Criança Que Não Gosta De Barulho - Porque autista não gosta de barulho? Você sabe? Entenda mais sobre ...
Porque autista não gosta de barulho? Você sabe? Entenda mais sobre ...

Entendendo a sensibilidade auditiva infantil na prática

Meu primo teve esse problema com o filho dele quando a criança tinha uns cinco anos. O menino chorava descontroladamente sempre que o vizinho ligava o cortador de grama, e até o barulho dos talheres batendo na louça parecia incomodá-lo de um jeito que os pais não conseguiam explicar. Foi aí que eu percebi que a gente costuma subestimar isso porque parece "fofura" ou "bobeira", mas na verdade pode ser um sintoma de processamento sensorial diferente.

Como lidar com uma criança que não gosta de barulho no dia a dia

O primeiro passo é entender que não se trata de birra. Criança que não gosta de barulho geralmente tem uma percepção auditiva mais apurada, e o que para nós é um ruído normal pode ser equivalente a uma sirene tocando perto do ouvido dela. Eu já vi pais tentarem forçar a criança a ficar em festas de aniversário cheias de gente, e a criança entrar em colapso sensorial depois. O colapso muitas das vezes é interpretado como falta de educação ou capricho, quando na realidade o sistema nervoso da criança simplesmente está sobrecarregado. Uma estratégia que funcionou comigo foi criar um "cantinho seguro" em casa. Não precisa ser nada elaborado — apenas um espaço com menos estímulos, onde a criança possa ir quando o barulho ficar intenso. Eu aconselho usar cortinas grossas, tapetes felpudos e iluminação amarela, porque tudo isso absorve som e reduz a carga sensorial. Um detalhe importante que pouca gente menciona: a criança pode não tolerar barulhos altos, mas também pode ter problemas com sons agudos específicos, como o micro-ondas quando termina, o limpador a vapor, ou até o ar-condicionado. Identificar esses gatilhos ajuda a prevenir situações antes que aconteçam.

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Quando preciso sair de casa com uma criança sensível a ruídos, eu sempre levo protetores auriculares ou tampões de silicone de boa qualidade. Os modelos infantis são bem discretos e não chamam tanta atenção. Eu já usei os de espuma baratos que custam quatro reais, e eles não fazem diferença real. Os melhores são os que são moldáveis, como os que os otorrinos indicam, ou os protetores eletrônicos que cortam ruídos altos mas deixam passar vozes normais. Esse último tipo é especialmente útil porque a criança ainda consegue participar da conversa sem se sentir isolada. Outro ponto que as pessoas costumam errar é a reação dos adultos ao redor. Em vez de dizer "não faça drama, é só um barulho", o mais produtivo é validar a experiência da criança e oferecer uma saída. Dizer "vocÊ pode ir pro seu quarto agora" ou "vamos dar uma pausa" mostra para a criança que ela tem controle sobre o próprio conforto, e isso reduz a ansiedade associada a ambientes barulhentos ao longo do tempo.

Tem uma nuance que muita gente não leva em conta: a sensibilidade auditiva em crianças pode estar ligada a outras condições, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), hipersensibilidade sensorial isolada, ou até mesmo condições como a misofonia. Se a criança também apresenta outros sinais — evitação de contato visual, dificuldade com mudanças de rotina, interesse restrito em certos assuntos, ou sensibilidade a texturas de roupa — vale a pena procurar uma avaliação com um fonoaudiólogo ou um neuropediatra. Eu tenho conhecimento de casos em que o diagnóstico veio tarde porque ninguém percebia que o rejeição ao barulho era o sinal mais visível de algo mais amplo. Agora, se for apenas sensibilidade auditiva sem outras comorbidades, o acompanhamento com fonoaudiólogo especializado em integração sensorial pode ajudar muito. Existem protocolos de dessensibilização que funcionam de forma gradual, expondo a criança a sons de intensidade crescente em um ambiente controlado. Isso não é algo que se faz em casa sem orientação, mas o profissional pode montar um plano que leve de minutos a semanas, dependendo da sensibilidade inicial da criança.

Um problema comum que eu vejo é a superproteção. Pais que isolam completamente a criança de qualquer ruído podem, sem intenção, retardar a adaptação. O equilíbrio está em proteger nos momentos de crise e, ao mesmo tempo, expor de forma controlada e positiva a situações novas. Eu costumo sugerir que os pais grave o barulho no celular em volume baixo, deixem a criança ouvir enquanto estão brincando, e vão aumentando o volume bem devagar ao longo de semanas. Funciona para muitos, mas não para todos, e isso deve ser feito com acompanhamento profissional se possível. Finalmente, é bom lembrar que algumas crianças simplesmente crescem passando por essa fase. O sistema nervoso amadurece, e o que era insuportável aos quatro anos pode ser apenas irritante aos oito. O papel dos pais não é resolver o problema, mas garantir que a criança se sinta acolhida enquanto isso acontece naturalmente.