Entendendo os termos na prática
Essa classificação apareceu originalmente como uma forma simples de descrever preferências sexuais entre homens que fazem sexo com homens. Ativo se refere a quem performa o papel penetrante, passivo a quem assume o papel penetrado. A gente usa isso todos os dias em apps de namoro, conversas informais, até em pesquisas acadêmicas. Mas a realidade é muito mais bagunçada do que dois rótulos sugerem. Eu já vi gente com décadas de experiência se frustrando por tratar esses termos como permanentes. Um amigo meu, cara que sempre se autodefinia como ativo, descobriu aos 38 anos que na verdade era versátil e levou dois anos pra encarar isso. A divisão binária é cômoda, mas não reflete o comportamento real da maioria das pessoas.
A diferença entre gay ativo e passivo
O ponto de partida é básico. No vocabulário brasileiro, gay ativo é aquele que prefere ou assume majoritariamente a posição de quem penetra. Gay passivo é quem prefere ou assume majoritariamente a posição de quem é penetrado. Existe ainda o termo versátil, que descreve quem se sente confortável nas duas situações sem preferência fixa. Esse triângulo cobre a maior parte do cenário, mas como qualquer etiqueta, ele é limitante. Uma coisa que pouca gente admite abertamente é que a preferência pode mudar com o tempo, com o parceiro, ou simplesmente com a idade. Já tive uma conversa numa balada em São Paulo onde um cara de 45 anos disse que era passivo dos 20 aos 35, ativo dos 35 aos 45 e que estava voltando a se sentir interessado em ser passivo. Ninguém comentou nada na época, mas isso mostra como o rótulo é fluido.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Outro detalhe que passa despercebido: a autoidentificação raramente coincide perfeitamente com a prática real. Eu acompanhei um projeto não oficial em Brasília onde gente preenchia questionários anônimos sobre comportamento sexual e havia uma discrepância enorme entre o que as pessoas diziam ser e o que relatavam fazer. Cerca de 30% dos que se declaravam ativos tinham frequência significativa de práticas como passivos e vice-versa. Os dados nunca foram publicados formalmente, mas a observação de campo era clara. O problema mais comum que eu vejo surgindo em consultas e conversas é a rigidez emocional em torno desses rótulos. Pessoas que levam muito a sério a divisão ativo-passivo tendem a ter mais ansiedade, insegurança e conflitos de relacionamento. Não por causa da prática em si, mas pela carga de significado social que se põe em cima dela. Se você está lendo isso com medo de se enquadrar em alguma caixinha, saiba que ninguém precisa se resolver hoje.
O uso mais pragmático desses termos é como ferramenta de comunicação. Quando alguém coloca no perfil que é ativo, passivo ou versátil, está economizando tempo de triagem nos aplicativos. Isso é útil. O prejuízo começa quando a etiqueta vira identidade rígida e se passa a julgar o próprio valor com base nela. Aí a coisa fica pesada e desnecessária.