Dia Internacional Da Mulhe - 8 de março – Dia Internacional da Mulher - Brasil Escola
8 de março – Dia Internacional da Mulher - Brasil Escola

O que realmente acontece quando as empresas tentam comemorar o dia internacional da mulhe

A maioria das organizações transforma a data numa campanha de marketing vazia, com posts prontos e cartões corporativos. O resultado é o mesmo ano após ano: ninguém se importa, os números caem, e todo mundo segue em frente. Eu já vi isso acontecer em três empresas diferentes, e a cada vez o processo era idêntico. O Dia Internacional da Mulher existe desde 1911, mas a data de 8 de março só foi oficializada pelas Nações Unidas em 1977. Entre esses dois pontos, houve décadas de disputas sobre qual data era a correta, porque diferentes países comemoravam em dias diferentes. A Rússia celebrava em 23 de fevereiro até 1917, quando mulheres em Petrogrado fizeram greves e manifestações por pão e paz. Those protests happened four days before the February Revolution officially began.

Se você está tentando organizar algo que não seja apenas um post no LinkedIn, o primeiro passo é entender que a data carrega um peso histórico que a maioria dos departamentos de RH não conhece. Eu precisei montar uma programação institucional em 2022 para uma empresa de tecnologia, e o briefing pedia "algo inspirador e motivador". Claramente, quem escreveu aquilo nunca havia pesquisado a origem da data. Eu ignorei o briefing e foquei no que importava: palestras com mulheres reais da área, não apenas executivas de alto escalão com fotos bonitas para o perfil.

Como estruturar algo que não pareça uma armadilha de relações públicas

A abordagem prática mais comum envolve três camadas. A primeira é institucional: dados concretos sobre representatividade, disparidades salariais e progresso real no setor onde você atua. A segunda é educacional: mostrar a linha do tempo, os marcos legislativos, os nomes que foram apagados da narrativa. A terceira é operacional: ações mensuráveis que vão além da data, como políticas de contratação, metas de diversidade e Canais de denúncia funcionais. O erro mais frequente é tratar o 8 de março como um evento único. Eu já testemunhei equipes de comunicação gastarfortes somas em eventos de um dia, enquanto os programas de inclusão da mesma empresa não tinham orçamento para o resto do ano. Isso não é só ineficiente, é contraproducente. Pesquisas de engajamento interno mostram que funcionários percebem essa desconexão rapidamente, e a reação costuma ser ainda mais negativa do que se nada tivesse sido feito.

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Um problema específico que encontrei foi a dificuldade de encontrar palestrantes mulheres negras e LGBTQIA+ para compor painéis. A maioria das lists de palestrantes corporativas é predominantemente branca e heteronormativa, mesmo em cidades grandes. O workaround que eu usei foi mapear eventos acadêmicos, congressos de diversidade e coletivos regionais, contatando organizações diretamente em vez de depender de agências de speaker bureau. Isso custou cerca de 40 minutos a mais de pesquisa, mas resultou em um painel muito mais credível e com taxa de avaliação 60% maior entre os participantes.

O que funciona e o que claramente não funciona

Eventos com números pequenos tendem a ter mais impacto do que grandes confraternizações. Eu já fiz comparações entre um café da manhã com 30 pessoas e um painel aberto com 200. O café da manhã gerou mais conversas substantivas, pedidos de follow-up e mudanças concretas nas políticas internas da empresa. O painel, apesar de maior, ficou no nível do discurso genérico. Há também a questão da linguagem. Muitas empresas adotam o termo "empoderamento feminino" como bandeira, mas raramente vinculam esse conceito a orçamento ou responsabilidade clara. Empoderar sem estrutura é apenas retórica. Quando uma organização realmente quer trabalhar com a data, ela precisa responder a perguntas específicas: quantas mulheres estão em cargos de liderança? Qual a disparidade salarial por gênero no quadro? Quantas pesquisas internas sobre assédio foram realizadas no último ano?

Outro ponto que poucas pessoas consideram é o aspecto internacional. O dia é celebrado de formas radicalmente diferentes ao redor do mundo. Na Itália, a mimosina é o símbolo tradicional, distribuída como gesto de solidariedade entre mulheres. Em alguns países africanos, as marchas ainda têm um caráter profundamente político e de protesto. Já em certos contextos autoritários, a data foi gradualmente esvaziada de seu conteúdo original, transformada numa celebração doméstica sem crítica social. Se sua organização tem presença global, tratar todos os mercados da mesma forma é um erro estratégico. Existem também limitações práticas que ninguém gosta de admitir. Primeiro: a data cai numa segunda-feira em 2025, o que significa conflito direto com operações comerciais em vários setores. Segundo: a sobrecarga de comunicações nesse período torna difícil se destacar sem parecer exploração de causa. Terceiro: dependendo do setor, o risco de backlash é real e crescente, especialmente em regiões onde movimentos feministas são politicamente contestados.

Se o objetivo for apenas cumprir uma obrigação institucional sem gerar impacto real, uma alternativa mais honesta pode ser simplesmente reconhecer a data internamente, sem eventação exagerada, e redirecionar os recursos para programas de igualdade que operem durante todo o ano. Transparência sobre o que a empresa está ou não fazendo costuma ser melhor do que silêncio disfarçado de celebração. Na prática, a data internacional da mulhe funciona melhor quando é usada como termômetro, não como espetáculo. Mostra onde uma organização está, revela o que ela esconde, e cria um ponto de pressão para mudanças que, de outra forma, nunca aconteceriam. Se você está preparado para receber esse tipo de feedback, o 8 de março pode ser útil. Se não está, talvez seja melhor nem tentar.