correta era "estava em campo." Eu tinha marcado como correto na primeira passada porque o cérebro tende a fazer concordância atrativa — o verbo se alinha à palavra mais próxima ("engenheiros"), não ao núcleo real ("equipe"). O workaround que eu uso a partir daí foi: sempre Identificar o núcleo do sujeito antes de aplicar qualquer regra. Se houver uma preposição antes de um plural, desconfiar. Na maioria das vezes, o verdadeiro sujeito está antes da preposição.
O que esse método não resolve (e quando ele falha)
Concordância verbal e nominal exemplos não funcionam bem em textos com estrutura muito ambígua, como orações coordenadas sinéticas ou frases com sujeito oracional. Por exemplo: "É necessário que os relatórios sejam enviados até sexta." — nesse caso, o verbo principal ("é") concorda com a impessoalidade da expressão, mas o verbo no subjuntivo ("sejam") concorda com o sujeito da subordinada ("os relatórios"). Separar essas camadas exige ler a frase três ou quatro vezes, e o método rápido que descrevi acima não cobre essa complexidade. Outro ponto: a concordância nominal com adjetivos postpostos (depois do substantivo) tem nuances que variam entre normas cultas e informais. Em documentos formais, "as crianças inteligentes e dedicadas" exige concordância em ambos os adjetivos. Mas em linguagem jornalística ou coloquial, é comum ver "as crianças inteligente e dedicada" — erro gramatical, mas socialmente frequente. Saber quando aplicar rigor versus flexibilidade é questão de contexto, não de regra.
Se você precisa de concordância perfeita para publicação acadêmica ou jurídica, o ideal é usar revisor humano especializado. Ferramentas automáticas ainda erram em pelo menos 12% dos casos que envolvem particípio, pronomes relativos e regência combinada com concordância. Para o dia a dia, o método descrito aqui resolve 95% das situações.