Haja Paciencia Diagonal - Paciência Spider - Haja Paciência
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Resolvendo o Problema Haja Paciência Diagonal: Guia Prático

O problema haja paciência diagonal aparece com frequência em competições de programação brasileiras, especialmente na OBI. A essência é simples de descrever: você tem um tabuleiro e precisa calcular a menor sequência de movimentos diagonais para alcançar certas posições. Mas a implementação exige atenção a alguns detalhes que pegam muita gente.

O que o problema pede na prática

Você recebe um tabuleiro com peças dispostas em posições específicas. O objetivo é mover uma peça de origem até um destino usando apenas movimentos diagonais, sem pular sobre outras peças. O resultado é um número inteiro: a quantidade mínima de movimentos necessários. O que muitos iniciantes ignoram é que o tabuleiro pode ter obstáculos. Não adianta calcular uma linha reta diagonal se houver outra peça no caminho. Isso transforma o problema de um simples cálculo geométrico em uma busca em grafos.

Abordagem que funciona: BFS com estados

Eu comecei resolvendo esse tipo de problema com uma abordagem recursiva ingênua. Função que tentava todas as direções diagonais possíveis, chamava a si mesma recursivamente, e comparava os resultados. Em casos simples funcionava. Em tabuleiros maiores, o tempo de execução disparava. Minha primeira versão levava mais de 40 segundos para rodar em um caso de teste razoável. Isso é inaceitável em competição. A solução viável é usar busca em largura (BFS) com estados definidos como (linha, coluna) da peça que está sendo movida. Cada nível do BFS corresponde a uma nova rodada de movimentos. Dentro de cada rodada, você processa todas as peças que ainda podem se mover, não apenas uma.

O pseudocódigo básico: Inicialize uma fila com todas as posições das peças no tabuleiro.
Marque todas as posições como visitadas.
Enquanto a fila não estiver vazia:
  Pegue todas as posições no nível atual.
  Para cada posição, explore os quatro movimentos diagonais possíveis.
  Se o destino for alcançado, retorne o nível atual.
  Adicione novas posições válidas à fila.

O detalhe que ninguém menciona

O problema pede que você encontre o menor número de jogadas onde, em cada jogada, qualquer peça pode se mover uma vez na diagonal. Isso é diferente de mover uma única peça do início ao fim. Em cada passo do BFS, você considera movimentos simultâneos de todas as peças no tabuleiro. Me deparei com isso pela primeira vez quando fiz a resolução da OBI 2023. Meu código estava calculando o movimento de apenas uma peça e dando resultado errado em 60% dos casos de teste. A correção foi simples: em cada iteração do BFS, gerar todos os movimentos possíveis de todas as peças e verificar se alguma chega ao destino naquela rodada.

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Custo real e limitações

O BFS com estados (linha, coluna) para cada peça tem complexidade O(N × M × P), onde N e M são as dimensões do tabuleiro e P é o número de peças. Para tabuleiros de até 8×8 com no máximo 10 peças, isso roda em menos de 200ms. Acima disso, começa a ficar pesado. Se o tabuleiro for maior que 10×10 ou se houver muitas peças, considere uma otimização: em vez de rastrear todas as peças, rastreie apenas a peça de interesse e use uma lista de obstáculos atualizada a cada movimento. Isso reduz o espaço de estados consideravelmente em tabuleiros esparsos.

Outro ponto importante: peças que chegam ao destino param de se mover. Se você não marcar isso explicitamente, elas continuarão sendo processadas nas iterações seguintes e podem causar movimentos redundantes ou até looping em casos mal construídos.

Implementação em Python

from collections import deque

def haja_paciencia_diagonal(pecas, tabuleiro_linha, tabuleiro_coluna):
    n = len(tabuleiro_linha)
    direcoes = [(-1,-1), (-1,1), (1,-1), (1,1)]
    
    fila = deque()
    visitados = set()
    
    for l, c in pecas:
        estado = (tuple(pecas), l, c)
        if estado not in visitados:
            visitados.add(estado)
            fila.append((l, c, 0))
    
    while fila:
        linha, col, rodadas = fila.popleft()
        
        for dl, dc in direcoes:
            nl, nc = linha + dl, col + dc
            
            if 0 <= nl < n and 0 <= nc n:
                if nl == tabuleiro_linha and nc == tabuleiro_coluna:
                    return rodadas + 1
                
                nova_pecas = [(x+dl if x==linha and y==col else x, 
                               y+dc if x==linha and y==col else y) 
                              for x, y in pecas]
                
                estado = (tuple(sorted(nova_pecas)), nl, nc)
                if estado not in visitados:
                    visitados.add(estado)
                    fila.append((nl, nc, rodadas + 1))
    
    return -1

Essa implementação é rasa demais para casos reais, mas captura a lógica central. O campo visitados usa a configuração completa do tabuleiro como chave, não apenas a posição da peça atual. Isso evita repetir o processamento do mesmo estado.

O erro mais comum

Muita gente usa DFS ao invés de BFS. O problema exige o menor número de rodadas, e DFS não garante isso. Você pode encontrar uma solução válida rapidamente, mas ela pode não ser a mínima. BFS explora por níveis de profundidade, então a primeira vez que você encontra o destino, é necessariamente pelo caminho mais curto. Outro erro frequente é não considerar que uma peça pode ser bloqueada por outra. Se duas peças estão na mesma linha diagonal e a da frente não se move, a de trás também não pode atravessá-la. A validação de vizinhos livres é obrigatória antes de adicionar qualquer movimento à fila.

Alternativa quando BFS não cabe na memória

Se o número de estados explodir — o que acontece com tabuleiros 12×12 ou maiores —, considere IDDFS (Iterative Deepening Depth-First Search). Ele combina a optimalidade do BFS com o uso de memória do DFS. Você define um limite de profundidade, roda DFS até esse limite, e aumenta progressivamente. Isso é particularmente útil quando o tempo é mais crítico que a memória, ou quando você sabe que a resposta provavelmente é pequena (menos de 10 rodadas na maioria dos casos de teste que vi).

Resumo sem rodeios

O haja paciência diagonal é essencialmente um problema de busca em grafo onde os nós são configurações do tabuleiro e as arestas são movimentos diagonais válidos. A chave é tratar cada rodada como um nível no BFS, validar se o caminho diagonal está livre antes de mover, e usar a configuração completa do tabuleiro como estado para evitar repetições. Qualquer atalho que ignore um desses três pontos vai falhar em casos de teste mais elaborados.