Construir instrumentos musicais com materiais reciclados é mais simples do que a maioria das pessoas imagina
Você provavelmente já deve ter pensado em fazer algum instrumento do lixo de casa, mas sabe aquela coisa que desanima todo mundo? A parte de ajustar a afinação e fazer o som sair de verdade, e não apenas um barulho rústico. A verdade é que existem alguns modelos que funcionam de primeira, sem precisar de ferramenta nenhuma ou quase nada. Vou mostrar os três mais confiáveis e contar onde as coisas costumam dar errado, porque eu já quebrei vários deles no caminho.
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instrumentos reciclados faceis de fazer para iniciantes
O marimba de cano PVC é, de longe, o mais previsível. Você compra tubos de PVC soldados com curva de 20 ou 25 milímetros, corta em tamanhos decrescentes e coloca em uma caixa de madeira ou até mesmo apoia sobre dois bancos. A afinação segue uma lógica muito simples: cada tubo precisa ter um comprimento específico para a nota desejada. Para o Dó central em lá migrotons, o tubo cai praticamente nos 38 centímetros, e vai encurtando conforme sobe a escala. O problema real que eu encontrei na prática é que o PVC comum tende a ficar muito agudo quando a temperatura sobe. Eu resolvi isso passando uma camada fina de fita isolante ou fita crepe dentro do tubo, perto das extremidades, o que altera ligeiramente a ressonância e estabiliza a afinação. Usa-se uma vareta de madeira envolta em pano para percutir. O timbre é seco, parecendo um xilofone barato, mas é suficientemente musical para tocar melodias reconhecíveis. Depois vem a sanfona de garrafa pet, que na verdade é um oboé de palheta dupla improvisada. Você pega uma garrafa PET de dois litros, corta a base, faz um furo na tampa para inserir um canudo de bevagem, e enrola tiras finas de borracha de câmara de bola ou látex ao redor de uma extremidade do canudo. Sopra e torce levemente para formar a palheta. O bocal fica na tampa, e os furos para as notas são feitos diretamente no corpo da garrafa usando um prego aquecido. O problema mais comum é que a palheta trava após alguns minutos de uso porque a umidade da respiração incha o látex. Minha solução foi usar tiras de silicone de vedação de janela, que duram algumas horas sem degradação. O som é nasal, meio áspero, mas afina de forma razoável se você for fazendo os furos em ordem crescente a partir do bocal.
Por último, o bom e velho teclado de borracha elástica. Pedaços de mangueira de irrigação ou canos de silicone grossos, esticados sobre uma caixa de sapatos fechada, com pregos nas laterais servindo de ponte. Cada "corda" tem um comprimento diferente correspondente a uma nota. A tensão é ajustada apertando os pregos em posições diferentes. Aqui o problema é a durabilidade. A borracha estica com o tempo e desafina rapidamente, principalmente se você tocar com força. Eu descobri que cobrir as cordas com uma camada fina de cola de silicone líquida, deixando secar completamente, aumenta a vida útil em pelo menos três vezes. O timbre é muito semelhante a um ukulele enferrujado, o que é aceitável para fins educacionais e demonstrações. Se você está começando agora, foque no marimba de PVC. É o mais estável, o que permite dedicar energia à execução musical em vez de brigar com a afinação a cada cinco minutos. Todos esses projetos têm o defeito inerente de não produzirem som igual a um instrumento profissional, mas para quem quer entender como a música pode surgir de materiais descartados, eles funcionam muito bem. Só evite usar metal galvanizado nos suportes se for deixar o instrumento exposto ao ar livre, porque a corrosão acelera bastante e estraga a estrutura em poucas semanas.