Falar Na Terceira Pessoa Exemplo - O que falar na terceira pessoa?
O que falar na terceira pessoa?

Como usar a terceira pessoa na escrita e na fala

A terceira pessoa é uma das escolhas mais comuns em textos formais, mas também aparece com frequência em situações informais que as pessoas nem percebem. Na prática, você está falando de alguém ou de algo como se essa pessoa ou coisa não estivesse presente no diálogo direto entre o eu e o tu. O verbo muda, os pronomes mudam, e a distância narrativa que isso cria acaba definindo o tom do texto inteiro. Um exemplo básico: em vez de dizer "eu acho que isso não vai dar certo", você escreve "ele/a/o/a acredita que aquilo não dará certo". A estrutura gramatical é simples, mas a aplicação correta exige atenção a concordância verbal, escolha dos pronomes adequados e, principalmente, saber quando a distância que a terceira pessoa cria serve ao que você quer transmitir e quando ela apenas atrapalha.

falar na terceira pessoa exemplo

Veja este exemplo bem direto. Imagine que você precisa descrever o comportamento de um colega de trabalho num relatório. Na primeira pessoa, ficaria: "Eu observei que o João chegou atrasado três vezes esta semana e parecia muito cansado." Na terceira pessoa, a mesma situação vira: "Observou-se que o João chegou atrasado três vezes na semana e parecia muito cansado." Ou ainda, com um sujeito explícito: "O supervisor observou que o João chegou atrasado três vezes na semana e parecia muito cansado." Outro cenário comum é a narrativa jornalística. Um repórter pode escrever: "O prefeito afirmou que as obras serão concluídas até dezembro" em vez de repetir "eu disse que...". Isso dá impersonalidade e parece mais neutro. Mas tem um detalhe que a maioria dos iniciantes ignora. Quando você usa a terceira pessoa com verbos como "dizer", "afirmar", "declarar", é essencial identificar claramente quem é o sujeito da ação. Deixa isso solto e o texto fica ambíguo numa velocidade que parece mágica.

Pegou um caso real meu semana passada. Tinha um cliente que estava escrevendo um perfil profissional e começou a usar a terceira pessoa sem especificar o sujeito. O texto dizia coisas como "Tem-se observado um aumento significativo nos indicadores". Fiquei olhando pra aquela frase sem saber de quem era a observação. Quem tem observado? O mercado? A empresa? O autor? Resolvi pedir pra ele simplesmente colocar o sujeito: "A diretoria tem observado..." ou "Os relatórios indicam...". A diferença entre um texto que passa credibilidade e um que parece vago é exatamente esse tipo de detalhe.

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Quando usar e quando evitar

A terceira pessoa funciona bem em textos académicos, relatórios técnicos, perfis profissionais, narrativas jornalísticas e em situations em que você precisa manter distância emocional do assunto. Funciona mal quando o objetivo é criar intimidade com o leitor ou quando a empatia e a subjetividade são centrais. Um texto de autoajuda usando exclusivamente terceira pessoa soa frio e distante. Um diário pessoal faz o mesmo. Um erro frequente é misturar pessoas sem aviso. Você começa num parágrafo em primeira pessoa e, no seguinte, passa pra terceira como se nada tivesse acontecido. O leitor cai num buraco. Mantenha a coerência. Se for mudar de pessoa, faça uma transição clara, preferencialmente marcando o motivo da mudança no próprio texto.

Outro ponto que as pessoas não consideram: a terceira pessoa também existe nos pronomes demonstrativos e nas formas de tratamento. "Isto", "isso", "aquilo" podem funcionar como elementos de terceira pessoa dependendo do contexto. "Vossa Excelência" é uma forma de tratamento na terceira pessoa que carrega regras próprias de concordância verbal. Ignorar isso gera erros que parecem pequenos mas prejudicam a qualidade do texto significativamente.

Configuração prática para textos formais

Se o seu objetivo é escrever num tom impessoal mas claro, a recomendação mais segura é usar a terceira pessoa do singular com sujeito explícito. Evite construções na voz passiva analítica quando possível, porque elas tendem a alongar demais a frase sem adicionar informação. "O relatório mostra que..." é mais direto que "Tem-se observado nos relatórios que...". A primeira tem onze palavras. A segunda tem nove, mas o peso cognitivo é maior porque exige que o leitor despache a partícula "se" e reorganize a frase mentalmente antes de chegar ao conteúdo. Para conteúdos curtos como posts de rede social ou legendas, a terceira pessoa pode parecer exagerada. O público espera proximidade. Mas existe um meio-termo que funciona: usar a terceira pessoa para falar do seu trabalho enquanto mantém a primeira pessoa quando aborda opiniões pessoais. "O projeto foi entregue na quinta-feira" junto com "Achei que demorou mais do que deveria" cria uma camada de honestidade que textos puramente impersonais não conseguem.

Também vale notar que a terceira pessoa não é sinónimo de formalidade absoluta. Em literatura contemporânea, autores como Clarice Lispector usaram a terceira pessoa de formas extremamente íntimas e subjetivas. A técnica é uma ferramenta, não uma regra moral. O que define a qualidade do uso é se a escolha serve ao propósito comunicativo ou se é apenas repetição de um modelo que alguém disse ser correto. Se você está começando agora, pratique com textos curtos primeiro. Pegue um parágrafo seu escrito em primeira pessoa e reescreva na terceira, mantendo o mesmo conteúdo. Depois releia em voz alta. A cadência muda completamente. O que parecia natural numa versão pode soar artificial na outra, e isso é información útil sobre o tom que você está buscando.