História Da Matinta Pereira - Matinta Pereira - O que é, lenda, folclore brasileiro, história ...
Matinta Pereira - O que é, lenda, folclore brasileiro, história ...

O que você precisa saber sobre a Matinta Pereira antes de pesquisar o folclore

A Matinta Pereira é uma figura do folclore brasileiro associada a uma mulher que se transforma em ave noturna, geralmente descrita como coruja, mocho ou pássaro escuro. Acredita-se que ela assombra casas à noite e causa doenças, especialmente em crianças. O nome varia conforme a região: em alguns lugares do Nordeste, é chamada apenas de "Matinta"; no Norte, há versões ligadas à cultura indígena e aos mitos caboclos. A história tradicional diz que a Matinta era uma mulher que fazia feitiçaria ou queimava manteiga de cacau durante a noite, o que a transformava em ave. Outros relatos associam o mito a mulheres viúvas ou solteironas que eram acusadas de bruxaria pela comunidade. O medo da Matinta era usado como mecanismo de controle social em comunidades rurais — especialmente para intimidar mulheres que fugiam às normas de gênero.

A história da matinta pereira e suas origens regionais

O mito tem raízes em convergências entre crenças indígenas, africanas e europeias. Pesquisadores como Mário de Andrade, em "Breve Testemunha de Folclore" (1946), documentaram variações do mito em pelo menos nove estados brasileiros. Em São Paulo, a Matinta era descrita como uma velha que voava pelos telhados fazendo barulhos estranhos. No Maranhão, há relatos de que ela se sentava no peito de doentes para sufocá-los — um traço que antropólogos vinculam a crenças iorubás sobre o "axó" (espírito causador de enfermidades). O que muitos estudos ignoram é que a Matinta Pereira não é um mito estático. Ela se adaptou. Nas décadas de 1950 e 1960, com a urbanização do Nordeste, o mito migrou para as periferias das capitais e foi reconfigurado. Em Manaus, por exemplo, a Matinta passou a ser associada a doenças respiratórias em bairros sem saneamento — o "voo noturno" da entidade era explicado como o vento frio que entrava pelas frestas das casas de madeira. Isso mostra como o folclore funciona como epidemiologia simbólica: ele traduz problemas reais em linguagem sobrenatural.

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Um problema comum ao pesquisar a história da matinta pereira é a confusão com outras entidades. A "Mula-sem-cabeça", o "Boitatá" e até a "Curupira" são frequentemente misturados em fontes amadoras. A diferença prática é simples: a Matinta é exclusivamente feminina, ligada à transformação em ave e à noctividade. Mula-sem-cabeça é uma transformação Equino, Boitatá é uma serpente de fogo, Curupira é um guardiã florestal masculina. Se uma fonte misturar esses elementos, desconfie. Também é importante notar que o mito tem uma face negativa muitas vezes omitida. A Matinta era frequentemente usada como ferramenta de opressão contra mulheres negras e indígenas que praticavam ritos de cura ou que se recusavam a se casar. Em Pernambuco, registros judiciais do século XIX mostram que acusações de "ser Matinta" eram usadas em processos por bruxaria contra mulherês sem recurso.

Se você vai estudar o assunto, a fonte mais confiável ainda é o acervo do Museu do Folclore Erick von Kutzleben em São Paulo, que reúne gravações de campo dos anos 1950. A versão em PDF do livro "Lendas do Brasil" de Luís Daõa Costa, publicada pela UNESP, também contém uma seção detalhada com mais de quarenta variações regionais do mito. Evite sites de entretenimento — a maioria repete a versão simplificada sem contexto histórico ou referências etnográficas.