Graus De Adjetivo - Graus dos adjetivos
Graus dos adjetivos

Como funcionam os graus do adjetivo na prática

A gente ouve desde o ensino fundamental que existem dois graus do adjetivo: o comparativo e o superlativo. A teoria é simples, mas na hora de aplicar — especialmente em textos formais ou em revisões de documentos — as coisas complicam rápido. Muita gente confunde comparativo de superioridade com superlativo absoluto sintético, e isso gera erros que passam despercebidos até um revisor experiente notar.

graus de adjetivo: o que realmente importa

O adjetivo varia em intensidade. O grau comparativo faz uma relação entre dois elementos, enquanto o grau superlativo eleva a qualidade a um patamar máximo, seja de forma relativa (comparada a outros) ou absoluta (sem referência externa). Essa distinção parece óbvia, mas é onde a maioria erra. O comparativo tem três formas: de superioridade (mais ... do que), de inferioridade (menos ... do que) e de igualdade (tão ... quanto). O superlativo se divide em absoluto sintético — quando usamos um sufixo ou palavra derivada, como "bonito" virando "bonitíssimo" — e absoluto analítico — quando empregamos um advérbio de intensidade antes do adjetivo, como "extremamente bonito".

Os irregulares são o verdadeiro problema. "Bom" vira "melhor" no comparativo de superioridade, não "mais bom". "Mau" vira "pior". "Grande" vira "maior". E no superlativo absoluto sintético, esses mesmos adjetivos têm formas próprias: "bonitíssimo" está correto, mas o superlativo de "bom" pode ser "ótimo", o de "mau" pode ser "péssimo". Isso não é coisa de livro didático, é algo que aparece todo dia em editais de concurso e em revisão de textos jurídicos. Eu perdi tempo — e fiz um cliente perder tempo também — num parecer jurídico em que o redator original usava "mais interessante" num contexto que claramente pedia um superlativo absoluto. O texto dizia que determinada tese era "a mais interessante de todo o corpo doutrinário". Soa aceitável? Soa. Mas o correto, em registro formal, seria algo como "a interessantíssima" ou "a mais interessante entre todas". A diferença é sutil e só quem revisa muito é que percebe na hora. A solução que eu adotei foi simplesmente perguntar ao redator o que ele queria transmitir: intensidade absoluta ou comparação explícita. Quando é absoluta, usamos o superlativo. Quando é relativa, o comparativo. Sem adivinhação.

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Outro ponto que pouca gente leva a sério: a concordância. No comparativo e no superlativo, o adjetivo deve concordar em gênero e número com o substantivo a que se refere. "As questões eram mais relevantes" — correto. "As questões eram mais relevante" — errado, e esse erro aparece com frequência em textos produzidos poria automaticamente, porque a IA tende a não fazer a concordância no adjetivo quando ele vem acompanhado de um comparativo. Há ainda a questão dos advérbios que acompanham o grau. Palavras como "muito", "bastante", "pouco", "extremamente" e "demais" podem modificar o adjetivo, mas nem sempre se comportam da mesma forma. "Muito bom" é comparativo de superioridade analítico. "Bootíssimo" é superlativo absoluto sintético. Ambos exprimem alta intensidade, mas em registos diferentes. Em um texto acadêmico, "muito bom" soa mais natural. Em um texto jornalístico ou publicitário, "ótimo" pode ser mais eficaz.

Um erro frequente e interessante é o uso do superlativo absoluto sintético com adjetivos que não admitem sufixo. "Risículo" existe, mas "feio" não tem um superlativo sintético consolidado na língua — o que leva muita gente a criar formas como "feíssim", que soam artificiais. Nesses casos, o superlativo analítico ("muito feio", "extremamente feio") é a saída segura. Não force uma forma que a língua não aceitou. Na prática, para revisar ou produzir um texto com os graus do adjetivo corretos, o caminho mais eficiente é: primeiro identificar se há comparação entre dois elementos ou se a intensidade é absoluta. Depois, verificar se o adjetivo é regular ou irregular. Se for irregular, consultar a forma correta do comparativo e do superlativo. Se for regular, aplicar o sufixo adequado ou usar um advérbio intensificador. Esse processo costuma levar de trinta segundos a dois minutos por frase, dependendo da complexidade. Leva menos do que discutir no WhatsApp se "mais melhor" é aceitável — e já vi isso em texto de profissional formado.

O principal limitation dessa abordagem é que ela depende do domínio das formas irregulares, que não seguem uma regra lógica e precisam ser memorizadas. Não existe atalho. Dicionários especializados e gramáticas de referência, como a Cel Cunha ou a Bechara, listam as formas, mas o tempo de consulta pode ser proibitivo em situações de pressão, como uma prova de título ou um prazo apertado de revisão. Nesses casos, o ideal é ter uma tabela de referência rápida à mão, com os dez ou doze adjetivos irregulares mais comuns e suas formas comparativas e superlativas. Isso reduz o tempo de verificação para algo perto de dez segundos por caso.