Entendendo a hiperalgesia na prática clínica
A hiperalgesia é uma condição na qual um estímulo que normalmente causaria dor moderada resulta em uma sensação dolorosa muito mais intensa do que o esperado. É diferente de tudo isso. O sistema nervoso simplesmente decide amplificar o sinal. Eu vi isso acontecer com pacientes pós-cirúrgicos onde uma simples troca de curativo virava um evento incapacitante, e também com pacientes crônicos cujos opioides, paradoxalmente, estavam piorando a sensibilidade à dor em vez de aliviar.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
hiperalgesia o que é e como identificar
O diagnóstico é clínico, basicamente. Você mede o limiar doloroso com estímulos padronizados — algômetro de pressão, testes térmicos, estimulação mecânica leve — e compara com valores de referência. O problema é que a hiperalgesia secundária, aquela que surge após uma lesão ou cirurgia, muitas vezes é subestimada porque o médico foca apenas na dor original do trauma e ignora o aumento desproporcional da resposta a estímulos não nocivos ao redor da área lesionada. No meu trabalho, o caso mais complicado que enfrentei foi com um paciente diabético neuropático que desenvolvendo hiperalgesia generalizada devido ao uso prolongado de tramadol em dose alta. O paciente vinha relatando que "tudo doía", mas os exames de imagem eram normais. O que parecia ser progressão da neuropatia na verdade era sensibilidade central aumentada pela exposição crônica ao opioide. A intervenção foi reduzir gradualmente o tramadol e introduzir pregabalina, com melhora significativa em cerca de seis semanas.
A hiperalgesia induzida por opioidea é um dos pitfalls mais comuns. Beginners tendem a aumentar a dose quando o paciente reporta mais dor, mas se a dor está sendo amplificada pelo próprio medicamento, isso só cria um ciclo vicioso. O reconhecimento precoce faz diferença entre resolver o problema em semanas ou arrastar por meses. Não existe exame laboratorial que confirme hiperalgesia isoladamente. O limite é que a avaliação quantitativa sensorial depende muito da colaboração do paciente e da infraestrutura disponível. Em consultórios pequenos, muitas vezes se trabalha apenas com observação clínica e escalas subjetivas, o que aumenta o risco de erro diagnóstico. Se o ambiente permitir, o teste com pinça de duas pontas e a medição do limiar térmico com equipamentos básicos são os mais práticos e confiáveis no dia a dia.