Funções sintáticas do pronome relativo
O que as pessoas confundem quando aparecem as funcoes sintaticas do pronome relativo
A maioria dos alunos travam porque tentam decorar funções em vez de entender o movimento. O pronome relativo basicamente substitui um termo já mencionado e, ao fazer isso, ocupa um lugar dentro da oração subordinada. Esse lugar é a função sintática. O problema é que a função muda dependendo do que o pronome representa e da regência do verbo na subordinada. Eu já vi gente errar questão de concurso por não perceber que o "onde" só funciona para lugar. Quando aparece um verbo que pede preposição, tipo "obedecer", o relativo precisa carregar essa preposição junto. A banca cobra isso o ano todo.
Os pronomes e suas formas básicas
O "que" é o mais flexível. Pode funcionar como sujeito, objeto direto, complemento nominal, agente da passiva. O "quem" exige preposição e se refere a pessoas. O "cuj(cuja,cuja,s)" é aquela armadilha clássica: sempre indica posse e nunca pode vir precedido de artigo ou preposição antes. O "onde" é restrito a luogo. O "cujo" é o que mais gera erro na redação porque as pessoas colocam artigo depois dele. Na prática, quando você vê "cujas mãos", isso já tá errado. O certo é "cujas mãos", sem artigo entre o relativo e o substantivo subsequente. Eu já corrigi documento jurídico onde tinham "cujos os bens" escrito. Aquilo era absurdo gramaticalmente e ainda mudava completamente a interpretação.
Sujeito na subordinada
Quando o pronome relativo é sujeito, ele simplesmente pratica a ação do verbo. Exemplo: "O homem que chegou atrasado". "Que" é sujeito de "chegou". Não tem preposição envolvida, não tem verbo que exija regência especial. É a função mais direta. O que as pessoas esquecem é que às vezes o sujeito vem intercalado. Tipo "O livro que, segundo meu amigo, seria bestseller". O "que" continua sendo sujeito de "seria", apesar do intercalado. A banca adora colocar coxas nessas horas pra confundir quem não presta atenção.
Objeto direto e indireto
O objeto direto também usa o "que", mas aí tem que prestar atenção no verbo. Se o verbo é transitivo direto, não tem preposição. "O filme que assistimos". Se é transitivo indireto, precisa da preposição. "O colega a quem confiámos o relatório". O "a" pertence ao verbo "confiar", não ao relativo. Isso é importante de entender. Já vi muitas pessoas escreverem "o lugar que fui" achando que está certo. Se for objeto indireto com regência de "ir a", o correto é "o lugar a que fui". A preposição não some só porque o relativo é "que".
Complemento nominal e agente da passiva
O complemento nominal é mais difícil de identificar porque exige preposição. "A causa de que sofremos". Aqui o verbo "sofrer" pede a preposição "de", então o relativo carrega ela. Se alguém escrever "a causa que sofremos", perdeu a preposição e a frase quebrou. Agente da passiva é quando o pronome indica quem pratica a ação numa construção passiva. "O crime que cometi" equivale a "cometi o crime". Na passiva seria "O crime que foi cometido por mim". O "que" aí é agente da passiva. Função que poucas pessoas identificam num primeiro momento.
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O "cujo" e os problemas que eu já encontrei no campo
O "cujo" é aquele que todo mundo acha que domina e na hora H erra feio. A regra básica é: cujo = de + o. Mas o detalhe é que o "cujo" concorda em gênero e número com o substantivo que vem DEPOIS dele, não com o antecedente. Isso é contra-intuitivo pra muita gente. Eu estava revisando um contrato de parceria onde tinha escrito "a empresa cujo os sócios". Isso é erro gravíssimo. O certo é "a empresa cujos sócios". Sem artigo entre o relativo e o termo subordinado. Já cancelei negociação porque encontraram dois desses erros num documento que eu ia analisar. Mostra desleixo técnico demais.
O "onde" que não é só lugar
Aqui tem um ponto que as gramáticas mais antigas ignoram. O "onde" tradicionalmente só se usa para luogo físico. Mas na linguagem contemporânea, especialmente em textos técnicos e jurídicos, já se vê "onde" usado para situações abstratas. "O momento em que/de que isso aconteceu" ainda é o padrão culto, mas "o cenário onde a discussão ocorreu" começou a ser aceito. Minha recomendação prática: em prova de concurso ou edital formal, use "onde" só para lugar. Em texto livre, se o sentido de localização estiver claro, pode usar. Mas saiba que alguns corretores mais tradicionais ainda vão marcar como erro.
Dica prática para identificar a função rapidamente
Troca o pronome relativo pelo substantivo que ele substitui e vê se a oração continua fazendo sentido. Se mantiver o sentido original, a função tá certa. Se quebrar, precisa ajustar a preposição ou o termo. Outra técnica: isole a oração subordinada e pergunte qual a relação do pronome com o verbo dela. Se responde "quem faz" é sujeito. Se responde "o quê" é objeto direto. Se responde "a quem/de quem" com preposição, é objeto indireto ou complemento nominal.
Erros que aparecem com frequência em revisões
Um erro muito comum é usar "cujo" quando o sentido não é de posse. "O autor cujo livro li" está certo. "O autor cujo falei ontem" está errado porque não há relação de posse. Aí o correto seria "o autor de que falei" ou "o autor a que me referi". Outro erro frequentíssimo é usar "onde" para tempo. "O dia onde nos conhecemos". Errado. O certo é "o dia em que/nos qual nos conhecemos". Tempo não é lugar, não adianta forçar o "onde".
Versões resumidas para consulta rápida
O pronome relativo substitui um termo anterior e ocupa uma função sintática na oração subordinada. As principais funções são: sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva e adjunto adverbial. O "que" é o mais versátil. O "cujo" exige concordância com o termo subsequente e não admite artigo entre eles. O "onde" é restrito a luogo em registro formal.