Concordancia Verbal O Que É - Concordância verbal: o que é, regras, exemplos e exercícios
Concordância verbal: o que é, regras, exemplos e exercícios

O que é concordância verbal e como aplicar na prática

A concordância verbal é um daqueles assuntos que todo mundo aprende na escola, mas poucos sabem explicar com propriedade quando precisam escrever algo de verdade. O básico é simples: o verbo deve concordar com o sujeito em número e pessoa. Sujeito no singular pede verbo no singular, sujeito no plural pede verbo no plural. O problema é que a gramática brasileira é cheia de situações onde essa regra não funciona como você espera. Eu já perdi mais tempo do que gostaria contando quantas vezes vi gente confusa usando o verbete certo, mas com a concordância errada, principalmente quando o sujeito vem depois do verbo ou quando há expresses como "é necessário" ou "basta". Vamos dar uma olhada no que isso significa na prática.

concordancia verbal o que é

No sentido técnico, concordância verbal refere-se à harmonia entre o verbo e seu sujeito. Isso significa que a flexão do verbo precisa refletir as características do sujeito. Se o sujeito é "os alunos", o verbo vai para a terceira pessoa do plural: "os alunos chegaram". Se o sujeito é "o aluno", o verbo fica no singular: "o aluno chegou". A lógica é direta. A aplicação nem tanto. Um dos problemas mais comuns que eu vejo surgindo no dia a dia é quando o sujeito é composto e vem anteposto ao verbo. A regra parece clara: "O pai e a mãe chegaram cedo". Verbo no plural. Mas aí aparece alguém e escreve "O pai e a mãe chegou cedo", achando que pode usar o singular porque os dois elementos formam uma unidade. Isso está errado. Quando o sujeito é composto, o verbo vai obrigatoriamente para o plural.

Outro caso que causa confusão recorrente envolve o verbo "haver" no sentido de existir. Muita gente escreve "Hão muitos problemas" quando deveria ser simplesmente "Há muitos problemas". O verbo haver, quando usado comoauxiliarsingular, não se flexiona no plural. Essa é uma exceção importante que pouca gente domina.

Casos onde a concordância não é tão óbvia assim

Vou te contar um exemplo concreto que eu encontrei recentemente. Estava revisando um documento onde o autor escrevia: "É necessário mais dois técnicos para o setor". A princípio, tudo parece certo. "É necessário" no singular, porque o sujeito seria "mais dois técnicos". Mas aí você para e pensa: qual é mesmo o sujeito aqui? A resposta depende de como você estrutura a frase. Se o sujeito é "mais dois técnicos", então o correto seria "São necessários mais dois técnicos para o setor". Mas se você tratar "é necessário" como uma expressão impessoal, aí o verbo fica no singular mesmo: "É necessário mais dois técnicos". A ambiguidade é real, e ambas as versões aparecem em textos aceitáveis. O detalhe é saber quando usar cada uma.

Outro caso que eu considero particularmente traiçoeiro é o uso de "um dos que". Quando dizemos "ela é uma das pessoas que chegaram atrasados", o verbo vai para o plural porque o relativo "que" se refere a "pessoas", que está no plural. Muita gente erroneamente coloca o verbo no singular, pensando que o referente seria "ela". Esse é um erro comum que até editores às vezes deixam passar.

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Dicas práticas para não errar

A primeira coisa que eu recomendo é sempre identificar o sujeito da oração antes de escolher a flexão verbal. Se você estiver dúvida, tente transformar a frase no negativo ou interrogação. Às vezes, isso ajuda a visualizar melhor quem pratica a ação. Por exemplo, em vez de perguntar "Obrigaram-no a sair?", pergunte "Fizeram-no sair?". A segunda versão soa mais natural e deixa claro que o sujeito é "eles", exigindo o verbo no plural. Outra dica útil é prestar atenção quando o sujeito vem posposto ao verbo, especialmente com verbos como "ocorrer", "acontecer", "existir". Nesses casos, a concordância deve ser feita com o sujeito, não com o verbo no singular por padrão. "Ocorreram vários problemas" está correto porque o sujeito "vários problemas" está no plural.

Quando se trata de coletivos ou expressões como "a maioria", "grande parte", "a maior parte", a flexão pode variar dependendo do que vem depois. "A maioria dos funcionários faltou" ou "A maioria dos funcionários faltaram" podem ambos ser aceitos, mas a primeira forma tende a ser mais comum na escrita formal.

Quando a concordância falha e o que fazer nesses casos

Existem situações onde a concordância verbal tradicional simplesmente não se aplica de forma limpa. Um exemplo clássico é o uso do particípio com auxiliares como "ter" e "haver". Na norma culta, o particípio deve concordar com o sujeito quando o auxiliar é "ser" ou "estar", mas permanece invariável quando o auxiliar é "ter" ou "haver". "A carta foi escrita por mim" versus "Eu tenho escrito cartas regularmente". A diferença é sutil, mas importante. Outro ponto onde muita gente tropeça é com a concordância do verbo "gostar" quando acompanhado de preposição. Dizer "gostei muito do filme" está correto. Já "gostei muito do filmes" soa estranho, e o correto seria "gostei muito dos filmes". O verbo "gostar" exige a preposição "de", e o artigo ou pronome que vem depois deve concordar em gênero e número com o substantivo.

Infelizmente, não existe uma solução única para todos os casos de concordância. A gramática portuguesa é cheia de exceções e nuances que dependem do contexto, do registro formal ou informal, e até da região. O melhor caminho é ler bastante, observar como textos bem escritos lidam com essas situações, e praticar a escrita com atenção aos detalhes.

Recursos para praticar

Se você quer melhorar sua concordância verbal, existem algumas ferramentas úteis. O Ciberdúvidas, do Instituto Campos Gerais, é um bom ponto de partida para tirar dúvidas específicas. Também recomendo consultar gramáticas de referência como a do Celso Pedro Luft ou a do Evanildo Bechara, que trazem explicações detalhadas com exemplos práticos. Para quem prefere algo mais interativo, sites como Clube Português e Gramática ativa oferecem exercícios e quizzes que ajudam a fixar os conceitos. A chave é não apenas ler as regras, mas aplicá-las ativamente na escrita e na revisão dos próprios textos.

Um aviso sobre as limitações

Vale ressaltar que, apesar de todas as regras e dicas, a concordância verbal é um campo onde a norma padrão nem sempre reflete o uso real da língua. Em muitos contextos informais, as pessoas se permitem flexibilidades que a gramática normativa não contempla. Isso não significa que as regras sejam irrelevantes, mas sim que o domínio delas é mais importante em contextos formais, acadêmicos e profissionais. Em resumo, concordância verbal é mais do que seguir uma receita mecânica. É entender como a língua funciona, perceber as sutilezas e saber quando aplicar cada regra. Com prática e atenção, essa habilidade melhora significativamente, tornando sua escrita mais clara e precisa.