Medir frequência em hertz parece simples até você se deparar com um sinal que não quer cooperar
Na prática, a frequência em hertz é apenas o inverso do período de um ciclo. Mas converter teoria em medição confiável exige entender o que acontece quando você conecta um sensor a um equipamento real. Vou explicar como eu faço isso e onde costume errar.
Cálculo básico de frequência em hertz
A relação é direta: f = 1/T, onde f está em hertz e T em segundos. Se uma onda completa um ciclo a cada 0,02 segundos, a frequência é 50 Hz. Para sistemas trifásicos com inversor de frequência, a frequência de saída depende da programação do variador e da carga acoplada. Um motor de 4 polos em 1750 RPM gera uma frequência mecânica de aproximadamente 29,17 Hz, mas a harmônica elétrica presente na corrente pode indicar escorregamento ou defeito no estator.
O problema que ninguém conta nos manuais
Eu medi vibração em um motor de indução de 75 kW usando um acelerômetro piezoelétrico com pré-amplificador. A frequência de rotação esperada era 50 Hz, mas o espectro mostrava picos em 48,3 Hz e 51,7 Hz. Não era ruído. Era batimento entre a frequência da rede e uma leve desarmonia no acoplamento flexível. O analisador estava configurado com janela retangular e resolução de 0,5 Hz por linha espectral. Aumentei a resolução para 0,1 Hz e mudei para janela Hanning, o que separou os picos claramente. A diferença de 1,7 Hz correspondia ao escorregamento real do motor sob carga parcial. O erro comum é confiar na leitura direta do multímetro ou do próprio painel do variador. A frequênciaDisplayed pelo display é uma média de vários ciclos e pode mascarar variações rápidas. Para aplicações de manutenção preditiva, a FFT com resolução adequada é indispensável. Eu costumo configurar minha acquisition entre 10 e 20 linhas por Hz, dependendo da estabilidade do equipamento.
Configuração prática de medição
Primeiro, defina a taxa de amostragem. A regra de Nyquist exige que seja pelo menos o dobro da frequência máxima de interesse, mas na prática eu uso no mínimo 2,56 vezes o dobro. Se quero analisar até 5 kHz de vibração, amostro a 25,6 kHz. Isso elimina aliasing sem desperdiçar memória. Segundo, escolha a janela correta. Retangular para sinais periódicos estáveis. Hanning para sinais transientes ou com variação de amplitude. Blakman-Harris quando a supressão de sidelobe é crítica, como na presença de componentes de alta amplitude adjacentes a defeitos incipientes.
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Terceiro, configure o averaging. Para sinais estacionários, 3 a 5 médias são suficientes. Sinais não estacionários, como partidas de motores, exigem captura única com trigger sincronizado. Eu já vi técnicos usarem averaging em condições transitórias e perderem completamente a informação do defeito porque a média suavizou os picos transitórios.
Limitações que merecem atenção
A medição de frequência em hertz tem restrições que muitos ignoram. Sensores piezoelétricos têm frequência de ressonância própria, tipicamente acima de 10 kHz. Acima desse ponto, a resposta do sensor não é linear e as medições perdem confiabilidade sem compensação de calibração. Se você está analisando rolamentos com defeitos que geram energias em ultrassom, um acelerômetro comum não resolve. Outro ponto: cabos extensos introduzem capacitância que atenua sinais de alta impedância. Um cabo de 30 metros entre o sensor e o pré-amplificador pode causar perda de 3 dB em frequências acima de 5 kHz. Use cabos curtos ou pré-amplificadores integrados ao sensor quando a faixa de frequência for relevante.
Variadores de frequência introduzem ruído de comutação na faixa de 2 a 16 kHz, dependendo da tecnologia IGBT. Esse ruído pode mascarar componentes de defeito em rolamentos se o filtro de anti-aliasing não for adequado. Eu resolvi isso adicionando um filtro passa-baixas analógico de 10 kHz antes do analisador e usando shielding individual em cada cabo de sensor.
Quando a frequência em hertz não é suficiente
Em casos de falhas incipientes, a informação espectral isolada não revela a progressão do defeito. Eu recomendo complementar com análise de envelope, especialmente para rolamentos e engrenagens. A modulação de alta frequência causada por impactos internos é extraída pela demodulação do envelope, revelando frequências características de defeito que estão escondidas sob o ruído de banda larga. Se o equipamento opera em velocidade variável, a ordem tracking é necessária. Frequência em hertz sozinha não acompanha as variações de RPM. Um defeito que aparece fixo em 1× rotação pode deslocar-se no domínio da frequência se a velocidade variar, tornando a análise convencional impossível sem rastreamento de ordens.
Resumo do procedimento
Calibre o sensor antes de cada sessão de medição. Configure taxa de amostragem adequada à faixa de interesse. Selecione a janela FFT conforme o tipo de sinal. Defina resolução e averaging apropriados. Verifique a linha de base do espectro em repouso antes de colocar o equipamento em operação. Documente as condições de carga e velocidade para comparação futura. Um detalhe prático que economiza tempo: salve sempre os dados brutos (time waveform) junto com o espectro. Espectro é perda de informação. Se algo parecer suspeito na análise posterior, o sinal no domínio do tempo pode revelar o que a FFT escondeu, especialmente em casos de modulação ou transientes esporádicos.