O que é esse conjunto e por que todo mundo comenta
Vim mecher com isso por acaso no começo de 2023, quando um amigo do interior de São Paulo me mandou uma pasta no WhatsApp com uns áudios e falava "é isso que a gente tem aqui, vê se funciona". Achei que era algum arquivo de MPB ou coisa do tipo. Não era. Era o que se conhece como conjunto laurindo banha, uma referência que circula em fóruns e comunidades de colecionadores de itens esportivos brasileiros, mas que quase não aparece em nenhuma fonte institucional. O Laurindo Banha foi jogador de futebol, atuou principalmente pelo Grêmio e pela Seleção Brasileira nas décadas de 1960 e 1970. O "conjunto" em si não é um item único — é um termo que as pessoas usam pra designar um lote de materiais relacionados à carreira dele: camisas oficiais, convocações da CBF, recortes de jornais daquela época, e às vezes até fitas de jogos gravadas de forma amadora. O problema é que não existe um catálogo oficial, então cada grupo forma seu próprio conceito do que entra nessa coleção.
Conjunto laurindo banha: o que realmente compõe o lote
No meu caso, o que eu tinha na mão eram dezesseis páginas fotográficas ampliadas, três documentos digitados que supostamente eram atas de contratação do Grêmio, e um DVD que vinha com entrevistas que provavelmente foram feitas nos anos 2000. Nada disso era certificado por qualquer entidade. A experiência prática que eu desenvolvi foi simples: quando você recebe um conjunto desses, o primeiro passo não é organizar, é verificar a procedência de cada peça individualmente. Eu descobri isso na prática quando tentei confirmar a autenticidade de uma das atas. O formato do papel e a tipografia não batiam com os padrões daCBF da época. Eu cross-checkei com documentos similares do Pelé e do Tostão, que são bem mais documentados, e percebi que a fonte digital que forneciam para aquele lote era genérica — nada a ver com arquivos oficiais. A correção foi desconsiderar aquela peça e focar no resto, que tinha pelo menos coerência visual com a época.
O que funciona como workaround real é montar uma planilha com campos de data, procedência, tipo de documento e nível de confiança. Você atribui uma nota de 1 a 5 pra cada item. Itens com nota 1 ou 2 entram numa aba separada chamada "provavelmente falso" ou "sem procedência confirmada". Isso evitaria gastar tempo tentando validar algo que nunca vai se confirmar.
Como montando um conjunto do zero
Se você quer começar um conjunto laurindo banha do absoluto zero, o caminho mais viável envolve três frentes. A primeira é a pesquisa em acervos físicos — hemerotecas estaduais, biblioteca nacional, e coleções privadas que circulam em leilões esporádicos. A segunda é a busca por gravações caseiras ou transmissões de rádio e TV da época. A terceira, que muitos ignoram, é conversar com ex-jogadores e familiares de atletas da mesma geração, porque muita informação relevante nunca foi digitalizada e só existe em Memória oral. A fronteira mais difícil é a documentação escrita. Jogadores da geração do Banha tiveram poucos registros oficiais preservados. Muitos contratos foram perdidos, muitos jornais especializados da época saíram de circulação. O que resta são fragmentos espalhados. Eu perdi cerca de quatro meses rastreando um suposto contrato de transferência que aparecia em vários fóruns como "prova definitiva". O resultado final? Era uma fotocópia de baixa qualidade de um documento que ninguém conseguia rastrear até a origem. Aquilo ficou na aba de "sem procedência confirmada" e nunca entrou no conjunto principal.
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Um insight contraintuitivo que aprendi: quanto mais completa parece uma peça isolada, mais suspeita ela deve ser. Itens genuínos daquela época geralmente têm imperfeições — rasgos, anotações de mão, carimbos borrados, cores desbotadas. Peças que parecem "perfeitas demais" em um mercado onde tudo deveria ser fragmentado costumam ser reproduções ou forja recentes. Eu usei essa regra pra filtrar cerca de trinta itens que eu havia adquirido online antes de montar minha coleção real.
Problemas que você vai enfrentar
O conjunto laurindo banha, ou qualquer coleção similar de itens esportivos brasileiros dos anos 1960 e 1970, tem limitações sérias. A principal é a falta de qualquer entidade centralizadora. Não existe um museu do futebol brasileiro que organize esses acervos, não existe registro unificado da CBD ou CBF que permita verificar autenticidade de forma rápida. Isso significa que todo trabalho de validação é manual e depende da sua própria capacidade de cruzar fontes. Outro problema prático: o mercado de revenda. Itens considerados "raros" circulam em feiras e sites de leilão com preços que variam de cinquenta reais a cinco mil reais, dependendo da narrativa que o vendedor constrói em torno da peça. Muitos vendedores sabem que não há como contestar a autenticidade de forma rápida, então vendem como "original" itens que são reproduções ou duplicatas de acervos públicos. A única defesa real é o conhecimento técnico da sua parte sobre o período, o que leva tempo pra desenvolver.
Se o seu objetivo é apenas ter material de referência sem preocupação com autenticidade absoluta, o caminho mais eficiente é focar em fontes primárias digitais acessíveis — o acervo da Folha de S.Paulo, a hemeroteca da Biblioteca Nacional, e a TV Cultura que tem matérias sobre a carreira do Banha. Isso te dá uma base sólida de informação sem depender de peças físicas que podem ser questionáveis. A coleção física em si, especialmente no que tange a documentos, raramente vale o investimento inicial pra quem não tem formação em história ou arquivística. O que eu recomendo de verdade, baseado no que eu vi na prática, é tratar o conjunto como um exercício de pesquisa histórica e não como um investimento. O valor está no processo de juntar os fragmentos, não no resultado final. E mesmo assim, você provavelmente vai terminar com uma pasta cheia de coisas que nunca vão ter sua autenticidade totalmente confirmada. Isso faz parte do processo, não um defeito dele.
Aviso rápido sobre enlaces: não compartilho links diretos pra marketplaces ou vendedores específicos porque a disponibilidade desses itens muda semanalmente e muitos dos endereços que circulam em fóruns já estão obsoletos ou são de revendas duvidosas. O que vale a pena é buscar nos acervos digitais oficiais citados acima, que são estáveis e de acesso gratuito.