Exercicios Sobre Colocacao Pronominal - exercícios de colocação pronominal - lec school
exercícios de colocação pronominal - lec school

Colocação pronominal no português: o que funciona na prática

A colocação dos pronomes oblíquos átonos em português gera confusão porque existe uma regra básica seguida por milhões de exercícios, mas a realidade da língua fala impõe restrições que os manuais muitas vezes apresentam de forma simplista. O problema central é que o falante nativo sente quando algo soa estranho, mas não consegue explicar o porquê com clausulas trigonometricas — e quando se trata de responder provas ou redações formais, essa intuição sozinha não basta. O mecanismo real por trás da próclise e da ênclise não é mágica. Ele responde a dois fatores principais: a presença de palavras que atraem o pronome para antes do verbo (palavras atrativas) e a ausência delas, que deixa o verbo livre para receber o pronome depois. Palavras atrativas incluem negações, advérbios, conjunções subordinativas, pronomes relativos e certas expressões interrogativas. Quando uma dessas palavras aparece antes do verbo, o pronome vai para trás dela. Quando não há nada atrativo, o pronome segue o verbo.

exercicios sobre colocacao pronominal

Preparei aqui um conjunto de exercícios que cobre os casos mais cobrados em concursos e vestibulares. Antes de começar, leia a explicação curta logo abaixo, depois faça as questões e confira o gabarito comentado no final. A maioria das bancas cobra exatamente esses padrões com poucas variações. Questão 1: Complete com o pronome oblíquo átono na posição correta: "Ele ________ disse a verdade ontem à noite." Opções: a) me b) o c) lhe

Questão 2: Qual a forma correta? "Nós ________ vimos no evento." Opções: a) já b) não c) nunca Questão 3: "Quando ________ vi, não disse nada." Opções: a) me b) o c) a mim

Questão 4: "________ apresentaram o projeto ontem." Opções: a) Ela nos b) Nos c) ela nos Questão 5: Escolha a forma ace pela norma culta: "Não ________ esquecerei jamais." Opções: a) te b) o c) lhe

Questão 6: "O livro que ________ emprestou foi excelente." Opções: a) me b) o c) lhe Questão 7: "________ convidaram para a reunião." Opções: a) Eu b) Me c) Eles me

Questão 8: "Só ________ ouviu a explicação completa." Opções: a) me b) o c) lhe Questão 9: "Achei que ________ ajudasse." Opções: a) me b) o c) lhe

Questão 10: "É impossível que ________ perdoem tão rápido." Opções: a) te b) o c) lhe

Como resolver essas questões sem errar

O método mais confiável que eu conheco é identificar primeiro se existe alguma palavra atrativa no início da oração. Se existir, o pronome obrigatoriamente vai antes do verbo. Se não existir, verifica-se se o verbo está no futuro do presente ou no futuro do pretérito. Nesses dois tempos, a ênclise é obrigatória na língua padrão, independentemente de outras condições. Quando o verbo está em qualquer outro tempo, a prática normal é a ênclise, desde que não haja fator de atração. Vou dar um exemplo direto. Na questão 5, "Não ________ esquecerei jamais", a palavra "não" é um fator de atração. Portanto, a próclise é obrigatória e a resposta correta é "te". Já na questão 4, "________ apresentaram o projeto ontem", não há nada antes do verbo que atraia o pronome. O verbo está no pretérito perfeito, então a ênclise é a forma padrão: "Eles nos apresentaram o projeto".

Um ponto que causa erro constante e que as bancas adoram cobrar é a diferença entre "lhe" e "o/a". O pronome "lhe" é dativo — indica indireto. "O/a" é acusativo — indica direto. Na questão 1, "Ele ________ disse a verdade", o verbo "dizer" pede complemento direto neste contexto ("a verdade" é o objeto direto). Portanto, a resposta é "o", não "lhe". Muitos candidatos erram aqui porque associam "lhe" a qualquer complemento, o que não é correto. Outro detalhe que quase ninguém explica direito nos resumos: a locução verbal com infinitivo. Quando o verbo principal está no infinitivo, a atração exercida por palavras como "não", "que" ou advérbios recai sobre o verbo auxiliar, não sobre o infinitivo. Isso significa que "Não me deixe ir" está correto porque o "não" atrai o pronome para antes do auxiliar "deixe", e o infinitivo "ir" permanece no final. Já "Deixe-me ir" também é aceitável na ênclise ao auxiliar, mas na norma culta formal a próclise é preferida.

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O problema mais trabalhoso que eu encontrei na prática foi um caso específico em que a atração parecia se aplicar tanto ao auxiliar quanto ao infinitivo simultaneamente. Tinha uma frase como "É importante que se lhe diga a verdade", onde "que" atrai o pronome, mas "lhe" seria o dativo do infinitivo implícito. O gancho correto é reconhecer que, nessa estrutura, "se" é partícula apassivadora e "lhe" pertence ao infinitivo, enquanto "que" atrai o "se". Essa separação é o tipo de detalhe que só aparece quando você resolve questões de alto nível com frequência.

Erros comuns e como evitá-los

O primeiro erro frequente é usar próclise mesmo quando não há fator de atração. Isso acontece especialmente com falantes do Sul, onde a próclise é mais comum nospeech coloquial. Na escrita formal, isso é considerado erro. O segundo erro é confundir a concordância do pronome com a do sujeito. O pronome oblíquo não concorda com o sujeito, concorda com o objeto. Se o sujeito é "eles" e o objeto direto é "nós", o pronome é "nos", nunca "eles nos" com concordância errada. Um terceiro erro comum é achar que a crase interfere na colocação pronominal. A crase é um fenômeno nominal, enquanto a colocação pronominal é verbal. Elas não se relacionam diretamente. Se uma questão coloca crase junto com pronome, é apenas coincidência estrutural.

O quarto erro, e talvez o mais traiçoeiro, é esquecer que a língua brasileira contemporânea permite a próclise em contexts onde a norma padrão exigiria ênclise. Em muitos textos jornalísticos e literários modernos, você encontra "me disse ele" em vez de "disse-o ele". Isso é aceitável na linguagem informal e em registros menos formais, mas em provas de concurso e redações acadêmicas, a norma padrão continua sendo a referência. Conhecer essa diferença entre registro formal e coloquial é essencial para não perder pontos em exames.

Gabarito comentado

Questão 1: Letra b) "o". O verbo "dizer" tem "verdade" como objeto direto. Resposta: Ele o disse. Questão 2: Letra a) "já". "Nós já nos vimos no evento." A palavra "já" atrai o pronome, e "nos" é o objeto reflexivo.

Questão 3: Letra a) "me". "Quando me vi, não disse nada." O pronome reflexivo exige a forma "me" e a palavra "quando" atrai. Questão 4: Letra c) "Eles nos". "Eles nos apresentaram o projeto." Não há fator de atração antes do verbo no pretérito perfeito, então a ênclise seria "apresentaram-nos", mas a opção "Eles nos" com próclise ao sujeito também é válida na normativa quando o sujeito vem antes.

Questão 5: Letra a) "te". "Não te esquecerei jamais." A negação "não" atrai o pronome. Questão 6: Letra a) "me". "O livro que me emprestou foi excelente." O pronome relativo "que" atrai o pronome átono.

Questão 7: Letra c) "Eles me". "Eles me convidaram para a reunião." Sujeito explícito antes do verbo favorece a próclise. Questão 8: Letra a) "me". "Só me ouviu a explicação completa." A palavra "só" funciona como fator de atração no sentido de "apenas".

Questão 9: Letra a) "me". "Achei que me ajudasse." O pronome relativo implícito na subordinada atrai o pronome. Questão 10: Letra b) "o". "É impossível que o perdoem tão rápido." O verbo "perdoar" pede objeto direto, e o pronome "o" refere-se a alguém já mencionado.

O que estes exercícios não cobrem (e por que isso importa)

Nenhum conjunto de dez questões consegue abranger todas as exceções e nuances da colocação pronominal. Por exemplo, a locução verbal com gerúndio ("Estou te esperando") apresenta comportamento diferente do infinitivo. O tratamento entre "tu" e "você" também altera a escolha pronominal: "te" para "tu", "o/a" para "você". Além disso, a ordem dos constituintes na frase pode inverter a atração em construções com verbo no início, como em "Disseram-no todos", onde a ênclise ocorre mesmo sem fator atrativo explícito, simplesmente porque o verbo antecede o sujeito. Outro ponto rarely testado é a colocação em orações coordenadas. Quando duas orações coordenadas estão ligadas por "e", o pronome pode permanecer na primeira ou migra para a segunda, dependendo do contexto. Questões mais avançadas costumam explorar essas fronteiras, e dominá-las exige mais do que memorização — exige leitura constante de textos bem elaborados.

Se você está estudando para um concurso específico, recomenda-se complementar estes exercícios com provas anteriores da banca examinadora. Cada banca tem seu estilo próprio de cobrar a matéria, e conhecer essas particularidades economiza tempo de estudo. Em média, dedicando cerca de 30 minutos por dia durante duas semanas para resolver exercícios variados e revisar os erros, é possível consolidar o domínio da matéria em 90% dos casos cobrados em seleções públicas. O que resta após dominar a teoria é a prática consistente. Resolver questões, identificar os próprios erros, entender por que errou e revisar. Esse ciclo é mais eficaz do que apenas ler regras. A gramática da colocação pronominal não se fixa na memória apenas com exposição passiva. Ela se consolida quando você enfrenta um erro, descobre a causa e corrige a próxima tentativa.