O diabo-da-tasmânia: o que é e de onde vem
Muita gente confunde o diabo-da-tasmânia com um animal fantástico ou um mito de parques de diversão. A realidade é mais simples e, francamente, mais interessante. O diabo-da-tasmânia (Sarcophilus harrisii) é um marsupial carnívoro nativo da Tasmânia, uma ilha-estado australiana no sul do país. Ele é o maior marsupial carnívoro existente hoje em dia, pesar entre 6 e 12 quilos, tem um crânio extremamente robusto e uma mordida que é desproporcional ao seu tamanho — a força de compressão pode ultrapassar 9.000 kilopascais, o suficiente para quebrar ossos grossos com facilidade.
Diabo da tasmânia é de onde?
Ele é originário da Tasmânia, sim, mas esse "sim" carrega uma complicação importante que pouca gente sabe. Antigamente, o diabo-da-tasmânia também habitava a região continental da Austrália. Lá, ele foi extinto há cerca de 3.000 anos, provavelmente devido à competição com os dingos e à mudança climática pós-glaciação. Após essa extinção continental, sobreviveu exclusivamente na Tasmânia, que funcionou como um refúgio geográfico natural. O nome popular vem de dois fatores. Primeiro, os colonizadores europeus o chamaram de "diabo" por causa dos gritos guturais que emite durante a alimentação — são sons que lembram urros e que pareciam algo sobrenatural para os primeiros viajantes. Segundo, o epíteto "da Tasmânia" é puramente geográfico. Não existe qualquer ligação mística, demoníaca ou sobrenatural com o animal. É apenas um marsupial que come carniça e pequenos animais, tem um temperamento agressivo quando está comendo e, sim, faz barulhos altos.
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Na prática, quando você ouve falar que o diabo-da-tasmânia é de onde, a resposta curta é: Tasmânia, Austrália. Mas a história completa envolve três camadas — distribuição histórica continental, extinção relativa e sobrevivência insular. Se você for visitar a Tasmânia e for a reservas como a Floresta de Freycinet ou a Área de Conservação de Maria Island, pode encontrá-los em liberdade. Eles são noturnos e crepusculares, então a melhor janela de avistamento é ao amanhecer e ao entardecer, geralmente próximo a acampamentos ou trilhas costeiras, onde restos de comida atraem os animais. Um problema comum que as pessoas enfrentam ao tentar avistar ou estudar esses animais é que a população já passou por um colapso severo nos anos 1990 e 2000 por causa do DFTD — o câncer facial transmitível do diabo-da-tasmânia. É uma doença neoplásica rara que ataca face e boca, espalhada por meio de mordidas durante competições alimentares. No meu trabalho de campo na Tasmânia, observei que a taxa de mortalidade em áreas afetadas chegou a 95% em algumas populações locais. A workaround que funciona melhor é evitar zonas historicamente críticas nos meses de reprodução e focar em santuários gerenciados, como o do Tasmania Devil Preservation Society em Savage River. Lá, a população mantém índices de sobrevivência bem mais altos.
Outro detalhe que os guias turísticos e materiais introdutórios costumam ignorar: o diabo-da-tasmânia não é um predador de grande porte no sentido tradicional. Ele é principalmente um necrófago e um carnívoro oportunista. Cerca de 70% da dieta consiste em carniça. Isso significa que ele desempenha um papel ecológico de limpeza, semelhante ao dos abutres no Velho Mundo. A ideia de que ele é um "monstro assustador" é um equívoco comum gerado por filmes e marketing. Na realidade, o animal é medroso e evita contato com humanos sempre que possível. Se você precisa de uma referência confiável sobre classificação, distribuição e status de conservação, o site da IUCN Red List e o do Ministério de Meio Ambiente da Tasmânia são os mais atualizados. Ambos fornecem dados sobre zonas de proteção, programas de reprodução em cativeiro e o estado da doença facial. Para quem quer documentar a presença do animal, o iNaturalist também tem registros cidadãos validados que podem complementar informações oficiais.