Exercicios Sobre Funcoes Da Linguagem - Exercícios sobre Funções da Linguagem | PDF | Famílias linguísticas ...
Exercícios sobre Funções da Linguagem | PDF | Famílias linguísticas ...

Funções da linguagem na prática

As seis funções da linguagem de Jakobson são cobradas o tempo todo em concursos e provas do ensino médio, mas a maior parte dos exercícios que você encontra pela internet é genérica e mal elaborada. A maioria simplesmente pede para identificar a função de um trecho e pronto. Isso funciona para fixar o conceito básico, mas não prepara você para as variantes que as bancas adoram colocar. Ao longo dos anos, corrigindo centenas de respostas de alunos e resolvendo minhas próprias questões, percebi que o problema principal não é decorar as funções, mas sim lidar com trechos que carregam múltiplas funções ao mesmo tempo. Um anúncio publicitário, por exemplo, quase sempre terá forte presença conativa e alguma metalinguística. Quando a questão pede "a função predominante", você precisa saber justificar essa predominância, não apenas chutar.

Exercícios sobre funções da linguagem

Para começar, recomendo que você trabalhe com trechos reais, não frases inventadas. Textos jornalísticos, propagandas, letras de música, discursos políticos e postagens de rede social são materiais muito mais ricos do que os exercícios padronizados. Pegue um texto qualquer e responda: qual é a função predominante? Qual é a secundária? Por quê? Aqui vai um exercício prático. Analise esta frase: "A chuva caiu forte durante a noite e alagou três quarteirões no centro da cidade." Função referencial, obviamente. O foco é a informação. Agora analise: "Choveu tanto que minha calça ficou toda molhada!" Agora temos a função emotiva predominante, porque o emissor está expressando seu estado interior. Repare como os dois trechos falam do mesmo fenômeno meteorológico, mas a intenção comunicativa é completamente diferente. É esse tipo de comparação que faz o conceito firmar.

Outro exercício útil é o de identificação inversa. Eu monto uma função e peço para o aluno criar um trecho que a ilustre. Quando alguém produz "O céu está cinza hoje" para exemplificar a função referencial, está correto. Quando produz "Eu acho que o céu está cinza hoje" para a mesma função, o aluno demonstrou que não entendeu a diferença entre informar e expressar uma opinião. Esse tipo de exercício revela lacunas que a simples identificação jamais mostraria.

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O problema das questões com mais de uma função

Vou falar de um caso específico que me atrapalhou bastante quando estava preparando material didático. Havia uma questão que apresentava o seguinte trecho de um comercial de TV: "Você já sentiu aquele desconforto estomacal que não deixa você viver normalmente? Veja como o produto X pode ajudar." A banca considerava correta apenas a alternativa que indicava função conativa. O problema é que o trecho também tinha uma clara função referencial, pois informava sobre um sintoma e um produto, e uma função emotiva, ao evocar uma experiência pessoal do interlocutor. A questão estava mal elaborada porque forçava uma resposta unívoca para um texto multifuncional. A solução que encontrei foi ensinar os alunos a buscarem a função predominante com base no objetivo comunicativo principal. Nesse anúncio, o objetivo não é informar sobre o produto em si, mas levar o consumidor a comprá-lo. A conativa é, portanto, predominante. As outras funções estão presentes, mas a serviço dela. Esse critério de "objetivo comunicativo principal" é o que separa uma resposta correta de uma interpretação superficial.

Insights que raramente aparecem nos materiais didáticos

A função fática é a mais subestimada pelos estudantes. A maioria associa imediatamente a qualquer interação que envolva teste de canal, como "alô?" ou "você está me ouvindo?". Isso está correto, mas incompleto. A função fática também aparece em conexões discursivas que mantêm o canal aberto sem transmitir conteúdo informativo significativo. Expressões como "sabe?", "entende?", "né?" inseridas em uma conversa cumprimento sua função fática de verificar se o interlocutor está atento e acompanhado. Em discursos orais, especialmente políticos, essas marcações fáticas são constantes e servem para criar laço de proximidade, o que já beira a função emotiva. A fronteira entre funções é mais fluida do que os livros costumam apresentar. Outro ponto que causa confusão recorrente é a diferença entre função metalinguística e função poética. A metalinguística usa a linguagem para falar da própria linguagem. Quando um professor explica o significado de uma palavra, quando um dicionário define um termo, quando alguém diz "o que significa essa palavra?", a função é metalinguística. Já a poética preocupa-se com o forma do messaggio, com o aspecto estético da linguagem, com o acabamento das palavras em si mesmas. Um poema é o exemplo clássico, mas prosas literárias também operam nessa função. O erro comum é confundir qualquer texto literário automaticamente com função poética, quando na verdade um romance pode ter função referencial predominante, contando uma história sobre o mundo.

Como estruturar um estudo eficiente

Recomendo uma rotina de três passos. Primeiro, revise os conceitos com materialeteoria sólida. Leia sobre Jakobson, entenda cada função com suas características técnicas: mensagem, emissor, receptor, código, contato, código, referência. Essa estrutura básica é o fundamento. Segundo, pratique com textos autênticos. Terceiro, faça autoavaliação. O ciclo mais produtivo que observei leva cerca de duas semanas se você dedicar meia hora por dia. Em um mês de prática consistente, a identificação torna-se quase automática. Uma observação prática: muitos estudantes perdem pontos em exercícios porque confundem função conativa com função poética. A conativa busca influenciar o comportamento do receptor, usando geralmente a segunda pessoa do discurso ou imperativos. A poética organiza o código de forma estética, privilegiando som, ritmo, repetição, ambiguidade. Um texto persuasivo que usa rimas e métrica para convencer opera nas duas funções simultaneamente, e aí a questão deve pedir a predominante.

Limitações do método de estudo tradicional

O principal problema dos exercícios convencionais sobre funções da linguagem é que eles tratam o assunto como se as funções fossem categorias estanques. Na realidade, um mesmo enunciado pode apresentar múltiplas funções, e a predominância depende do contexto e da intenção do emissor. Materiais didáticos que oferecem apenas questões de múltipla escolha com um único trecho e quatro alternativas simulam uma realidade que não existe na prática comunicativa. Se você quer se preparar de verdade, precisa se expor a textos complexos, debates, discursos, letras de música e charges, onde as funções se sobrepõem e se contradizem constantemente. Outra limitação é a tendência de enfatizar excessivamente as funções emotiva e conativa em detrimento das outras. Isso cria um desequilíbrio. A função referencial, por exemplo, é a base de textos técnicos, científicos e jornalísticos, e negligenciá-la deixa você vulnerável em provas que cobram leitura crítica de artigos e relatórios. O mesmo vale para a metalinguística, essencial em questões que envolvem interpretação de textos que discutem linguagem, como crônicas linguísticas e comentários sobre gramática.