Conectivo De Retomada - Tabela De Conectivos _ Conectivos para Redação – FFPKG
Tabela De Conectivos _ Conectivos para Redação – FFPKG

O que são conectivos de retomada e por que você provavelmente os usa errado

Conectivo de retomada é qualquer expressão discursiva que permite ao autor retomar uma linha de argumentação interrompida, seja por um desvio, uma objeção, uma pausa ou simplesmente porque o fluxo natural do texto demandou uma mudança de direção. O objetivo é reconectar o raciocínio atual ao ponto de partida original, mantendo a coesão sem soar repetitivo ou artificial. Os exemplos mais comuns incluem expressões como "retomando", "voltando ao ponto", "como já afirmado", "nesse sentido", "desde que", "por isso mesmo" e construções mais sofisticadas como "em consonância com o que foi estabelecido". Na prática, o conectivo de retomada não é apenas um marcador de coesão. Ele carrega responsabilidade retórica. Quando bem posicionado, ele informa ao leitor que o argumento anterior não foi abandonado, apenas deslocado. Quando mal utilizado, cria a impressão de que o autor perdeu o fio da meada e está tentando se justificar. A diferença entre os dois cenários é muito menor do que a maioria dos redatores profissionais admite.

Como escolher o conectivo de retomada certo

A escolha depende de três fatores: o nível de formalidade do texto, o tipo de interrupção que ocorreu antes do ponto de retomada e a distância entre o ponto retomado e o ponto atual. Textos jurídicos exigem conectivos mais explícitos, como "conforme se depreende do dispositivo anterior" ou "em continuidade ao exposto". Ensaios acadêmicos aceitam algo como "retomando a discussão sobre...". Textos jornalísticos ou argumentativos informais podem usar "voltando ao assunto" ou simplesmente "como dissemos". O erro mais frequente é usar o mesmo conectivo de retomada em contextos diferentes. Se você usou "retomando" para reconnectar após uma digressão, não repita a mesma palavra três parágrafos depois para retomar outro argumento. O leitor percebe. A sensação é de pobreza vocabular, e a credibilidade argumentativa cai junto. A solução é mapear os diferentes tipos de retomada que seu texto precisa antes de escrever — ou durante o rascunho, pelo menos.

Há ainda uma nuance que poucos consideram: o conectivo de retomada funciona melhor quando aparece no início do parágrafo, mas nem sempre. Em textos longos, posicioná-lo no meio da frase pode criar uma cadência mais fluida, especialmente quando a retomada é leve e se mistura à continuação do pensamento. Teste as duas versões. Leia em voz alta. A que soa menos forçada é a correta.

Um caso real que quase custou um parecer jurídico

Eu estava revisando um parecer técnico para uma demanda envolvendo responsabilidade civil em contrato de prestação de serviços. O advogado responsável havia construído uma linha argumentativa sólida nos primeiros quatro tópicos, mas no quinto, ao tentar retomar a tese central após uma longa análise de jurisprudência, utilizou a expressão "diante do exposto" como conectivo de retomada. O problema era que "diante do exposto" não retoma — ele encerra. É um conectivo conclusivo, não retomativo. O uso errado transformou o início de uma nova seção argumentativa em uma conclusão prematura, como se todo o parágrafo posterior fosse apenas um resumo do que já havia sido decidido. A correção foi simples: substituímos por "retomando a tese da responsabilidade objetiva" e reestruturamos a transição para que o leitor percebesse que o argumento anterior havia sido apenas pausado, não finalizado. O parecer ganhou coerência. O cliente não precisou de uma segunda revisão. Gastei cerca de vinte minutos na correção que poderia ter levado horas se o erro fosse identificado apenas na fase de impugnação.

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Pitfalls avançados que ninguém ensina

O primeiro erro avançado é a retomada vazia: usar um conectivo de retomada sem realmente retomar nada substancial. Isso acontece quando o autor insere "como visto anteriormente" para dar a aparência de estrutura, mas o parágrafo seguinte continua um raciocínio independente, sem conexão real com o trecho anterior. O conectivo fica aí como decoração. O leitor sente o vazio, mesmo sem conseguir nomeá-lo. O segundo é a sobrerretomada. Alguns autores sentem que precisam confirmar a cada dois parágrafos que estão retomando o assunto. Isso gera um efeito de eco constante: "retomando", depois "voltando ao ponto", depois "como já dito", todos no mesmo trecho. O texto parece inseguro. A argumentação perde força porque o autor demonstra que não confia no fio condutor que ele mesmo criou.

Uma técnica que funciona na maioria dos casos é a retomada implícita. Em vez de anunciar explicitamente que você está retomando, reutilize um conceito, termo ou afirmação-chave do ponto anterior como ponto de partida do próximo parágrafo. Isso cria continuidade orgânica sem necessidade de marcadores artificiais. O conectivo de retomada tradicional ainda é útil, mas em textos bem construídos, ele aparece com economia — não como muleta, mas como sinalizador estratégico.

Quando evitar o conectivo de retomada completamente

Existem situações em que qualquer conectivo de retomada piora o texto. O principal cenário é quando a interrupção foi intencional e deliberada — por exemplo, quando o autor inseriu deliberadamente um contra-argumento para refutá-lo em seguida. Nesse caso, a retomada não precisa de marcação. A própria estrutura de tese-antítese-síntese já sinaliza o retorno. Forçar um conectivo nesse contexto soa redundante e enfraquece o impacto da refutação. Outro caso é em textos curtos, abaixo de mil palavras. A economia de linhas já garante a coesão. Inserir conectivos de retomada nesses contextos adiciona peso desnecessário e alonga frases que poderiam ser mais diretas. Se o texto é curto e bem estruturado, o conectivo de retomada é supérfluo. Se o texto é longo e bem estruturado, o conectivo é discreto. A regra funciona em ambos os extremos.

Checklist rápido para aplicar no seu próximo texto

Antes de fechar qualquer argumento que envolva retomada, verifique estes cinco pontos: o conectivo escolhido corresponde ao tipo de interrupção que ocorreu? Ele posiciona o leitor corretamente em relação ao argumento original? Evitou repetições de conectivos usados anteriormente no mesmo texto? A retomada é real — ou seja, o parágrafo seguinte se conecta de fato ao ponto retomado? E, por último, existe uma alternativa mais orgânica que não dependa de um conectivo explícito? Se a resposta para todas for sim, o conectivo de retomada está bem empregado. Se alguma resposta foi não, revise antes de publicar. A diferença entre um texto que convence e um que apenas parece organizado é frequentemente essa atenção aos detalhes que ninguém comenta em manuais de redação.