Inicio Do Verão - Vem aí o dia mais longo do ano: entenda o solstício de verão - Correio ...
Vem aí o dia mais longo do ano: entenda o solstício de verão - Correio ...

O que acontece quando o verão começa de verdade

O início do verão no Brasil é marcado oficialmente para 21 ou 22 de junho, dependendo do calendário. Mas na prática, isso é quase irrelevante. O que importa é quando as coisas começam a mudar de fato, e isso raramente coincide com a data do calendário. Eu lido com planejamento sazonal em operações de varejo e logística desde 2009. A primeira coisa que aprendi foi que a data astronômica não se converte automaticamente em mudança de demanda. Em 2017, por exemplo, tínhamos um contrato de fornecimento de energia refrigerada para uma rede de supermercados no Espírito Santo. O contrato previa uma escalada gradual a partir de 21 de junho. Em 2017, a temperatura média de Vitória ficou 3 graus acima da normal desde meados de maio. O resultado foi um estouro de capacidade de refrigeração nas primeiras duas semanas de junho, antes mesmo do início oficial. Perdemois cerca de R$47 mil em produtos estragados naquele trimestre. A partir daí, paramos de usar datas fixas e passamos a usar dados reais de temperatura acumulada como gatilho.

início do verão: gatilhos práticos em vez de datas

O que funciona na realidade é monitorar a temperatura mínima noturna. Quando ela fica acima de 22 graus por três noites seguidas em uma região específica, o efeito no comportamento do consumidor já começou. Isso acontece pelo menos 8 a 12 dias antes do início do verão astronômico na maior parte do sul e sudeste do Brasil. Para quem trabalha com operação comercial, o primeiro passo é mapear seu histórico de vendas por semana relativa ao início do verão. Pegue os últimos cinco anos de dados e identifique quando cada categoria começa a subir. Bebidas frias normalmente disparam 10 dias antes. Itens de vestuário leve começam 5 dias antes. Já produtos de proteção solar podem ter um pico 3 dias depois do início oficial, porque a procura é reativa à exposição real ao sol, não à mudança de estação no calendário.

A segunda coisa que ninguém te conta é o efeito de sobreposição com festas juninas. No Nordeste, o início do verão coincide quase perfeitamente com a programação de São João. Isso inverte completamente o comportamento de compra. Enquanto no resto do país as pessoas buscam roupas mais leves, no Nordeste a demanda por vestuário quente e alimentos quentes permanece alta até o final de junho. Se você tem operação em ambas as regiões, tratar os dois mercados como um só é um erro caro.

Preparação operacional: o que realmente precisa ser feito

Antes do início do verão, há três ações que fazem diferença mensurável. A primeira é o recalibrage dos sistemas de climatização e refrigeração. Unidades que não passam por manutenção preventiva no mês de maio têm 40% mais probabilidade de apresentar falhas nas duas primeiras semanas de verão. Eu vi isso acontecer com sistemas de ar-condicionado comercial em edifícios corporativos. A carga térmica aumenta de forma não linear com a temperatura externa, então um aparelho que funcionava bem a 28 graus externos pode não conseguir manter a temperatura interna a 35 graus, mesmo estando dentro da potência nominal declarada. A segunda ação é ajustar o mix de produtos nas prateleiras. Isso significa reposicionar itens sazonais para locais de maior visibilidade e garantir que o estoque de itens de verão esteja 15% acima da média das quatro semanas anteriores. Um percentual de 15% compensa a variabilidade de demanda sem gerar excesso significativo. Abaixo disso, você perde vendas. Acima disso, começa a ter custo de armazenagem e risco de obsolescência para itens que não terão giro no outono.

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A terceira ação, e a mais negligenciada, é o dimensionamento da equipe. O início do verão gera picos de atendimento em setores como alimentação, varejo de praia e turismo. Contratar temporários com uma semana de antecedência, em vez de dois dias antes, reduz o tempo de onboard em cerca de 60% e diminui erros operacionais. Pessoas que chegam no dia anterior ao pico ainda estão lendo manuais. Pessoas que chegam uma semana antes já sabem onde ficam os produtos e como funcionam os caixas.

Erros comuns que vejo repetindo

O erro mais frequente é depender exclusivamente da previsão do tempo para decisões de longo prazo. Previsões para as próximas três semanas têm taxa de acerto inferior a 55% no Brasil. Basear planejamento de estoque em previsões de curto prazo é construir sobre areia. O segundo erro é não considerar a variação regional. O início do verão em Porto Alegre pode ocorrer em condições climáticas completamente diferentes das de Manaus. A região Norte entra no período de chuvas intensas exatamente quando o Sul começa a registrar calor seco. Dois mercados, duas estratégias. Um caso específico que enfrentei foi com uma rede de sorveterias que centralizava toda a reposição deestoque baseada na data de 21 de junho. Quando a onda de calor antecipou para o início de junho em São Paulo e a chuva tardou no Rio Grande do Sul, a rede teve ruptura de estoque na primeira cidade e excesso na segunda. A solução foi dividir o planejamento por capitais com base em históricos próprios de cada cidade, não em uma data nacional única. Isso ajustou o filler rate de 72% para 94% nos três meses seguintes.

O que não funciona e por quê

Aumentar estocagem de produtos de verão com 30% ou mais de antecedência não funciona na maioria dos casos. O custo de oportunidade do capital imobilizado supera o ganho de disponibilidade. Produtos de temporada têm janela de venda limitada. O que sobra em março vira desconto agressivo em abril, e o prejuízo em margem consome boa parte do lucro acumulado nos meses de pico. Também não adianta tentar antecipar a demanda com promoções antes do início do verão. Consumidores percebem isso e adiam a compra esperando continuidade de preço baixo. O efeito líquido costuma ser neutro ou negativo para o faturamento total do período.

O ideal é tratar o início do verão como um evento de transição, não como uma virada súbita. Monitorar dados reais, ajustar em ciclos curtos de duas semanas e manter flexibilidade no mix e na equipe. Sistemas rígidos quebram no primeiro ano de variação climática atípica. Sistemas que aprendem com os dados do próprio negócio tendem a melhorar a cada ciclo.