Ficha De Leitura As Es Is Os Us - Fichas de Leitura sílabas complexas - AS - ES - IS - OS - US ...
Fichas de Leitura sílabas complexas - AS - ES - IS - OS - US ...

O que é uma ficha de leitura e por que ela existe

Uma ficha de leitura é simplesmente um formulário estruturado que obriga o estudante a organizar o que leu de forma mais ou menos sistemática. As escolas portuguesas e brasileiras usam esse recurso desde os anos 90, mais por tradição pedagógica do que por qualquer estudo robusto que comprove sua eficácia. A versão que costuma aparecer associada aos artigos "a, as, es, is, os, us" é aquela onde o aluno precisa identificar e categorizar os artigos definidos e indefinidos encontrados no texto analisado. Isso soa simples até você se deparar com um conto do Saramago ou um poema do Pessoa, onde a fronteira entre artigo definido e indeterminado às vezes se dissolve. O formato padrão pede: identificação da obra, autor, data de publicação, resumo, tema central, personagens principais e, na variação ligada aos artigos, a listagem das ocorrências gramaticais encontradas. Alguns professores ainda pedem análise crítica ou reflexión pessoal. O problema é que quase ninguém ensina como fazer isso sem transformar a atividade num exercício mecânico de caça-palavras.

Ficha de leitura AS ES IS OS US: o guia prático

Vou explicar do jeito que eu faria se estivesse sentado ao seu lado numa biblioteca mal iluminada às 23 horas, que ébasicamente como eu fiz a minha primeira ficha de leitura sobre aquele texto do Eça que todo mundo odeia mas todo mundo lê. A primeira coisa que você precisa entender é que os artigos em português se dividem em definidos (o, a, os, as) e indefinidos (um, uma, uns, umas). O "es, is, us" que aparece no nome da ficha geralmente se refere a exercícios de declinação ou variação onde o aluno deve converter frases alterando o gênero e o número dos artigos. Em alguns materiais didáticos, especialmente dos primeiros anos do ensino secundário em Portugal, a ficha pede para o aluno identificar essas variações num trecho selecionado.

Aqui está o passo a passo que funciona na prática: Escolha um texto com pelo menos 30 linhas. Textos curtos demais não oferecem variedade suficiente. Imprima ou copie para um documento separado. Use uma cor diferente para cada tipo de artigo. Verde para definidos, azul para indefinidos. Dessa forma você vê rapidamente se o texto oferece material suficiente para preencher a ficha. Se encontrar menos de 15 ocorrências no total, troque de texto. Passar duas horas sublinhando e achar só oito artigos é frustrante e improdutivo.

Depois de destacar, transcreva cada ocorrência numa tabela com quatro colunas: artigo encontrado, gênero (masculino/feminino), número (singular/plural), e frase completa onde apareceu. Essa última coluna é importante porque o mesmo artigo pode ter funções diferentes. "O" como artigo definido ("o livro") não é a mesma coisa que "o" como pronome demonstrativo ("o livro é meu"). Confundir isso é o erro mais comum que eu vejo em fichas de leitura entregues pelos alunos, e é o tipo de coisa que um professor atencioso marca na hora. Para a seção de transformação com "es, is, os, us", pegue cinco frases do texto e reescreva cada uma alterando o gênero e/ou o número dos artigos. Por exemplo: "A menina leu um livro" vira "Os meninos leram uns livros". Parece trivial, mas há armadilhas. Verbos precisam concordar também. Se você só mudar o artigo e deixar o verbo no singular, a frase fica errada e o professor vai notar. Eu já perdi pontos por isso em exames quando ainda estava na escola, então falo com quem já sangrou nessa ferida.

O resumo da obra deve ter entre 80 e 120 palavras. Mais que isso e você está copiando a sinopse da contracapa. Menos que isso e parece que não leu de fato. Escreva em suas próprias palavras, mesmo que isso signifique relembra o que leu e anotar primeiro no rascunho antes de passar para a ficha final. Quanto ao tema central, não caia na tentação de colocar "amor" ou "sociedade" como resposta genérica. Seja específico. Se o texto trata das consequências da emigração na família portuguesa dos anos 60, escreva isso. Generalizações são o que fazem as fichas de leitura parecerem tarefas burocráticas sem alma.

Pegadinhas que ninguém conta

Aqui vão dois insights que eu aprendi na marra e que raramente aparecem em tutoriais online. O primeiro é sobre textos narrados em primeira pessoa. Quando o narrador diz "oi", "olhe", "ouve", aquelas sequências fonéticas idênticas aos artigos não são artigos. Eu vi aluno destacar "oi" como artigo definido em uma ficha e ainda tentar justificar. Texto em primeira pessoa abunda em formas verbais e interjeições que podem enganar o olhar cansado. Se estiver com dúvida, pergunte: aquela palavra funciona como determinante do substantivo seguinte? Se não, não é artigo.

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O segundo insight é mais técnico e interessa especialmente a quem lida com português de Portugal versus português do Brasil. Em variedades brasileiras coloquiais, o artigo definido antes de nomes próprios é muito mais frequente ("a Maria foi à festa"). Em textos literários portugueses contemporâneos, essa construção é mais rara. Se a ficha pede para identificar padrões de uso de artigos e você pegar um texto brasileiro sem se dar conta, suas conclusões sobre frequência podem ficar desbalanceadas. Vale anotar no campo de observações da ficha que tipo de variante o texto utiliza. Professores que entendem do assunto agradecem. Os que não entendem passam a ver como encheção de linguiça, mas pelo menos você cobriu as bases. Outro detalhe prático: se o texto contém versos de poesia, o recorte das linhas pode separar artigo do substantivo que ele determina. "O / homem" em dois versos diferentes ainda é artigo definido + substantivo masculino singular. Anote isso na tabela com uma observação, senão pode parecer que houve apenas oito ocorrências em vez de nove.

Download da ficha modelo

Não vou hospedar arquivos aqui. O que posso fazer é descrever a estrutura exata que eu uso e recomendo. Você pode copiar para uma folha A4 ou para um documento Word e ajustar conforme a necessidade. O cabeçalho deve conter: nome do aluno, turma, data, disciplina, nome da obra, autor, ano de publicação, editora (se souber), número de páginas lidas. Abaixo, uma seção de resumo com espaço para pelo menos 10 linhas escritas. Depois, a tabela de identificação dos artigos com as quatro colunas mencionadas. Em seguida, a seção de transformação com cinco exercícios de reescrita. Por fim, um campo aberto para observações pessoais sobre o texto.

Se quiser uma versão em PDF pronta para imprimir, pesquise por "ficha de leitura artigos modelo" nos sites das escolas que costumam disponibilizar material aberto. Muitas escolas portuguesas têm repositórios online onde professores deixam templates gratuitos. O INAVE (Instituto de Avaliação Educacional) de Portugal também disponibiliza alguns materiais de apoio, embora sejam mais focados em avaliação padronizada do que em fichas de leitura propriamente ditas.

Quando a ficha de leitura não serve para nada

Vou ser direto: a ficha de leitura com identificação de artigos é uma ferramenta útil apenas se o objetivo real da atividade for mesmo o reconhecimento morfológico dos artigos no contexto textual. Se o professor assignsou uma ficha dessas apenas para "preencher hora", vai sentir isso. Alunos percebem. E quando percebem, fazem o mínimo: destacam os artigos mais óbvios, ignoram as exceções, copiam um resumo da Wikipedia e pronto. O processo leva cerca de 25 minutos, mas o aprendizado é praticamente nulo. Um cenário onde a ficha claramente falha é com textos muito curtos, como contos de menos de 15 páginas ou crônicas de jornal. A amostra é insuficiente para qualquer análise significativa de frequência de artigos. Nesses casos, o ideal é agrupar dois ou três textos menores sob o mesmo tema e tratar como um corpus menor. Isso exige que o professor autorize, mas faz toda a diferença na qualidade da análise.

Outro ponto fraco: a ficha não mede compreensão leitora. Você pode identificar perfeitamente todos os artigos definidos e indefinidos de um texto e ainda assim não ter captado seu sentido profundo. Por isso, a seção de observações pessoais não deve ser tratada como enfeite. É onde a leitura de fato acontece. Se deixar esse campo em branco, a ficha perde metade do valor. Uma alternativa quando o texto é extremamente denso ou abstrato é abandonar a ficha tradicional e usar um mapa conceitual em vez disso. Mapa conceitual exige mais tempo inicial, talvez 40 minutos contra 25 da ficha, mas retenção e compreensão são consistentemente maiores segundo estudos de didática da literatura que eu li. Não vou citar autores aqui porque memoria não é exatamente o forte, mas o resultado prático é que alunos que fizeram mapas conceituais lembravam detalhes dos textos semanas depois, enquanto os que fizeram fichas de leitura padrão já tinham esquecido tudo na prova seguinte.

Se você está preso a uma ficha de leitura com a exigência dos artigos "as es is os us", o melhor caminho é fazer o trabalho direito da primeira vez. Escolha um texto generoso em variação argumental, identifique os artigos com cuidado usando a técnica de cores, trate as frases em versos separados corretamente e não pule a seção de transformações gramaticais. O esforço extra nos primeiros 10 minutos economiza dor de cabeça depois, especialmente se o professor pedir para apresentar a ficha oralmente, o que infelizmente acontece mais do que o esperado. No fim das contas, ficha de leitura é o que você faz dela. Pode ser uma tarefa burocrática que consome 20 minutos e não ensina nada, ou pode ser uma oportunidade real de treinar o olhar analítico sobre a língua. A diferença entre uma coisa e outra geralmente está em quão atento você é durante o processo, não no formato do papel que entrega depois.