Exemplos De Concordancia Verbal - Exemplos de Concordância Verbal | PDF | Linguística
Exemplos de Concordância Verbal | PDF | Linguística

A regra básica que todo mundo sabe, mas poucos aplicam corretamente

A concordância verbal é mais simples do que pareçe no papel. O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. Isso é o suficiente para 80% dos casos que você encontra no dia a dia. O problema é que a língua portuguesa tem exceções que parecem feitas sob medida para confundir quem não tem prática real com texto formal. Quando eu estava revisando contratos jurídicos ainda no início da minha carreira, me deparei com uma frase como "A maioria dos colaboradores não compareceram à reunião". Todo mundo marca essa como errada na prova do ENEM, mas na prática forense eu via isso sendo usado em petições de advogados com anos de experiência. A verdade é que o uso de "compareceram" no plural tem ganhado aceitação progressiva, especialmente quando o foco semântico está nos colaboradores, não na maioria. Não é a norma culta padrão, mas é um fenômeno documentado. Se você está escrevendo para um tribunal, siga a norma. Se está avaliando um texto, entenda que essa flexão existe.

Exemplos de concordância verbal na prática

Vamos direto aos casos que realmente causam dúvida. O primeiro é com expressões partitivas como "parte de", "maioria de", "a maioria de". A forma clássica exige o verbo no singular: "A maioria dos alunos chegou atrasada". Porém, quando o substantivo seguinte é claramente plural e a ideia de pluralidade é predominante, o plural também é aceitável: "A maioria dos alunos chegaram atrasados". Ambos existem na literatura gramatical. A diferença está no registro. Outro caso que todo mundo erra é com o verbo "haver" no sentido de existir. "Havia muitos problemas pendentes" está correto. "Haviam muitos problemas pendentes" está errado, porque "haver" como existencial é impessoal e fica sempre na terceira pessoa do singular. Esse erro é tão frequente que já vi correctores automáticos corrigirem textos que estavam certos e deixarem passar erros reais.

Com locuções verbais, o verbo auxiliar é que se flexiona, nunca o principal. "Eles devem ter chegado tarde" e não "Eles devem ter chegado tardes". O particípio não varia nesses casos com os verbos auxiliares ter e haver. Isso muda quando o auxiliar é ser: "As cartas foram escritas por mim" — aqui o particípio concorda com o sujeito "cartas". A confusão acontece exatamente nessa fronteira entre ter e ser como auxiliares. Quando o sujeito é composto antes do verbo, a flexão pode ser no plural ou o verbo pode ficar no singular se o último elemento for singular. "O diretor e o secretário compareceram" é o padrão. Mas "O diretor ou o secretário comparecerá" — aqui o "ou" torna a coisa mais complexa. Se a disjunção for exclusiva, o verbo vai para a pessoa do elemento mais próximo. Se for inclusiva, plural. Na prática, reescrevo quase sempre para evitar essa ambiguidade.

Verbos que indicam fenômenos naturais como "chover", "trovejar", "nevar" são impessoais. Ficam sempre no singular: "Choveu muito ontem". Se quiser adicionar uma complemento, aí sim a coisa muda. "Choveu folhas pelo quintal" — ainda singular, porque o sujeito não é "folhas", é a chuva, e chuva é o verbo em si nesse caso.

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O caso que ninguém ensina nas gramáticas tradicionais

Existe uma situação com verbos que indicam percepção ou mudança de estado, como "parecer", "ficar", "tornar-se", onde o sujeito pode aparecer depois do verbo e a concordância pode parecer contraditória se você não prestar atenção na estrutura. "Pareceram-me impossíveis as soluções" — aqui o verbo concorda com "soluções", que é o sujeito real, mesmo aparecendo após o verbo. A ordem inversa confunde porque o cérebro tende a ligar o verbo ao primeiro substantivo que encontra, e nesse caso o primeiro substantivo não é o sujeito. Eu enfrentei um problema específico com isso em um parecer técnico onde precisei construir frases como "Apareceram-nos diversas irregularidades no laudo". Alguém não especializadoida poderia marcar como erro por achar que o verbo deveria concordar com "laudo". Na verdade, "irregularidades" é o sujeito e a concordância está correta. O dativo "nos" é apenas o referente indireto, não o sujeito.

Outro ponto que gera confusão constante é a concordância com pronomes de tratamento. "Vossa Excelência precisa apresentar os documentos" — verbo na terceira pessoa, mesmo com "vossa". Pronomes de tratamento exigem terceira pessoa tanto no verbo quanto nos pronomes que se referem a eles. "Vossa Excelência está cansado, mas não desistir" — o "seu" que se refere a Vossa Excelência também é terceira pessoa. Errar isso soa mal em qualquer contexto formal. Quando o sujeito é formado por nomes próprios no plural, a concordância pode variar dependendo se há artigo. "Os Brazil e Argentina jogaram bem" — com artigo antes de cada nome, plural. "Brazil e Argentina jogaram bem" — sem artigo, o verbo pode ficar no singular ou no plural, mas o plural é mais comum na prática atual. A grammática prescreve plural, mas na escrita jornalística e em documentos informais o singular aparece frequentemente, e a maioria das pessoas não percebe o erro.

Dica útil que economiza tempo na revisão

Uma técnica prática que uso quando preciso revisar textos longos é isolar o sujeito de cada oração e verificar a concordância separadamente. Isso significa essencialmente sublinhar o sujeito e garantir que o verbo corresponda. Leva cerca de 15 minutos para revisar um texto de dez páginas desse jeito, enquanto uma leitura convencional passa despercebidos muitos erros de concordância, especialmente em frases com inversão ou sujeitos pós-postos. Também é útil transformar a frase na voz passiva analítica quando houver dúvida. Se "O diretor e o secretário compareceram" soa estranho em plural, tente "Fui comparacer por parte do diretor e do secretário" — a voz passiva torna a relação sujeito-verbo mais evidente e ajuda a confirmar se a flexão está correta.

Há ainda o caso dos verbos dar, bater e passar que concordam com horas e medidas. "Deram duas horas no relógio da praça" — o sujeito é "duas horas", então o verbo vai para o plural. Esse é um dos exemplos de concordancia verbal que mais cai em provas e concursos, e também é um dos que mais aparece errado em textos profissionais porque a lógica parece contra-intuitiva no início.