Exercicios Concordancia Verbal - Josi Sousa: Exercícios Físicos para Fazer em Casa
Josi Sousa: Exercícios Físicos para Fazer em Casa

Concordância verbal não é o bicho que pintam

A maioria dos exercícios de concordancia verbal que você encontra pela internet repete as mesmas regras de livro didático até a exaustão. O problema é que a prova ou o concurso cobra situações que ninguém ensina direito. Vou explicar como funciona na prática.

Entendendo os mecanismos antes de resolver exercicios concordancia verbal

O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. Isso é óbvio. O que poucas pessoas entendem é que identificar o sujeito é a parte difícil, não aplicar a regra em si. Quando a frase é simples, tipo "os alunos estudaram", todo mundo acerta. O erro começa quando o sujeito vem posposto, ou quando há expressões partitivas, ou quando o sujeito é coletivo, ou quando entra o "se" como índice de indeterminação do sujeito ou partícula apassivadora. Um exemplo que caía todo ano em um processo seletivo que eu acompanhei era: "Haja vista os problemas." Muita gente marca como errado porque acha que deveria ser "hajam". O erro aqui é achar que o sujeito é "problemas". "Haja vista" é uma expressão Fixa, invariável. Não tem sujeito para o verbo concordar com nada. Resposta: está correto. Eu vi candidato errar essa três vezes seguidas em simulados porque o cérebro dele ia direto para a lógica de plural.

O caso do "haver" que quebra cabeça

Quando "haver" tem sentido de existir ou ocorrer, ele é impessoal. Sempre fica no singular. "Havia muitos candidatos" está certo. "Haviam muitos candidatos" está errado. Ponto. A confusão aparece quando as bancas colocam essa regra misturada com outras construções na mesma questão. Eu já corrigi redações e provas onde o candidato acertava a concordância do verbo principal mas errava ao usar "haver" como auxiliar. Tipo: "Hão de chegar atrasados". Isso existe, é futuro do pretérito do indicativo com "haver" + infinitivo, e está correto. Mas a maioria dos alunos não conhece essa estrutura e marca como erro por instinto. O inverso também acontece: "Devem haver muitas razões". Errado, porque aqui "haver" é verbo principal com sentido de existir, então deveria ser "Deve haver muitas razões". A preposição "de" não muda a regência do verbo.

Sujeito composto e as armadilhas

Sujeito composto antes do verbo: o verbo vai para o plural. "O diretor e o coordenador compareceram." Sujeito composto depois do verbo: duas opções, plural ou concordância com o núcleo mais próximo. "Compareceram o diretor e o coordenador" ou "Compareceu o diretor e o coordenador." Ambas são aceitas, mas a primeira é mais comum em textos formais. O que muita gente esquece é que quando os núcleos do sujeito composto são ligados por "ou", a coisa muda. "O diretor ou o coordenador comparecerá" indica exclusão. "O diretor ou o coordenador comparecerão" indica inclusão. Sem contexto, ambas podem ser válidas, mas em prova de múltipla escolha isso costuma ser decidido pelo restante da frase. Se a questão não deixa claro, o padrão é considerar a exclusão como padrão gramatical.

O "se" que todo mundo erra

Essa é a clássica. Para saber se o "se" é partícula apassivadora ou índice de indeterminação do sujeito, faça o seguinte teste: tente transformar a frase na voz passiva. Se der certo, o "se" é partícula apassivadora e o verbo concorda com o sujeito paciente. Se não der, é índice de indeterminação do sujeito e o verbo fica sempre na terceira pessoa do singular. "Vende-se casas." Erro. "Casas" é o sujeito paciente, então: "Vendem-se casas." Já "Aluga-se quarto." Está certo, porque "alugar quarto" não forma uma passiva lógica no sentido estrito, e o "se" aqui indetermina o sujeito. Na prática de provas, esse teste da passiva resolve cerca de 90% dos casos. Os outros 10% dependem de análise contextual que não adianta decorrar — tem que ler a frase inteira com atenção.

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Locuções verbais com "ter" e "vir"

Quando o verbo auxiliar é "ter" ou "vir", ele concorda com o sujeito e o particípio do verbo principal fica invariável. "Eles têm vindo" e "Eles têm feito" estão corretos. O erro comum é flexionar o particípio: "Eles têm vindos" soa mal para quem tem ouvido gramatical, mesmo que algumas gramáticas mais antigas aceitassem. O recomendable é manter o particípio invariável nesses casos.

Expressões correlativas e quantificadores

Frases com "um e outro", "nem um nem outro", "mais de um", "menos de dois" têm regras específicas que as bancas adoram cobrar. "Um e outro" pede verbo no singular: "Um e outro candidato conseguiu vaga." Já "ambos os candidatos" pede plural: "Ambos os candidatos conseguiram vagas." A diferença é sutil mas significativa em prova. "Mais de um" pede singular quando indica reciprocidade ("Mais de um candidato se enfrentaram" está errado, o certo seria "se enfrentou" num sentido de ação isolada de cada um). Quando indica ação recíproca real, aí sim aceita-se o plural, mas isso é raro e depende do contexto. "Menos de dois" pede plural porque o numeral está no plural: "Menos de dois candidatos foram reprovados."

Praticando de forma eficiente

A melhor forma de se preparar para exercicios concordancia verbal é resolver questões de provas reais, não apenas exercícios genéricos de site aleatório. Banca CEBRASPE cobra de um jeito, FGV de outro, FCC de um terceiro. Cada uma tem sua mania. A CEBRASPE adora cobrar nuances do "se" e casos com sujeito oracional. A FGV gosta de embaralhar concordância verbal com nominal na mesma questão. A FCC é mais tradicional mas cobra detalhes de regência que a concordância. Sugiro fazer um cronograma simples: uma dia focado em sujeito simples e composto, outro em "se", outro em verbos impessoais, outro em locuções verbais. Depois, revise os erros. Anotar o motivo do erro em cada questão é mais eficiente do que apenas conferir o gabarito e seguir em frente. Eu mantive uma planilha com cerca de 200 questões erradas ao longo de seis meses de preparação e revisar esses erros antes de cada simulado novo fez uma diferença clara no meu desempenho.

Onde encontrar questões

Para exercicios concordancia verbal de qualidade, comece pelos sites das bancas. A FCC disponibiliza provas gratuitas com gabarito oficial. A FGV também. A CESPE/CEBRASPE tem banco de provas desde 2007. O site NCE/UFRJ também archiveia provas antigas. Evite sites que apenas compilam exercícios sem fonte — muitos têm gabaritos errados, o que piora seu aprendizado em vez de melhorar. Um recurso útil é o Gramatura, um site brasileiro que organiza questões por banca e por tema. Você filtra por "concordância verbal" e escolhe a banca que vai prestar concours. Isso economiza tempo porque evita que você perde tempo resolvendo questões de tópicos que já domina.

Limitações do método

Resolvr muitas questões sem revisar os erros não adianta. Eu vi muita gente fazer centenas de exercícios e ainda errar as mesmas coisas. O ganho real vem da revisão ativa. Além disso, concordância verbal é só uma parte da prova. Focar exclusivamente nela pode criar uma falsa sensação de domínio. O ideal é integrar com concordância nominal, regência e crase, porque as bancas frequentemente cobram tudo misturado numa única questão. Outro ponto: não existe fórmula mágica para alguns casos borderline. A língua portuguesa tem margem de manobra que varia conforme a norma culta adotada pela banca. Em dúvidas extremas, consulte a gramática de referência da banca — Celso Cunha para maioria, Bechara para outras. Cada uma tem leve diferenças de preferência.