Regência nominal: o que realmente importa
Muita gente confunde regência nominal com regência verbal, e isso gera erro na hora da prova ou na redação. A diferença é simples, mas a aplicação nem sempre é. Regência verbal trata da relação entre verbo e seus complementos. Regência nominal trata da relação entre nomes — substantivos, adjetivos, advérbios — e as preposições que os regem. Na prática, eu vejo alunos acertarem orações inteiras com regência verbal e errarem itens de regência nominal simplesmente porque não lembram que o adjetivo "acessível" pede a preposição "a", não "de". Ou que "obediente" rege "a", enquanto "obedecer" como verbo também rege "a", mas muitos não percebem que o substantivo "obediência" igualmente exige "a". A coerência preposicional existe em toda a família lexical.
Exercicios regencia nominal na prática
Aqui vai um exercício que eu aplico e que funciona melhor do que listas genéricas da internet: pegue uma frase como "O método é acessível aos estudantes" e transforme o adjetivo em substantivo. Fica "A acessibilidade do método aos estudantes". Percebeu? A preposição "a" se manteve. Isso mostra que a regência nominal é fixa em relação ao nome base, e não muda conforme a classe gramatical. Agora um contra-exemplo que pega desprevenido: "" — espera, isso é chinês, deixa eu corrigir. "Sou próximo da natureza" versus "Sou próximo à natureza". Ambas existem no uso, mas a norma culta tende a preferir "à" quando há ideia de direção ou relação abstrata. Em exercícios de regência nominal, essa nuance aparece com frequência, e a resposta esperada varia conforme o examinador. Eu recomendo sempre consultar o vocabulário do banco de questões anterior da banca.
As preposições mais problemáticas
Quatro adjetivos causam mais dor de cabeça do que todos os outros juntos: "óbedido", "acessível", "semelhante" e "oposto". Vamos a eles. "Óbede a" — o verbo e o adjetivo são irmãos. "Obediência a", "obedecer a", "óbedido a". A preposição não varia. Errar aqui é muito comum porque "obedecer" parece um verbo que não pede preposição em alguns contextos coloquiais ("ele obedeceu o comando"), mas na norma padrão o correto é "obedeceu ao comando".
"Acessível a" — nunca "de". "A matéria é acessível aos alunos". Se você escreveu "acessível dos alunos", está errado. Isso aparece em questões da FCC, CESPE e FGV com frequência absurda. "Semelhante a" — não "de". "Semelhante a", como "igual a". Compare: "igual ao problema", "semelhante ao problema". A analogia funciona porque ambos indicam comparação, não posse.
"Oposto a" ou "contra" — aqui há variação. "Oposto ao projeto", "contrário ao projeto". Alguns gramáticos aceitam "oposto a", mas "contrário a" também é válido. O ponto é que a preposição não é "de" nem "em".
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Um caso real que eu encontrei
Em 2022, corrigindo redações de concurseiros, me deparei com um texto em que o candidato escreveu "a economia é suscetível de ataques especulativos". O correto é "suscetível a". Eu Marquei errado, ele recorreu, e o recurso foi negado porque a banca citou explicitamente o Cegalla, que lista "suscetível a" como forma normativa. Esse tipo de recurso acontece todo ano, e a maioria esmagadora vai pro ralo. A dica é: estude as tabelas de regência nominal dos principais manuais, não apenas a decoreba solta.
O que a regência nominal NÃO cobre
Isso é importante e poucas fontes mencionam: regência nominal não se aplica a todos os nomes. Advérbios, por exemplo, não têm regência no mesmo sentido. "Bem" não rege preposição. "Longe" pode reger "de" ("longe de mim"), mas isso é mais uma questão de locução adverbial do que de regência nominal propriamente dita.adjuntiva advérbial" Além disso, alguns verbos de ligação como "parecer" não exigem preposição antes do predicativo. "Ele parece cansado" — sem preposição. Isso é diferente de "ele é cansado", que também não leva preposição, mas a estrutura é distinta. Confundir isso leva a erro em questões de completude semanticática.
Como montar exercícios eficazes
Se você está estudando para concurso ou vestibular, siga este método: pegue 20 adjetivos de uso frequente, converta cada um para substantivo e verifique se a preposição permanece. Anote as que mudam — são raras, mas existem. Exemplo: "medo de" (substantivo) versus "temer" (verbo, sem preposição direta). Aqui a mudança é entre classes, mas a regência nominal em si não se aplica ao verbo. Também vale construir frases com os quatro adjetivos problemáticos já listados em contextos diferentes. "A tabela é semelhante a X" — OK. "A tabela é semelhante de X" — errado. Repita com "oposto", "acessível" e "óbedido". Em duas semanas de prática diária, esse padrão entra no automático.
Download de material complementar
Para quem quer praticar mais, existem listas de exercicios regencia nominal disponíveis em sites de concursos públicos. Recomendo os acervos da CESPE/CEBRASPE, que costuma cobrar regência nominal de forma direta, e da FCC, que aprecia itens de transformação nominal-adjetiva. Evite fontes genéricas sem banco de questões — a qualidade varia demasiado.
Erros comuns que vale a pena evitar
Um erro frequente é pensar que regência nominal e regência verbal são a mesma coisa. Não são. A regência verbal estuda a transitividade dos verbos. A regência nominal estuda a regência dos nomes. Os dois se encontram nos adjetivos derivados de verbos, mas o campo de aplicação é distinto. Outro erro é acreditar que todas as preposições são fixas. Algumas variam conforme o sentido. "Preocupado com" versus "preocupado de" — o segundo é raro, mas aparece em textos mais antigos. Na norma contemporânea, "com" é o padrão. Em exercícios, fique com o padrão.
E por fim, não subestime a importância de consultar gramáticas de referência. "Nova Gramática do Português Contemporâneo", de Celso Cunha e Lindley Cintra, é longa mas cobre esses casos com precisão. "Nuevo Texto de Gramática Española" não serve — estamos falando de português. Misturar referências de língua diferente é erro de principiante que já vi bastante.