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Funções da linguagem: o que realmente cai em prova e como resolver

Muita gente confunde as funções da linguagem porque os livros didáticos apresentam os conceitos de forma isolada, sem mostrar como identificar cada uma na prática. O exercício mais comum pede para classificar frases como referenciais, emotivas, conativas, fáticas, metalinguísticas ou poéticas, e a armadilha é que uma única mensagem pode carregar mais de uma função ao mesmo tempo. A chave é saber qual é a predominante.

Como fazer funções da linguagem exercicios com assertividade

Antes de entrar nos exemplos, preciso explicar o método que eu uso e que recomendo. Cada função está ligada a um dos seis elementos da comunicação definidos por Roman Jakobson: emissor, destinatário, mensagem, código, contato e referencial. Quando o foco recai sobre o emissor, temos a função emotiva. Quando o centro é o destinatário, a função conativa. Quando se trata do código em si mesmo, é metalinguística. Quando o objetivo é iniciar, manter ou encerrar a interação, é fática. Quando o referencial domina, é referencial. E quando a mensagem chama atenção para sua própria forma, é poética. No dia a dia das correções, vejo três erros recorrentes que todo aluno comete. O primeiro é achar que toda mensagem pessoal é emotiva. Nem sempre. Se o texto expõe sentimentos do emissor de forma desorganizada, sem buscar uma resposta específica do receptor, talvez seja apenas estilo narrativo. O segundo erro é classificar qualquer palavra de chamada como conativa. "Oi", "você sabia", "preste atenção" são indicadores, mas sozinhos não garantem a função. O terceiro erro é identificar metalinguagem em qualquer explicação técnica. A função metalinguística aparece apenas quando o código é usado para explicar o próprio código. Se alguém explica física usando termos de física, não é metalinguístico.

Um caso específico que marcou minha correção foi com uma questão que trazia o trecho "A palavra 'cair' vem do latim cadere". Muitos alunos classificaram como referencial porque a frase parecia informativa. A resposta correta era metalinguística, pois o código estava sendo usado para explicar o próprio código. Esse tipo de pegadinha aparece com frequência em concursos e processos seletivos, então vale a pena treinar com exemplos assim.

As seis funções com exemplos práticos

A função referencial é a mais frequente em textos jornalísticos, científicos e escolares. Ela prioriza a transmissão de informação de forma objetiva, com linguagem clara e direta. Um exemplo típico é a frase "A temperatura mínima tonight será de 18 graus". O foco está no conteúdo, não no emissor nem no receptor. Essa função se mostra frágil em contextos onde a objetividade total é impossível, como em notícias políticas ou relatórios sociais, porque a escolha das palavras já carrega viés. Nesse cenário, o ideal é complementar com análise crítica do texto. A função emotiva ou expressiva surge quando o emissor coloca suas emoções em evidência. Frases como "Que dia incrível! Estou muito feliz!" são o exemplo clássico. O centro está em quem fala, não em quem ouve. Em questões de prova, fique atento a recursos como exclamações, interjeições e primeira pessoa. O ponto cego aqui é que textos formais também podem usar primeira pessoa sem ser emotivos. "Concluímos que os dados são inconclusivos" é referencial, mesmo usando a primeira pessoa do plural.

A função conativa busca influenciar o comportamento do destinatário. Imperativos, verbos no imperativo, perguntas retóricas e apelos diretos são marcas fortes. "Vote consciente", "Pare de fumar agora", "Compre já seu ingresso" são exemplos clássicos. O problema é que essa função muitas vezes se mistura com a poética, pois propagandas usam recursos estéticos para persuadir. A diferenciação acontece quando você pergunta: o texto quer vender a beleza da mensagem ou quer uma ação específica do leitor? Se for ação, é conativa. A função fática testa ou mantém o canal de comunicação. Frases como "Alô", "Está me ouvindo?", "Você entendeu?" são típicas. Em redes sociais, comentários como "kkkk" ou emojis de reação frequentemente cumprem papel fático. Um detalhe que poucos notam: chamadas técnicas como "deu pra ver?" em vídeos educacionais também são fáticas, pois verificam se o canal funciona.

A função metalinguística usa o código para falar do próprio código. Quando você lê uma explicação sobre gramática, dicionários, glossários ou legendas, está diante dessa função. A frase "O sufixo '-dade' forma substantivos abstratos" é metalinguística. O cuidado é não confundir com função referencial. A diferença está em saber se o texto explica o sistema de linguagem ou apenas transmite informação sobre o mundo. A função poética concentra-se na forma da mensagem. Ritmo, rima, aliteração, metáfora, jogo de palavras. "O rio corre, volve e corre" carrega essa função pela repetição sonora. Em questões de prova, poemas são o exemplo mais óbvio, mas anúncios publicitários bem elaborados também entram aqui quando o foco é a construção linguística e não apenas a informação.

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Exercícios comentados para fixação

Vamos a alguns exemplos que realmente aparecem em provas. O primeiro: "Maria estava triste porque perdeu o ônibus". A função predominante é referencial. O foco é informar um fato, sem apelo emocional explícito ou tentativa de influenciar o leitor. Mesmo citando uma emoção, o texto não se organiza para expressá-la. O segundo exemplo: "Olha só que beleza essa pintura!". Aqui há emotividade clara, com exclamação e avaliação pessoal. A função é emotiva. A armadilha seria classificar como poética pela expressão "que beleza", mas o texto não trabalha a forma da mensagem, e sim a manifestação do sentimento.

O terceiro: "Segundo o dicionário, 'efêmero' significa passageiro". Isso é metalinguístico. O texto usa a linguagem para explicar a linguagem. O erro comum é marcar como referencial, mas o objeto da mensagem é o próprio código lexical. Quarto exemplo: "Você está aí? Me responde". Função fática. O emissor quer verificar se o canal está funcionando. Não há transmissão de informação substantiva, apenas manutenção do contato comunicativo.

Quinto exemplo: "Não adianta chorar sobre leite derramado". Isso é conativo. Há uma intenção de influenciar o comportamento do interlocutor, ainda que de forma implícita, através de um provérbio. A pegadinha é achar que é referencial por apresentar um dito popular, mas o objetivo comunicativo é orientar a atitude do receptor. Sexto exemplo: "O vento uivava entre as árvores dançantes". Função poética. A linguagem chama atenção para si mesma através de personificação e sonoridade. O conteúdo existe, mas a forma é o que está em primeiro plano.

Erros frequentes e como evitá-los

Alunos costumam errar porque tentam identificar a função pelo tema e não pelo propósito comunicativo. O tema pode ser o mesmo, mas a função muda conforme a intenção. Um texto sobre saúde pode ser referencial em um manual médico, conativo em uma campanha de vacinação e poético em um poema sobre o corpo humano. Outro erro grave é achar que funções são mutuamente exclusivas. Na prática, quase toda mensagem carrega mais de uma função, mas a questão pede a predominante. O que define a predominância é o elemento comunicativo mais destacado: se o emissor se sobressai, é emotiva; se o destinatário recebe o foco, é conativa; se a informação predomina, é referencial.

Quando se depara com textos ambíguos, a solução é analisar a intenção principal. Pergunte: o que o autor quer mais? Informar, expressar, persuadir, manter o contato, explicar o código ou cuidar da forma? A resposta aponta para a função predominante.

Questões extras para praticar

Para treinar de verdade, recomendo procurar bancos de questões de concursos públicos, vestibulares e material didático de qualidade. Sites como Qconcursos e Gran Cursos possuem milhares de questões organizadas por banca e tema. Anotar os erros em um caderno e revisar os conteúdos associados melhora significativamente o desempenho em poucas semanas. Um exercício pouco explorado mas eficaz é pegar headlines de jornais, propagandas e posts de redes sociais e classificar cada um. A diversidade de gêneros expõe o aluno a situações reais onde as funções se misturam, desenvolvendo a capacidade de identificar a predominância com maior precisão. Levar de duas a três horas por semana nessa prática já gera melhoria perceptível em poucos meses.

O maior limitador desse estudo é a superficialidade de algumas questões de múltipla escolha. Muitas são mal elaboradas e têm mais de uma resposta plausível, o que gera frustração. Nesses casos, o ideal é focar nas bancas mais tradicionais, como FGV, CESPE e VUNESP, que costumam elaborar questões mais precisas e fiéis ao conteúdocobrado.