Escala De Fagerstrom - Escala De Fagerstrom Pdf : TESTE DE FAGESTROM – NITB
Escala De Fagerstrom Pdf : TESTE DE FAGESTROM – NITB

O que é a Escala de Fagerström e como usar na prática

A escala de fagerstrom é um questionário de 6 perguntas desenvolvido por Carl Fagerström nos anos 1970 para medir o nível de dependência de nicotina. Foi adaptado ao português e validado no Brasil por Campos et al. em 2001. Nada muito complicado, mas tem detalhes que quem não usa todo dia acaba errando. O teste avalia dois aspectos: a compulsão física pela nicotina e o padrão de consumo. Cada pergunta tem de 0 a 2 pontos, com exceção da primeira, que vai de 0 a 3. O resultado final varia entre 0 e 10. A interpretação é simples:

Como aplicar a escala de fagerstrom corretamente

Aqui vai o passo a passo que eu uso, sem enrolação. Cada pergunta precisa ser feita exatamente como está escrita, sem interpretar para o paciente. A primeira pergunta é a mais problemática na aplicação real: Pergunta 1 — "Você sente necessidade de fumar logo pela manhã?"

As opções são: até 5 minutos (3 pontos), 6 a 30 minutos (2 pontos), 31 a 60 minutos (1 ponto) ou depois de 1 hora (0 pontos). Aqui tem um detalhe que pouca gente leva a sério. Muitos pacientes respondem de forma genérica, tipo "logo pela manhã" sem especificar tempo real. Aí você perde dados importantes. Eu sempre pergunto: "Quantos minutos, aproximadamente, desde que acorda até o primeiro cigarro?" O paciente precisa ter consciência disso. Se ele não souber, pode-se estimar com base no horário habitual de acordar e no horário do primeiro cigarro. Pergunta 2 — "É difícil para você não fumar nos lugares onde é proibido?"

Opções: sim (1 ponto), não (0 pontos). Parece óbvio, mas o paciente pode dizer "não" por vergonha social, não por ausência real de dificuldade. Anotar isso no prontuário ajuda depois. Pergunta 3 — "Qual dos seus primeiros cigarros seria o mais difícil de substituir?"

Opções: o primeiro pela manhã (2 pontos), os demais (0 pontos). Essa pergunta mede a força do vício matinal, que é biologicamente o mais resistente. Se o paciente diz que nenhum é difícil de substituir, provavelmente a pontuação será baixa mesmo. Pergunta 4 — "Quantos cigarros você fuma por dia?"

Até 10 (0 pontos), 11 a 20 (1 ponto), 21 a 30 (2 pontos), mais de 31 (3 pontos). Pacientes que fumam entre 20 e 25 muitas vezes subestimam o número. Recomendo pedir para contar a caixa inteira e dividir pela duração, em vez de apenas chutar. Pergunta 5 — "Você fuma mais frequentemente nos primeiros horários do dia?"

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Sim (1 ponto), não (0 pontos). Isso captura a tendência de fumar mais no início, quando a nicotina está mais baixa no sangue. Pergunta 6 — "Você fuma quando está tão doente que fica bedridden (acamado)?"

Sim (1 ponto), não (0 pontos). Essa é marcante porque revela a gravidade da dependência física. Pacientes que continuam fumando mesmo impossibilitados de se movimentar têm um grau de dependência bem alto.

Pitfalls e casos que eu já vi na prática

Já vi muitos profissionais somarem errado porque confundem a pontuação da primeira pergunta. Ela vai de 0 a 3, não de 0 a 2. Isso inflaciona ou deforma o resultado total em cerca de 1 ponto, o suficiente para mudar a classificação de moderada para alta, por exemplo. Outro problema frequente: pacientes que fazem uso de cigarro eletrônico ou nicotine replacement therapy (NRT) respondem às perguntas pensando na nicotina em geral, não no cigarro tradicional. O teste foi desenhado para tabagistas convencionais. Se o paciente está usando NRT para parar, o resultado pode ser enganoso. Nesse caso, anotar o uso concomitante é essencial.

Também já tratei um caso de paciente que fumava 8 cigarros por dia mas respondia "até 5 minutos" na primeira pergunta porque tinha um hábito ritualístico de fumar assim que entrava no trabalho, mesmo acordando às 10h. Na verdade, ele dormia mal e acordava cansado, mas o cigarro era mais sobre routine do que sobre nicotina. O resultado dele foi 5, classificando como alta dependência, quando na prática ele respondia melhor a intervenções comportamentais do que a medicamentos pesados. Isso mostra que a escala não é perfeita sozinha — precisa ser contextualizada.

Quando a escala de fagerstrom não serve

A principal limitação dela é que mede dependência física, não comportamental. Um paciente pode ter pontuação baixa mas vício comportamental severo, como fumar em situações específicas de ansiedade. Para isso, existe o questionário de Henningfield e Bigelow (HQ) ou o DSM-5 como complemento. Também não é confiável para pessoas que já estão em desmame há mais de 48 horas, porque os sintomas de abstinência aguda alteram as respostas. O ideal é aplicar antes do início da retirada ou no primeiro dia de tentativa de cessação.

Download e versão oficial

A versão brasileira validada por Campos et al. (2001) pode ser encontrada no site da Coordenação de Controle do Tabagismo do INCA, que disponibiliza o instrumento completo em PDF para uso clínico gratuito. O material inclui o questionário, o manual de pontuação e orientações para aplicação. Não custa nada baixar e imprimir para consulta rápida durante atendimentos. O link direto é: www.inca.gov.br/controle-do-tabagismo. A versão original em inglês está disponível em repositórios acadêmicos via PubMed ou na revista addictive behaviors, onde o estudo de validação foi publicado.

Considerações finais

A escala de fagerstrom é rápida — leva menos de 2 minutos para aplicar — e tem boa reprodutibilidade quando feita corretamente. Mas como qualquer ferramenta de screening, ela não substitui uma avaliação clínica completa. Use como ponto de partida, não como sentença final.