Fundador Da Umbanda - ZÉLIO FERNANDINO DE MORAES O FUNDADOR DA "UMBANDA" - YouTube
ZÉLIO FERNANDINO DE MORAES O FUNDADOR DA "UMBANDA" - YouTube

O que é umbanda e quem começou isso

A umbanda é uma religião de matriz africana surgida no Brasil no início do século XX, que mistura elementos do espiritismo kardecista, crenças indígenas, catolicismo popular e tradições de origem iorubá, angola e congo. Não existe um único manual ou dogma central. Cada terreiro funciona de um jeito, e isso gera confusão na hora de estudar ou praticar.

Quem é o fundador da umbanda

Zélio Fernandino de Moraes é amplamente reconhecido como o responsável pela fundação formal da umbanda. Em 15 de novembro de 1908, no Rio de Janeiro, durante uma sessão espírita, ele entrou em transe e afirmou que a entidade Omulu do Bem falava por ele. Nesse momento, segundo os relatos, surgiu a primeira manifestação pública do que se chamaria umbanda — diferente do espiritismo kardecista da época, que rejeitava manifestações mais físicas e o uso de elementos africanos. Zélio tinha 23 anos, era funcionário público e não tinha formação religiosa anterior. O fato de ter sido um leigo, sem ligação com nenhuma comunidade de candomblé, é exatamente o que torna esse marco tão significativo e tão debatido até hoje. Mas há camadas que poucos mencionam. Antes de 1908, já existiam práticas religiosas sincretistas no Rio e em São Paulo que misturavam mediunidade, orixás e santos católicos. Zélio não inventou tudo do zero — ele canalizou algo que já estava no ar e deu nome a ele. Tias e tíos mais velhos das comunidades urbanas já faziam trabalhos semelhantes, mas de forma dispersa e sem estrutura.

Como estudar a prática de verdade

Se você quer entender a umbanda para além da teoria, comece observando. Vá a um terreiro, sente-se no fundo, e preste atenção na sequência das entidades, na música, nos pontos cantados, na forma como o chefe de templo conduza a corrente. Isso vale mais do que qualquer livro. A maioria dos materiais escritos sobre fundador da umbanda foca apenas em Zélio e nos primeiros anos, e deixa de fora décadas de adaptação regional, cisões e ressignificações. Um problema que eu enfrentei na prática foi tentar mapear a linhagem espiritual de um terreiro pequeno no interior de Minas Gerais para entender quais linhas de trabalho eles seguiam. Os registros escritos eram incompletos, e o próprio pai de santo evitava detalhar certas descendências por questões de proteção do espaço. O que funcionou foi observar durante três meses seguidos os pontos cantados e os nomes das entidades que mais se repetiam, cruzando com a gravação de festas e rituais públicos. Assim consegui identificar que eles seguiam uma linha próxima à da Lei de Obaluaê, mas com influências marcantes da linha de Xangô, o que explicava certos tons mais rígidos nas conduções.

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Erros comuns de quem começa

Uma pegada frequente é tratar a umbanda como se fosse espíritismo puro. A diferença é estrutural: na umbanda, as entidades têm personalidades muito mais definidas, com funções específicas, nomes, formas de se apresentar e formas próprias de se comunicar. O contato não é apenas mediúnico no sentido kardecista — há todo um aparato simbólico, sonoro e corporal que entra na equação. Outro erro é achar que existe hierarquia uniforme entre as linhas. Na realidade, cada terreiro organiza seus caboclos, pretos-velhos, exus, pombas, crianças e orientais de maneira própria. O que funciona em uma casa pode não fazer sentido em outra, mesmo que ambas se digam umbandistas.

Alguns terreiros mais antigos, especialmente no Rio e em São Paulo, mantêm registros manuscritos que remontam aos anos 1920 e 1930. Esses documentos podem ser encontrados em acervos como o do Museu da Pessoa ou em bibliotecas de universidades públicas. Se você está pesquisando para um trabalho acadêmico, comece por aí antes de confiar em sites que repetem a mesma versão simplificada.

O que a umbanda não é

Não é candomblé, apesar de compartilhar algumas divindades. Não é macumba — esse termo é um estereótipo carregado de preconceito que não corresponde a nenhuma tradição organizada. Também não é sinônimo de caridade, embora o trabalho social seja parte importante de muitos terreiros. A umbanda tem cosmologia, A maior limitação de quem estuda a umbanda pela internet é a falta de contexto. Textos sobre o fundador da umbanda geralmente citam Zélio de forma isolada, sem mostrar o debate que houve entre espíritas da época — muitos condenavam o que ele fazia, others adaptavam e otheres simply ignored. Esse debate interno é essencial para entender por que a umbanda se desenvolveu como se desenvolveu.

Se você quer se aprofundar, o caminho mais confiável ainda é a experiência presencial e a leitura crítica de autores como Hélio Pereira dos Santos, Mina Clarindo de Assis e Flávio Aguiar, que tratam o tema com rigor histórico e respeito à tradição.