Conectivos Redação Dissertativa Argumentativa - MAPA MENTAL SOBRE CONECTIVOS PARA A REDAÇÃO - Maps4Study
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A verdade sobre conectivos que ninguém te conta

Muitos alunos acham que dominar conectivos é decorat uma lista de palavras e jogar no início dos parágrafos. A realidade é mais simples e mais chata. O conector precisa, antes de tudo, responder a uma pergunta lógica: qual é a relação entre a ideia que você acabou de expor e a ideia que vem agora? Eu já corrigi centenas de redações. A maior parte dos erros não está em usar o conector errado. Está em usar um conector quando não há nenhuma relação lógica para conectar. O avaliador nota isso na hora. A frase fica artificial, parecendo um exercício de português separado do raciocínio.

O que você precisa saber sobre conectivos redação dissertativa argumentativa

Existem basicamente três camadas de conectivos. A primeira é a mais óbvia: os de adição e oposição. "Ademais", "contudo", "porém", "entretanto". Você usa para somar um argumento ou contrastá-lo com o anterior. A segunda camada é a de causalidade e consequência. "Portanto", "logo", "visto que", "pois". Aqui você mostra que algo é causa ou efeito de outra coisa. A terceira camada, e onde a maioria erra, é a de concessão e conclusão. "Embora", "ainda que", "diante disso", "em vista disso". Essas são mais sofisticadas, mas também as mais perigosas se usadas sem clareza. O problema que eu vejo todo ano é o mesmo. O aluno coloca "portanto" no início de um parágrafo sem que a conclusão anterior tenha sido realmente estabelecida. O conector exige antecedente lógico. Sem ele, vira um sinal de trânsito para lugar nenhum.

Quando eu estava formando, fiz uma prova em que precisei usar "embora" introduzindo um contra-argumento que eu mesmo queria refutar na sequência. O resultado foi um texto com duas ideias colidindo sem ponte. Depois de alguns meses estudando mais, entendi que o correto seria ter separado o contra-argumento em um parágrafo próprio e usar "no entanto" ou "por outro lado" na transição, construindo a refutação de forma mais clara. Evite embolar concessão com oposição. São coisas diferentes.

Como escolher na hora da escrita

Antes de escrever qualquer parágrafo, pergunte-se: qual é a função dele? Ele vai apresentar um fato? Apresentar um contra-argumento? Consolidar uma conclusão? A resposta define qual conector cabe ali. Se for apresentar um agravante, use "além disso". Se for mostrar a consequência de algo dito no parágrafo anterior, " assim" ou "portanto". Se for abrir uma ressalva, "ainda que" ou "embora". Não existe conector universal. Cada um tem um peso diferente. "Contudo" é mais forte que "porém". "Embora" exige que a cláusula seguinte tenha peso argumentativo real. Usar "embora" só para enfeitar soa falso. Eu já vi candidatos colocarem "diante disso" em parágrafos onde não havia nada que se referisse. O conector ficou flutuando no ar, sem ancoragem textual.

Outro detalhe prático. Evite repetir o mesmo conector duas vezes na mesma redação. Varie, mas só se variar com sentido. Trocar "contudo" por "entretanto" por "no entanto" por "todavia" em parágrafos diferentes funciona bem. Misturar todos no mesmo parágrafo é o oposto.

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Erros comuns e como evitar

O erro mais frequente é começar todos os parágrafos com conectivos de adição. Isso dá a impressão de que o texto é uma lista, não um raciocínio estruturado. O segundo erro mais comum é usar conectivos temporais ("primeiramente", "em seguida") em vez de lógicos. A cronologia não é argumento. Outro problema sério é o uso de "logo" e "portanto" de forma equivocada. Esses conectivos indicam conclusão derivada de premísseas anteriores. Se o parágrafo anterior não contém uma premissa que suporte a conclusão, o conector é inválido. Na prática, significa que você não pode terminar um parágrafo com "portanto" se o conteúdo anterior não justificar logicamente aquilo que você está afirmando.

Também é comum ver "mas" no início de parágrafo. Em textos formais, prefira "mas" no meio da oração. Iniciar com "mas" é aceitável na língua falada, mas em escrita dissertativa soa informal e prejudica a pontuação. O correto é "mas" seguido de vírgula, ou melhor ainda, substituir por "contudo" com ponto e vírgula antes.

Um exemplo prático

Imagine que você está desenvolvendo o argumento de que a desigualdade social aumenta a violência. No primeiro parágrafo, você mostra dados. No segundo, precisa introduzir um contra-argumento: que a violência também pode ser causada por fatores culturais. Nesse ponto, o conector adequado seria "por outro lado" ou "no entanto". Se você usar "além disso", estará dizendo que a cultural se soma ao econômico, o que pode estar certo, mas muda completamente a direção do argumento. A escolha errada do conector altera o sentido do texto. O terceiro parágrafo poderia retomar a refutação do contra-argumento com "entretanto", seguido de uma explicação de por que o fator econômico predomina. O quarto, a conclusão com "diante do exposto" ou "logo". Note que cada conector tem uma função específica na cadeia lógica.

Limitações importantes

Conectivos bem usados melhoram a coesão textual, mas não salvam texto mal estruturado. Se o parágrafo central não tem argumento, nenhuma variação de conectivos vai resolver. O avaliador percebe isso em segundos. O conector é uma ferramenta de organização, não de criação de conteúdo. Outra limitação é o risco de excesso. Textos com conectivos demais soam artificiais. O ideal é usar entre um e dois conectivos por parágrafo, nos pontos de transição mais relevantes. Mais do que isso compete com o conteúdo em vez de apoiá-lo.

Resumo prático

Escolha o conector com base na relação lógica entre ideias, não por hábito ou decorar. Evite repetições. Respeite o peso de cada termo. Use conectivos causais apenas quando a causalidade existir de verdade. E nunca use "portanto" como muleta quando a conclusão não estiver respaldada pelo que foi dito antes. A coerência lógica é mais importante do que a variedade de vocabulário. Um texto com cinco conectivos usados corretamente vale mais do que um com quinze espalhados sem critério.